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Plano da Ambev (ABEV3) para contornar alta dos custos em 2022 vai além de elevar preços

Plano da Ambev (ABEV3) para contornar alta dos custos em 2022 vai além de elevar preços

Custo de produção de cervejas no Brasil deve crescer entre 16% e 19% neste ano, estima empresa

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Foto: Divulgação

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O aumento no custo dos produtos vendidos pela Ambev (ABEV3), que pesou sobre os resultados do quarto trimestre de 2021, deve seguir impactando os números em 2022, principalmente devido ao preço das commodities, afirmou a gestão da empresa na teleconferência de resultados na tarde desta quinta-feira (24).

O lucro líquido do quarto trimestre da Ambev caiu 45,6% em relação a igual período do ano anterior, para R$ 3,747 bilhões. O Ebitda ajustado, que exclui efeitos não recorrentes, caiu 24,1% no quarto trimestre, para R$ 6,784 bilhões.

A queda ocorreu mesmo diante de um aumento de 18,6% na receita líquida da companhia na mesma comparação, para R$ 22,010 bilhões. Os números ilustram, segundo a gestão, o aumento no custo dos produtos, que subiu 28% no quarto trimestre de 2021 em relação ao igual período do ano anterior, para R$ 10,496 bilhões.

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Para 2022, muitas das preocupações que estavam sobre a mesa no ano passado seguem ameaçando a companhia, segundo o CEO Jean Jereissati, como a pandemia de coronavírus, que ainda pode causar volatilidade, e a inflação, que pressiona a renda disponível da população.

O maior ponto de atenção, porém, segue sendo o aumento dos custos de produção – a diferença é que, neste ano, a maior parte da pressão deve vir do aumento de preços de commodities, e não da variação cambial, que afetou as despesas em 2021. Além disso, o ritmo de aumento de custos deve ser inferior ao registrado no ano passado.

Considerando esses pontos, a expectativa da Ambev é que seu CPV (custo dos produtos vendidos) por hectolitro do segmento de Cerveja Brasil, excluindo os efeitos de depreciação e amortização, tenha crescimento entre 16% e 19% em 2022, depois de subir 21,9% no ano passado.

No entanto, a companhia acredita que seu Ebitda deva aumentar mais em 2022 do em 2021, quando expandiu 11%.

Para isso, a Ambev aposta na estratégia de precificação de seus produtos, que já foi endereçada, segundo o CFO Lucas Lira, e na melhoria do mix de receita ao longo do ano. “A melhoria no mix ajudou muito mais do que os preços em termos de receita. Mas chegamos onde queríamos em precificação, o que dá bom carregamento para 2022”, explica.

Além disso, o avanço das iniciativas digitais da empresa – as plataformas Zé Delivery e BEES – traz otimismo para os resultados deste ano, que ainda contará com a Copa do Mundo durante o verão como oportunidade de impulsionar vendas.

Como o mercado vê os resultados?

Parece ser consenso entre os analistas: apesar de dados positivos de volume e receitas, o forte impacto das pressões cambiais e das commodities sobre os custos segue um ponto de preocupação.

O Ebitda registrado pela Ambev no quarto trimestre ficou 5% abaixo do esperado pelos analistas do BTG Pactual Digital, segundo relatório publicado nesta quinta-feira, enquanto o lucro líquido ficou 10% abaixo da projeção.

Diante deste cenário, a equipe de analistas da Ativa Investimentos reconhece como positivas as iniciativas da Ambev de apostar mais em produtos premium – que têm preços mais altos -, em inovação e na gestão de receitas.

O que esperar para as ações?

Na visão do BTG Pactual Digital, a expectativa de crescimento do Ebitda da Ambev para 2022 é otimista e pode não se concretizar. “A verdadeira questão continua sendo quanto preço a Ambev pode implantar antes de começar a perder participação de mercado novamente”, dizem os analistas.

Assim, o banco classifica as ações como neutras, com preço-alvo de R$ 16, o que representa alta de 8% em relação ao preço de fechamento da última quarta-feira (24), de R$ 14,81.

A Ativa Investimentos também segue enxergando um “cenário de desafios e volatilidade” à frente, considerando o patamar das commodities, e tem classificação neutra sobre o papel, com preço-alvo de R$ 19,20, o que corresponde a valorização de 30%.

A XP Investimentos é mais otimista e, ainda que reconheça os desafios à frente, vê com bons olhos “a rapidez com que uma empresa com mais de 100 anos conseguiu mudar durante a pior crise de todos os tempos, aumentando sua vantagem sobre seus pares, principalmente na frente comercial”. Com isso, a corretora recomenda compra para a ação, com preço-alvo de R$ 18,80 – upside de 27%.

A Genial Investimentos, por sua vez, reconhece que a Ambev pode se beneficiar em um cenário de melhoria e reabertura econômica, mas acredita que será desafiador atingir crescimento robusto mantendo boa rentabilidade. Com isso, a corretora indica a manutenção do papel na carteira, com preço-alvo de R$ 18 (potencial de alta de 22%).

Por volta das 14h40 desta quarta-feira (24), as ações da Ambev eram negociadas em baixa de 2,23%, a R$ 14,48.

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