O CEO e fundador da Petz, Sérgio Zimerman, afirmou, na manhã desta quinta-feira (17), que as vendas da companhia cresceram “mais de 30%” nos primeiros dois meses de 2022, em comparação ao primeiro bimestre do ano passado, em critério que considera somente as lojas que já existiam no período anterior, sem incluir as unidades que foram inauguradas desde então.
O resultado foi apresentado pelo executivo durante teleconferência com analistas para comentar os números do quarto trimestre do ano passado, divulgados pela empresa na noite de quarta-feira (16).
O CEO, porém, fez questão de apresentar números preliminares do início deste ano, em uma tentativa de mostrar a analistas que o varejo pet tem resistido à deterioração do cenário macroeconômico, que combina inflação persistentemente alta, juros básicos a 11,75% ao ano e uma perspectiva de estagnação do PIB em 2022.
“A situação econômica não está fácil, mas o setor pet é resiliente”, defendeu o CEO, na teleconferência. A expansão vista no primeiro bimestre deste ano é similar à experimentada no ano passado. Em 2021, a receita bruta total da Petz cresceu 26,1% no critério que compara somente as “mesmas lojas” – unidades abertas há pelo menos 12 meses.
No critério ampliado, com as lojas inauguradas e com as aquisições feitas, o grupo teve expansão de “mais de 40%” no primeiro bimestre, segundo o CEO, enquanto o balanço de ontem mostrou que, em 2021, o crescimento da receita bruta total foi de 44,8%.
No ano passado, foram 37 inaugurações. A rede terminou 2021 com 168 unidades em todo o Brasil.
O executivo, contudo, admitiu que o segmento não é imune à crise. “Não podemos confundir resiliência com imunidade”, afirmou.
Segundo o CEO da empresa, a Petz se beneficia do fato de que 80% dos produtos e serviços vendidos são essenciais aos pets, como ração e cuidados de saúde. “O cachorro e o gato não sabem a taxa do dólar, o próximo presidente, a inflação ou da guerra na Ucrânia. Independentemente do que aconteça, os pets continuam comendo a mesma coisa e tendo necessidades de saúde”, disse.
Esses 80%, portanto, são pouco sensíveis a variações macroeconômicas, disse Zimerman. Já os outros 20%, de produtos não essenciais, como petiscos, brinquedos e camas, estão sofrendo, sim, admitiu o executivo, que disse que os tutores dos pets estão deixando de comprar produtos não essenciais para compensar o efeito da inflação nos itens essenciais.
“O saudável dessa história é que as margens de produtos e serviços essenciais, dos 80%, não são tão menores que os dos 20%. Isso permite que, no total, as margens sigam bastante resilientes”, afirmou o executivo.
No quarto trimestre do ano passado, a margem bruta da companhia foi de 42,9% sobre a receita bruta total, alta de 2,4 pontos percentuais em relação a igual período do ano anterior.
O lucro líquido da empresa, por sua vez, atingiu R$ 31,8 milhões nos últimos três meses de 2021, aumento de 16,2% em comparação a igual intervalo de 2020.
Clientes de renda mais baixa
Apesar de admitir que a Petz está sentindo os efeitos da crise econômica, o CEO ressaltou que não tem percebido uma correlação entre a renda dos clientes e os hábitos de consumo. Segundo ele, o cenário tem sido idêntico em lojas localizadas em regiões mais periféricas e em unidades de regiões mais elitizadas.
“Os clientes de renda menor não estão fazendo trade down [trocando produtos mais caros por mais baratos] ou deixando de frequentar as lojas, isso não está acontecendo”, afirmou.
Como exemplo, a CFO da Petz, Aline Penna, contou que em, em uma loja da Petz na zona leste de São Paulo, na Av. Marechal Tito, a participação de vendas da Zee.Dog, uma marca de acessórios mais premium adquirida pela Petz, é de 45%, “até maior do que no Itaim Bibi”, um bairro de renda mais alta de São Paulo.
Segundo Zimerman, entre os clientes da Petz, o fator afetivo entre tutores e pets acaba tendo mais força do que a renda. “Se você é milionário e não gosta de pets, você não é nosso cliente. Se você tem uma renda menor e trata seu pet como membro da família, você é nosso cliente”.
Após a divulgação dos resultados do balanço, as ações da Petz operam em queda nesta quinta. Por volta das 11h50, o papel da companhia recuava 3,13%, a R$ 17,31.