Ranking de investimentos do segundo trimestre de 2026

Fonte: Shutterstock/Sittipong Phokawattana

O segundo trimestre de 2026 foi marcado pela volatilidade nos mercados internacionais em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã. Apesar de momentos de escalada do conflito, o avanço das negociações culminou na assinatura do Memorando de Entendimento de Islamabad, em junho, reduzindo os riscos geopolíticos. Nesse cenário, os preços do petróleo permaneceram elevados durante boa parte do trimestre, enquanto o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, indicando cautela diante da persistência da inflação. 

No Brasil, o ambiente foi de perda de fôlego dos ativos domésticos. Após um início de ano positivo e recorde do Ibovespa em abril, o mercado passou a enfrentar saída de capital estrangeiro, ruídos fiscais e incertezas relacionadas ao ciclo eleitoral. Embora o Copom tenha reduzido a Selic para 14,25% ao ano, a inflação acima do esperado e o fortalecimento do mercado americano diminuíram a atratividade relativa dos ativos brasileiros. 

Maiores rendimentos  

Nikkei-225 (+37,21%) 

O índice japonês foi o grande vencedor do trimestre, encadeando recordes históricos sucessivos mês após mês. Em abril, o Nikkei já havia ultrapassado a marca histórica de 60.000 pontos, sustentado pela forte demanda por semicondutores e infraestrutura de inteligência artificial. O Japão domina o mercado de equipamentos de fabricação de chips, componentes eletrônicos e materiais químicos essenciais, com SoftBank e Advantest entre os destaques de alta. Em maio, o índice avançou beneficiado pelas expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã, pelo enfraquecimento do iene, que ampliou o interesse de investidores internacionais por ações japonesas, e pelo otimismo em torno da OpenAI, que impulsionou o grupo SoftBank. O movimento se estendeu a junho: o índice superou a barreira de 70.000 pontos, atingindo o maior nível desde o início da série histórica em 1949, fechando o trimestre acima de 71.000 pontos. A assinatura do Memorando de Entendimento entre EUA e Irã, no fim de junho, deu o empurrão final. 

Nasdaq Composite (+21,48%) 

O Nasdaq Composite encerrou o segundo trimestre como um dos índices de melhor desempenho entre os mercados desenvolvidos, sustentado por três vetores que se reforçaram mutuamente ao longo de abril, maio e junho: a virada diplomática no Oriente Médio, que reduziu gradualmente o prêmio de risco geopolítico embutido nos ativos de crescimento; uma temporada de resultados corporativos acima das expectativas, com grande parte das companhias do S&P 500 superando as estimativas de lucro dos analistas; e o rali inédito do setor de semicondutores. Empresas como Alphabet, que quase dobrou o lucro no período, e Micron, que projetou receita de US$ 50 bilhões para o trimestre seguinte, ancoraram a narrativa de que o boom de investimentos em inteligência artificial não só permanece intacto como está acelerando.  

BDRX (+16,78%) 

O índice de BDRs não patrocinados, que havia sido o vilão do primeiro trimestre, fez o caminho inverso entre abril e junho. Foi impulsionado principalmente pelas gigantes de tecnologia norte-americana que compõem sua carteira: a Nvidia (NVDC34), maior participação do índice, reportou lucro líquido de US$ 58,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com receita de US$ 81,6 bilhões, beneficiada pela forte demanda relacionada à inteligência artificial. A Apple (AAPL34) também contribuiu positivamente, com lucro líquido de US$ 29,5 bilhões impulsionado pelas vendas de iPhone, enquanto a Microsoft (MSFT34) reportou lucro líquido de US$ 31,7 bilhões no primeiro trimestre, reforçando o bom momento das grandes empresas de tecnologia. Como o BDRX é fortemente concentrado em papéis americanos, o índice funcionou como espelho quase direto da escalada do Nasdaq e do S&P 500 ao longo do trimestre. 

S&P 500 (+14,82%) 

O índice mais acompanhado do mundo também operou em níveis recordes ao longo do trimestre. Ancorado na resiliência dos lucros corporativos que acalmaram o mercado após o choque de oferta no petróleo — a fabricante de memórias Micron foi o grande destaque, respondendo por mais da metade do crescimento de lucros do índice desde o início do conflito no Oriente Médio. Em maio, o avanço foi sustentado pelos setores de tecnologia e energia, com a valorização do petróleo beneficiando companhias petrolíferas, além da resiliência dos resultados corporativos americanos em um ambiente de consumo ainda relativamente forte. O índice fechou o trimestre superando a marca histórica de 7.500 pontos, com o Goldman Sachs chegando a elevar sua projeção para o fim de 2026 de 7.600 para 8.000 pontos, citando a força contínua dos lucros corporativos. 

Menores rendimentos 

Ethereum (-23,66%) 

A segunda maior criptomoeda do mercado também sofreu pressão ao longo de todo o trimestre. Em maio, recuou 9,48% no mês, em um ambiente mais desafiador para ativos de risco, marcado pela combinação entre política monetária restritiva, juros elevados e tensões geopolíticas, que reduziu o apetite dos investidores pelo mercado de criptomoedas. O ativo também foi pressionado por saídas relevantes de recursos dos ETFs spot de Ethereum, ampliando as preocupações em torno da demanda institucional, enquanto parte do fluxo do mercado cripto migrou para o Bitcoin, que concentrou maior interesse dos investidores diante da ausência de novos gatilhos positivos de curto prazo para o Ethereum especificamente. O movimento levou a liquidações no setor e ampliou a volatilidade da criptomoeda ao longo do período, embora analistas do HSBC tenham começado a defender, já no fim do trimestre, que o ativo poderia iniciar uma fase de superperformance relativa ao Bitcoin graças à sua capacidade de gerar renda via staking. 

Ouro (-13,41%) 

O metal precioso sofreu o reflexo do mesmo movimento que penalizou o Bitcoin. Já em abril, o ouro recuou 4,41% no mês, pressionado pela estagnação temporária das negociações diplomáticas entre EUA e Irã, o cancelamento do envio de negociadores americanos à região naquele momento frustrou as expectativas de um fim rápido para o conflito, elevando o dólar e as projeções de inflação. Com a perspectiva de juros altos por um período prolongado nos Estados Unidos e a ausência de geração de rendimentos próprios, o ouro perdeu atratividade frente a ativos de risco e moedas fortes ao longo do trimestre, sofrendo com a realocação de capital dos investidores institucionais. O movimento se estendeu a maio e junho, consolidando a reversão de um ativo que, no primeiro trimestre, havia liderado os rankings de rentabilidade de 12 meses. 

Bitcoin (-12,34%) 

O Bitcoin encerrou o segundo trimestre como o pior ativo entre todos os monitorados. A principal razão foi o abandono do “debasement trade” a aposta de que o endividamento dos governos corroeria o valor das moedas fiduciárias e elevaria ativos de oferta limitada. Com o Federal Reserve mantendo juros altos por mais tempo, impulsionado pela inflação persistente agravada pelo conflito no Oriente Médio, os títulos do Tesouro americano voltaram a competir diretamente com ativos sem rendimento, redirecionando o capital institucional para fora do mercado cripto. A saída se materializou nos ETFs spot americanos, que registraram resgates expressivos em maio e junho, revertendo as entradas ainda observadas em abril. O IBIT, da BlackRock, concentrou a maior parte das saídas no período. “Essa venda contínua sinaliza que os investidores tradicionais estão perdendo interesse, e que o pessimismo geral com a cripto está crescendo”, avaliou Marion Laboure, analista do Deutsche Bank. 

Small Cap (-9,76%) 

O índice de empresas de menor capitalização da B3 foi um dos mais penalizados do trimestre. Sem o amortecedor das grandes exportadoras de commodities que sustentaram parcialmente o Ibovespa, o SMLL sofreu de forma mais intensa a reversão do fluxo estrangeiro, que se concentrou nas blue chips, instituições financeiras e exportadoras, deixando as small caps de lado. A Selic ainda elevada pesou diretamente sobre empresas mais sensíveis ao custo do crédito doméstico, enquanto a incerteza política e a proximidade do ciclo eleitoral aumentaram a aversão ao risco para ativos de menor liquidez. Esse último fator é estrutural no segmento: a menor liquidez das small caps amplifica tanto as altas quanto as baixas, tornando o índice especialmente vulnerável em momentos de saída de capital. 

O segundo trimestre de 2026 evidenciou a rápida mudança no fluxo global de capitais. A redução das tensões geopolíticas e o fortalecimento dos mercados desenvolvidos impulsionaram Wall Street, enquanto o Brasil perdeu atratividade diante da saída de investidores estrangeiros e do aumento das incertezas domésticas.

Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques econômios – 01 de julho

Nesta quarta-feira (01) o calendário econômico traz atualizações relevantes que podem impactar os mercados. Veja os principais eventos do dia e suas possíveis consequências: 05:00

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.