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Queda de small caps abre oportunidade única, dizem gestores; confira as preferidas

Queda de small caps abre oportunidade única, dizem gestores; confira as preferidas

Índice Small Caps teve desvalorização de 16,2% em 2021, contra baixa de 12% do Ibovespa

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O mercado de ações brasileiro viveu um 2021 conturbado. O principal índice da Bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, fechou o ano com queda acumulada de 12%. Um segmento, porém, viveu dias ainda mais difíceis.

Em 2021, o Índice Small Caps, composto pelas ações de baixa capitalização da Bolsa, anotou perdas de 16,20%. E, enquanto o Ibovespa vem mostrando recuperação neste ano, com ganhos de 1,76%, o indicador segue no sentido oposto, acumulando queda de 8,58%.

Um fator para o patamar do índice atualmente é a sua composição, diz Werner Roger, Chief Investment Officer (CIO) da Trígono Capital. Segundo ele, o Small Caps considera a liquidez dos papéis, o que faz as ações de empresas ligadas a varejo e consumo terem muito peso no indicador.

Com isso, a alta nas curvas de juros, responsável também por pressionar papéis do Ibovespa nos últimos meses, pesa ainda mais sobre o Índice Small Caps, visto que empresas de setores como varejo, construção e tecnologia são as mais afetadas. Os juros mais altos afetam o bolso dos consumidores, na aquisição de produtos e serviços, e das próprias empresas, que muitas vezes precisam recorrer a empréstimos para financiar seu crescimento.

O setor de varejo e consumo tem peso de 10% no Small Caps, e de 2% no Ibovespa. Já as companhias da área imobiliária correspondem a 16% do indicador, contra 10% do principal índice da Bolsa. E as ações de tecnologia que não integram o Ibov, representam 4% do indicador das small caps.

Avalanche de IPOs

Outro fator que afetou o índice foi a desvalorização de ações de companhias que realizaram ofertas públicas iniciais ao longo de 2021. Das 45 empresas que entraram na bolsa de valores no ano passado, 21 passaram a compor o Small Caps. Destas, apenas sete, ou 33%, tiveram valorização desde a estreia, o que ajudou a puxar o índice para baixo.

Além disso, segundo Eduardo Cavalheiro, sócio-gestor da Rio Verde Investimentos, as estreias “drenaram” parte dos recursos que poderiam ser alocados em outros papéis.

Além disso, a saída de investidores da Bolsa, diante da atratividade dos investimentos de renda fixa em um cenário de alta nas taxas de juros, contribui para o recuo do indicador. Os fundos de ações, por exemplo, tiveram muito resgates em 2021 e, como consequência, precisaram vender suas participações, mesmo com os baixos patamares de preço.

“Quando o cenário piorou, uma venda muito forte foi desencadeada. O investidor desanimou e decidiu vender. Os fundos também precisaram vender para ter liquidez”, explica Cavalheiro.

A alta vem… quando?

Mas uma possível inversão do cenário de juros altos tende a ser especialmente benéfica para as empresas de baixa capitalização. Além disso, na visão do gestor da Rio Verde, o atual patamar de preços já precifica a piora do quadro macroeconômico.

Ele diz, porém, que alguma indicação positiva será necessária para que as ações voltem a subir. “Por exemplo, uma surpresa seria uma revisão de crescimento do PIB ou uma queda na inflação, que faria os juros subirem menos ou até caírem”, afirma.

Roger, da Trígono, é mais otimista em sua análise: “A minha expectativa é que os juros caiam, e vão cair naturalmente. Com isso, as small caps devem voltar aos radares, principalmente aquelas que caíram mais”, aponta.

Outro fator que poderia ajudar as ações, segundo Cavalheiro, é o debate eleitoral, caso haja acenos positivos em temas como ajuste fiscal, responsabilidade de gastos e compromisso com a inflação baixa.

“Comprar barato nunca dá prejuízo”

A forte queda recente nos preços das ações, segundo os gestores, pode representar uma oportunidade única de investimento. “Comprar barato nunca dá prejuízo”, afirma o gestor da Rio Verde.

Na visão do CIO da Trígono, uma boa estratégia é considerar papéis de empresas que estão baratas e, principalmente, que têm receita relacionada ao dólar, o que indica a possibilidade de benefício com a alta na taxa de câmbio.

Um dos setores apontados por Roger é a indústria, principalmente as companhias ligadas ao segmento automotivo. Ele cita Tupy (TUPY3), Schulz (SHUL4) e Metal Leve (LEVE3), que têm como foco a produção de peças para a indústria automotiva pesada. “Estamos falando de caminhões, cuja produção no ano passado subiu 75%, e todas as consultorias dizem que 2022 será melhor ainda”, destaca.

Além disso, o CIO diz que o setor saiu do radar dos investidores depois da crise de 2015 e 2016. Com isso, perdeu liquidez, e os preços caíram.

Um segundo setor interessante, de acordo com ele, é o de mineração e metalurgia. Neste caso, o foco seria a Ferbasa (FESA4), produtora de ferro ligas feitas de ferro cromo, utilizadas no segmento de inox e de ferro silício, fundamental para a produção de aço. A disparada nos preços do aço, então, beneficia a empresa. Além disso, a produção da Ferbasa utiliza eucalipto, enquanto a da China utiliza carvão – mais caro e mais poluente.

Roger menciona ainda o agronegócio, com destaque para Kepler Weber (KEPL3), produtora de silos para a armazenagem de grãos, e São Martinho (SMTO3), do setor sucroalcooleiro. A São Martinho deve se beneficiar da disparada recente nos preços do açúcar e do etanol, além da tendência de combustíveis limpos.

Cavalheiro, por sua vez, defende a posição em setores que tendem a ser menos impactados pelo cenário macroeconômico, como logística e infraestrutura. Mas além disso o gestor ressalta a importância de escolher bons papéis.

“Tem muitas empresas boas que estão sendo penalizadas, e é justamente a hora de escolher companhias com bom histórico de desempenho operacional, com boa governança, com modelos de negócios promissores e realistas”, aponta. “Eu acho que o caminho é esse, independentemente do setor, escolher as melhores empresas.”

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