Após negociações bem-sucedidas com operadoras de planos de saúde e reajustes nos preços de seus serviços médicos ao longo do terceiro trimestre, a operadora de hospitais Rede D’Or (RDOR3) reportou, na noite da última quarta-feira (10), resultados melhores do que o esperado pelo mercado.
Em resposta, a surpresa positiva se refletia nas ações da companhia no pregão desta quinta-feira (11), dia que baixa generalizada do Ibovespa. Por volta das 15h, o papel era negociado em alta de 0,25%, cotado a R$ 32,38.
A Rede D’Or fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 375 milhões, alta de 6,9% na comparação com o anotado em igual período do ano passado. O resultado, ainda, ficou 11% acima da projeção do Goldman Sachs e 26% acima do esperado pelo Itaú BBA.
O lucro líquido da companhia foi ajudado por uma queda nas despesas financeiras, que vieram abaixo do antecipado por analistas, mas o principal fator por trás da surpresa positiva foi o crescimento de receita. A empresa fechou o trimestre com receita líquida de R$ 6 bilhões, alta de 14% na comparação com os mesmos três meses do ano passado, além de ter superado a estimativa do Goldman em 5,4% e a do BBA em 4%.
O motor por trás da expansão de receita, por sua vez, foi o aumento no ticket médio, de 2,6% na comparação com o segundo trimestre deste ano, refletindo a capacidade da Rede D’Or de renegociar seus contratos com as operadoras de planos de saúde.
“Notamos que os resultados melhores do que o esperado foram causados principalmente por receitas líquidas mais fortes do que o previsto no trimestre, o que, por sua vez, foi resultado de uma sólida performance de ticket médio, pois a companhia foi capaz de repassar preços”, afirmam Gustavo Miele e Emerson Vieira, analistas do Goldman, em relatório desta sexta.
Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio, analistas do Itaú BBA, fazem a mesma leitura: “A Rede D’Or reportou números de receita positivos, devido principalmente a um aumento saudável de ticket médio, que era o principal foco das preocupações de investidores no início da temporada de balanços”, dizem em relatório.
A rentabilidade, por sua vez, mostrou tendências divididas. De um lado, a companhia foi capaz de reduzir os custos com materiais e medicamentos, que caíram 2 pontos percentuais, como porcentagem da receita, na comparação anual. Do outro lado, porém, as despesas com pessoal cresceram 3,6% na mesma base de comparação.
Com isso, a Rede D’Or fechou o trimestre com margem bruta de 24,9%, avanço de 1,3 p.p. na comparação com o mesmo período de 2021, mas 0,2 ponto percentual abaixo da estimativa do BBA. A margem Ebitda, por sua vez, ficou em 24,9%, aumento anual de 1,2%, mas 0,7 ponto percentual abaixo da expectativa do Goldman.
“A gestão da Rede D’Or está focada em aumentar a eficiência de suas operações, o que continuou a dar frutos neste trimestre”, escreveu Caio Moscardini, analista do Santander, em relatório publicado na noite de ontem.
Outros destaques positivos, na avaliação do Santander, foi o aumento de 10% na quantidade de leitos operacionais, na comparação com o terceiro trimestre do ano passado; e as taxas de ocupação ainda elevadas, mesmo considerando a baixa sazonalidade natural do período.
Depois dos resultados, tanto o Santander quanto o Itaú BBA reiteraram sua classificação de outperform para a ação – ou seja, esperam um desempenho acima da média do mercado –, enquanto o Goldman Sachs manteve sua recomendação de compra. O preço-alvo médio dos analistas das três instituições citadas é de R$ 45,80.