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Petz (PETZ3) se espalha pelo Brasil para atacar terrenos inexplorados e ser “menos” paulista

Petz (PETZ3) se espalha pelo Brasil para atacar terrenos inexplorados e ser “menos” paulista

Petz planeja abrir 50 unidades em 2022, das quais 75% fora do estado de São Paulo

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Foto: divulgação

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A Petz, uma das principais redes de pet shop do Brasil, é uma empresa com DNA paulistano.  

Fundada em 2002 por Sérgio Zimerman, um empreendedor nascido no Brás, um dos bairros mais tradicionais da região central da capital paulista, a Petz teve como primeiro endereço uma das mais famosas rodovias da cidade, a Marginal Tietê, um nome familiar até para quem não é de São Paulo e vê, pela televisão, as típicas imagens aéreas de engarrafamento. 

A companhia, porém, tem feito um esforço para ser cada vez mais brasileira. Desde 2020, quando abriu capital e levantou R$ 3 bilhões, tem acelerado a expansão de lojas para fora do estado de origem. 

Com as 37 inaugurações realizadas no ano passado, a Petz terminou 2021 com a maior proporção de lojas instaladas em outros estados, de 44%, mas elas ainda são minoria em relação às do “irmão mais velho”, dono de 56% das unidades da Petz.

A “maioria” paulista, porém, é questão de tempo. Só no quarto trimestre, das 15 unidades abertas pela Petz, o maior número para um período de três meses, dois terços foram fora de São Paulo; e Zimerman, que segue à frente da companhia, como CEO, já ressaltou que o desbravamento do restante do país seguirá uma prioridade em 2022. 

Para analistas que acompanham a empresa, a estratégia de expansão geográfica da Petz encontrará terreno fértil em outros estados, em razão da alta fragmentação do mercado pet. 

Segundo um levantamento feito pelo BTG Pactual, 76% do consumo de produtos pet no Brasil ocorre em pet shops de bairro, clínicas veterinárias ou supermercados. Grandes lojas como as da Petz, que funcionam quase como um supermercado pet, representam apenas 8%. 

“A Petz, que é líder nesse segmento, ainda tem uma fatia muito pequena do mercado como um todo, então há espaço para crescer”, afirma o analista Phil Soares, da Órama Investimentos.

Em 2022, a companhia deve acelerar o ritmo de expansão. Após as 37 inaugurações de 2021, que levaram a empresa a ter uma rede com 168 unidades em 19 estados do país, a expectativa é abrir 50 novas neste ano, das quais nove já foram inauguradas neste primeiro trimestre. 

Em teleconferência com analistas na semana passada, Zimerman afirmou que as outras 41 já contam com terrenos escolhidos e contratos fechados. 

Segundo o executivo, do total previsto para 2022, 75% estão fora de São Paulo, com uma parte em cidades que não têm nenhum grande centro como os da Petz ou da Cobasi, a principal concorrente. “Há uma vantagem competitiva em ser o primeiro player em várias praças”, disse.

Em 2021, a Petz realizou inaugurações em três estados onde antes estava: Amazonas, Tocantins e Alagoas.

Cada nova loja, é claro, também impulsiona o canal digital da companhia, uma vez que as unidades funcionam como centros de armazenamento de produtos e distribuição, ressalta o analista Pedro Bruno, da gestora Taruá Capital. “Uma nova loja pode aumentar em cinco ou seis vezes a venda digital na região”, ele diz.

No ano passado, a receita bruta digital atingiu R$ 750 milhões, alta de 89,6% em relação a 2020. A participação do canal digital no faturamento total subiu de 23% em 2020 para 30% em 2021. 

Mas e a crise? 

Um ponto de atenção para a Petz é a conjuntura macroeconômica. A aceleração da inflação, o alto desemprego e a estagnação da economia fazem o consumidor pensar duas vezes antes de colocar a mão no bolso.

Os analistas, contudo, acreditam que a Petz pode ser mais resiliente que o varejo em geral. “Certamente a Petz vai sofrer menos que a Magalu, porque o produto vendido pela Petz é de recorrência, uma vez que o dono de pet compra ração, por exemplo, de forma periódica”, afirma o analista Pedro Bruno, da gestora Taruá Capital. 

Soares, da Órama, afirma que, em momentos de crise, a Petz tende a se comportar de forma mais parecida com os supermercados, que vendem produtos mais essenciais. “É um faturamento que varia menos”, ele diz. 

A própria Petz também se vê dessa forma. Segundo o CEO, a empresa se beneficia do fato de que 80% dos produtos e serviços vendidos são essenciais aos pets, como ração e cuidados de saúde, que seriam menos sensíveis a variações macroeconômicas.

Já os outros 20%, de produtos não essenciais, como petiscos, brinquedos e camas, estão sofrendo, sim, admitiu o executivo, que disse que os tutores dos pets estão deixando de comprar produtos não essenciais para compensar o efeito da inflação nos itens essenciais. 

 “O saudável dessa história é que as margens de produtos e serviços essenciais, dos 80%, não são tão menores que os dos 20%. Isso permite que, no total, as margens sigam bastante resilientes”, afirmou. 

No quarto trimestre do ano passado, a margem bruta da companhia foi de 42,9% sobre a receita bruta total, alta de 2,4 pontos percentuais em relação a igual período do ano anterior. 

Mais imune, portanto, a Petz começou 2022 com crescimento de “mais de 30%” na receita do primeiro bimestre, em relação a igual período do ano passado, em conta que considera apenas as lojas que já existiam no período anterior, para evitar que a comparação seja distorcida pelo número de novas lojas abertas desde então.

Apesar de admitir que a Petz está sentindo os efeitos da crise, o CEO ressaltou que não tem percebido uma correlação entre a renda dos clientes e os hábitos de consumo. Ele afirmou que o cenário tem sido idêntico em lojas localizadas em regiões mais periféricas e em unidades de regiões mais elitizadas.

“Os clientes de renda menor não estão fazendo trade down [trocando produtos mais caros por mais baratos] ou deixando de frequentar as lojas, isso não está acontecendo”, afirmou. 

Como exemplo, a CFO da Petz, Aline Penna, contou que, em uma loja da Petz na zona leste de São Paulo, na Av. Marechal Tito, a participação de vendas da Zee.dog, uma marca de acessórios mais premium adquirida pela Petz, é de 45%, “até maior do que no Itaim Bibi”, um bairro de renda mais alta de São Paulo.

Segundo Zimerman, entre os clientes da Petz, o fator afetivo entre tutores e pets acaba tendo mais força do que a renda. “Se você é milionário e não gosta de pets, você não é nosso cliente. Se você tem uma renda menor e trata seu pet como membro da família, você é nosso cliente”. 

Plano de saúde 

Parte da expansão pensada pela Petz envolve também a intenção de entrar no mercado de plano de saúde, uma das áreas que a companhia quer atacar para se tornar um grande ecossistema pet até 2025. No ano passado, por exemplo, comprou a Cão Cidadão, de adestramento, e a Zee.dog, de acessórios. 

A entrada na área de planos de saúde, no entanto, não será por meio de aquisição. A Petz – que já tem uma operação de clínicas e hospitais veterinários, a Seres, integrada às lojas – fará um plano de saúde no qual a cobertura será exclusivamente feita pela rede da Petz, para que os clientes do plano sejam atendidos pela própria rede de hospitais. 

“Daí a importância de a rede se espalhar geograficamente, para termos melhores condições de atender os consumidores”, disse Zimerman, que afirmou que um piloto do produto deve ser lançado já neste ano e que a região onde será a estreia ainda está sendo escolhida.

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