As indefinições e o atraso na votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios ajudaram a derrubar a Bolsa ontem. Após negociações, o texto será apreciado pelo plenário do Senado nesta quinta, dia 2, a partir das 9h, e se for aprovado pode ajudar a melhorar o humor do mercado.
Algumas das mudanças negociadas foram a alteração da limitação do pagamento dessas dívidas das quais a União não pode mais recorrer até 2026, e não 2036, e o “carimbo” de todo o espaço aberto pela PEC no teto de gastos para o pagamento do novo programa social do governo, o Auxílio Brasil, e despesas previdenciárias.
A indefinição em torno do Orçamento se tornou o bode na sala nas últimas semanas. Apesar da proposta não ser considerada a melhor solução, a resolução do imbróglio deve ajudar a clarear o cenário e retirar parte da pressão sobre os preços dos ativos brasileiros.
Analistas apostam em PIB no zero a zero
Os investidores ainda acompanharão a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), às 9h, dado que ajudará o mercado a entender com mais clareza como está o ritmo de atividade econômica no Brasil.
Em meio à disparada da inflação e do aumento de juros, que foi intensificado a partir de junho, as expectativas não são otimistas. Para os analistas ouvidos pela Reuters, o mais provável é que a economia brasileira não tenha crescido em relação ao segundo trimestre, que por sua vez registrou leve queda de 0,1%.
“A atividade econômica deverá sentir os impactos do maior aperto monetário e da piora das condições fiscais. O aumento da Selic [taxa básica de juros] e a deterioração das condições financeiras deverão afetar especialmente as atividades ligadas ao ciclo econômico, como a construção civil, indústria de transformação, comércio e serviços”, avaliou a equipe de macroeconomia do Itaú.
Lembrando que os analistas ouvidos semanalmente pelo Boletim Focus vêm reduzindo suas projeções para o PIB de 2021 e de 2022: para este ano, a aposta é de alta de 4,78% (era de 4,94% há um mês), e para o ano que vem de 0,58% (era de 1,20% há um mês).
Nesta quinta, também tem divulgação das vendas de veículos em novembro pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Nos EUA: auxílio desemprego e plano contra a Ômicron
Nos EUA, Às 10h30, o DoL (Departamento de Trabalho americano) informa o número atualizado de pedidos de auxílio desemprego no país. Apesar de economistas esperarem um aumento –lembrando que o dado é um indicador importante da situação do mercado de trabalho americano –a expectativa é que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) intensifique a retirada de estímulos, como compra de títulos, na próxima reunião de política monetária.
Ontem, o Livro Bege mostrou que em vários estados, apesar da forte demanda, o crescimento foi refreado em outubro e início de novembro pela oferta em baixa, consequência de quebras em cadeias de fornecimento e falta de mão de obra. Em outras palavras, um estímulo para a alta da inflação e, consequentemente, elevação de juros no futuro.
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Ao mesmo tempo, hoje o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciará o plano da maior economia do mundo contra a nova variante super transmissível de coronavírus, a Ômicron. Dependendo das medidas e do nível de preocupação transmitido pelo mandatário, o mercado pode reagir mal, em especial se ficar claro que a cepa pode reforçar o cenário mais temido hoje: inflação de oferta e baixo crescimento.