Puxado por Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3), Ibovespa ignora exterior e cai mais de 2%

Prisão de Roberto Jefferson, aliado de Jair Bolsonaro, coloca em dúvida o avanço do presidente nas pesquisas antes da eleição

Foto: Shutterstock/Alf Ribeiro

Após cinco pregões consecutivos de alta, o Ibovespa recua com intensidade na primeira sessão da semana, num movimento descolado do exterior, refletindo a cautela que antecede o segundo turno das eleições no Brasil.

Por volta das 13h15, o principal índice da B3 recuava 2,50% e operava aos 116.915 pontos, puxado pelas ações da Petrobras (PETR3; PETR4) que operavam em baixa de 7,10% e 6,50%, respectivamente, diante da pressão do risco político nos papéis.

Na semana passada, a ação da estatal chegou a subir mais de 6% após pesquisas de intenção de voto indicarem um avanço da candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL), sugerindo um cenário mais apertado na disputa contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O mercado tem visto o avanço de Bolsonaro como positivo, uma vez que a reeleição do presidente pode indicar a continuidade de políticas que têm dado resultado para as empresas estatais, bem como indícios de privatização.

Contudo, o jogo parece ter virado. O analista da Quantzed, Leonardo Piovesan, vê que o episódio da prisão envolvendo Roberto Jefferson, aliado político de Bolsonaro, colocando uma pressão sobre o avanço do presidente.

O político resistiu à prisão e trocou tiros com a Polícia Federal neste domingo (23). Após o ocorrido, porém, acabou sendo levado pelos policiais. “Como o mercado faz a ligação dele com Bolsonaro, isso impacta a probabilidade de o atual presidente ganhar as eleições, já que existe o risco de ele perder votos”, comenta Piovesan.

Além disso, o mercado aguarda a divulgação da prévia operacional da Petrobras, referente ao terceiro trimestre do ano, após o fechamento do mercado.

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Bem como as ações da petrolífera, a ação do Banco do Brasil (BBAS3) desvalorizava 6,16%, figurando entre as principais baixas do dia, também repercutindo o risco político.

O IRB Brasil (IRBR3), que chegou a ser a maior queda do dia, perdia 5,66%, após apresentar prejuízo de R$ 164,7 milhões em agosto, revertendo o lucro de R$ 84,8 milhões visto um ano antes.

Nos primeiros oito meses de 2022, o prejuízo acumulado do IRB soma R$ 516,4 milhões. No mesmo intervalo de 2021, o prejuízo era de R$ 168,9 milhões. De acordo com o ressegurador, o prêmio emitido em agosto deste ano totalizou R$ 524,9 milhões, uma redução de 30,1% em relação ao mesmo intervalo de 2021.

O ressegurador viu o prêmio no Brasil diminuir de 16,2% na base anual, para R$ 380,9 milhões, e o prêmio no exterior cair 51,3%, para R$ 143,9 milhões. Do primeiro pregão do ano até aqui, as ações do IRB acumulam baixa de 73,63%.

Além do cenário interno, o analista da Quantzed vê a falta de sinalização sobre as políticas de Covid zero na China, após a reeleição de Xi JinPing, como negativo para o mercado.

“Acredito que o mercado estava esperando mais informações sobre possível afrouxamento dessa política, mas isso não aconteceu, causando forte queda na bolsa chinesa. Isso acaba influenciando nosso mercado. Esses dois fatores fizeram o dólar abrir em alta causando efeito na curva de juros também”, diz Piovesan.

Altas da Bolsa

A ação da Copel (CPLE6) liderava a ponta positiva do Ibovespa com uma alta de 4,65%, estendendo os ganhos de semana passada, após anunciar provento bilionário.

Na sequência, Suzano (SUZB3) subia 3,22%, Dexco (DXCO3) ganhava 2%, Taesa TAEE11) avançava 2% e Assaí (ASAI3) apontava em 1,72% para cima.

Segundo uma reportagem do jornal Valor Econômico, a empresa de papel e celulose pode comprar os ativos da Kimberly-Clark, dona da Neve e da Huggies, na América Latina.

Fontes a par das negociações afirmaram que a transação pode ser anunciada nos próximos dias. Além disso, a companhia divulgará seu balanço do terceiro trimestre na quinta-feira (27), após o fechamento do mercado.

Ademais, JBS (JBSS3) subia 1,94%, Carrefour (CRFB3) ganhava 1,36% e Qualicorp (QUAL3) avançava 1,24%.

Bolsas internacionais em alta

No exterior, o movimento é de alta nos principais mercados americanos e europeus enquanto os investidores aguardam a divulgação de balanços trimestrais.

Nos Estados Unidos, a semana será marcada pela divulgação das gigantes da tecnologia: Microsoft, Alphabet, Meta, Apple e Amazon.

Na Europa, o índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) registrou 47,1 pontos ante uma expectativa de 47,5 pontos. “O dado sugere que a atividade econômica da região está contraindo no ritmo mais rápido dos últimos dois anos e caminha para uma recessão”, avalia a XP em relatório matinal.

Ainda em solo europeu, o ex-ministro das finanças Rishi Sunak foi anunciado como o novo primeiro-ministro do Reino Unido.

Índice Local Desempenho nesta tarde
Dow Jones EUA +1%
S&P 500 EUA +0,80%
Nasdaq Composite EUA +0,15%
Euro Stoxx 50 Zona do Euro +1,45%
DAX 30 Alemanha +1,65%
FTSE 100 Reino Unido +0,73%

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