Os preços do petróleo operam em queda e abaixo de US$ 105 por barril, refletindo expectativa de progresso nas negociações para encerrar o conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
No domingo (13), um membro do grupo de negociadores da Rússia disse em entrevista à rede de televisão estatal RT que houve “progresso significativo” nas conversas com a Ucrânia.
A notícia deixou os investidores mais inclinados a esperar um desfecho positivo para a nova rodada de negociação, que começou nesta segunda-feira (14). Segundo informações divulgadas em agências de notícias internacionais e veículos de imprensa estrangeiros, as conversas duraram algumas horas e foram interrompidas para uma “pausa técnica”, com previsão de serem retomadas na terça-feira. (15).
Por volta das 11h40 (de Brasília), o preço do petróleo tipo Brent negociado no mercado futuro da ICE, que serve como referência para o mercado internacional, caía 6,9%, para US$ 104,94 o barril.
HISTÓRICO DE PREÇOS DO PETRÓLEO DESDE A NOITE DE DOMINGO (US$/BARRIL)

Os preços do petróleo apresentam muita volatilidade desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, no final de fevereiro. O movimento inicial foi de alta no valor do barril – que chegou perto de US$ 140 – em meio a expectativas de que haveria um embargo internacional ao petróleo exportado pela Rússia.
Ao longo das últimas semanas, foram anunciadas sanções internacionais à Rússia e os Estados Unidos e o Reino Unido anunciaram bloqueios à compra de petróleo do país, mas ficou evidente que a União Europeia dificilmente adotaria sanções neste sentido.
O bloco é muito dependente das exportações de petróleo e derivados da Rússia. Os russos forneceram quase a metade de todo o gás natural importado pela União Europeia e 27% de todo o petróleo comprado pelos europeus no exterior em 2021.
Com um dos maiores consumidores de petróleo russo hesitante em adotar sanções, o preço do barril perdeu parte do ímpeto inicial. O petróleo também chegou a devolver boa parte da alta depois de a Ucrânia indicar que está disposta a ceder em alguns pontos exigidos pela Rússia para encerrar o conflito.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, disse na semana passada que havia desistido de incluir o país na aliança militar da Otan. O possível ingresso da Ucrânia no grupo foi um dos motivos alegados pela Rússia para invadir o país. Pouco depois das declarações de Zelenski, o governo russo se manifestou dizendo que não pretendia derrubar o governo ucraniano.
As declarações foram vistas como um sinal de que a guerra estaria perto do fim. O conflito, no entanto, continua, e há alguns analistas que esperam mais dificuldades nas negociações à frente.
Guerra e seus efeitos devem durar
Em relatório, o Rabobank apontou que, apesar das declarações do negociador russo ontem, outros eventos relacionados à guerra na Ucrânia sugerem que as negociações podem ser mais difíceis do que se espera.
No fim de semana, os chefes de Estado da Alemanha e da França falaram por telefone com o presidente da Russia, Vladimir Putin, e indicaram que a guerra deve continuar.
Além disso, a Rússia avisou que passará a considerar alvos os equipamentos militares enviados à Ucrânia por outros países e bombardeou um campo de treinamento de mercenários na Ucrânia perto da fronteira com a Polônia, onde estes suprimentos provavelmente seriam entregues.
Além disso, os russos acusaram os Estados Unidos de fabricarem armas químicas em ex-repúblicas soviéticas tendo como alvo China e Rússia. Estes fatores, diz o Rabobank, sugerem que o conflito ainda pode ganhar proporções maiores que as atuais. “Pergunte a você mesmo: que tipo de acordo a Ucrânia e a Rússia podem assinar?”
O banco Nordea também está no time dos que veem mais volatilidade à frente – não só para os preços do petróleo, mas para outros ativos. “Embora os mercados financeiros pareçam muito dispostos a subir com qualquer notícia positiva sobre a guerra, estamos longe de estarmos convencidos de que a volatilidade vai diminuir de vez”, disse a equipe do banco em um relatório.