Navegue:
Para UBS-BB, queda de 20% da ação da XP (XPBR31) não se justifica e abre oportunidade de compra

Para UBS-BB, queda de 20% da ação da XP (XPBR31) não se justifica e abre oportunidade de compra

Novas iniciativas da corretora devem crescer e não estão sendo precificadas, na visão do banco

Foto de celular com logo da XP na tela, gráfico de ações ao fundo

Foto: Shutterstock

Por:

Compartilhe:

Por:

A queda de cerca de 20% nas ações da XP desde o início do ano — período em que o Ibovespa teve alta de 20% e o BTG Pactual (BPAC11), seu principal concorrente, subiu cerca de 30% — não se justifica e abre uma oportunidade de compra para a ação, na visão da equipe de analistas do UBS-BB.

Esta desvalorização, segundo os analistas, se deve principalmente ao risco de venda de participação pelo Itaú Unibanco (ITUB4) e pela Itaúsa (ITSA4), à tendência vista em outras empresas de tecnologia e de crescimento, e aos resultados do primeiro trimestre, que surpreenderam negativamente.

Nos últimos anos, lembra o banco, a XP tem investido em novas linhas de negócios, com foco em previdência, cartões, crédito e seguros. Ainda que essas iniciativas estejam em estágio inicial, elas têm ganhado tração e podem ter impacto positivo não apenas no balanço, mas também na fatia da XP na carteira de investimentos de clientes, que passam a depender menos de bancos tradicionais, segundo o UBS-BB.

Assim, a opinião do UBS-BB é que essas iniciativas podem surpreender o mercado positivamente, uma vez que ainda não foram totalmente incorporadas nas projeções.

Leia mais:
Ação da XP cai 18% em Nova York após balanço mostrar um “fraco início de ano”

Apesar de enxergar potencial nas novas verticais, os analistas do banco acham que será difícil, ainda que não impossível, que estes quatro segmentos gerem R$ 10 bilhões em 2025, ou 20% da receita total — indicado pela XP em suas projeções. Nos 12 meses encerrados em março, a receita bruta das novas verticais foi de R$ 759 milhões, 6% da receita consolidada.

A expectativa é que, com uma expansão de cerca de 30% ao ano dos ativos sob custódia e com a evolução das novas iniciativas da XP, seu lucro deva crescer a um ritmo médio de 20% ao ano entre 2022 e 2024. O UBS-BB aponta ainda que, em suas projeções, não considera potenciais reduções de custo que podem ocorrer caso haja desaceleração no crescimento de receitas.

Pedras no caminho

A visão positiva, porém, não significa que a companhia não deva enfrentar dificuldades. Em primeiro lugar, a expectativa do UBS-BB é que as taxas de juros permaneçam em patamares elevados por algum tempo, diminuindo o apetite de investidores.

Um exemplo disso é o volume médio de negociações diárias da B3, que permaneceu fraco em abril e maio, assim como a atividade de mercado de capitais e a entrada de recursos. Ainda assim, os analistas do banco não acreditam que o processo de aprofundamento financeiro dos investidores brasileiros esteja chegando ao fim, mas que o movimento atual seja apenas uma pausa temporária causada por condições macroeconômicas.

Em outra frente, a take rate, métrica que indica a comissão média da companhia sobre a prestação de serviços, como percentual dos ativos sob custódia, caiu mais do que o esperado, para 1,1% no primeiro trimestre deste ano, ante o patamar estável em torno de 1,3% que vinha anotando desde 2018.

E, ainda que a take rate possa apresentar certa recuperação no curto prazo, ficando em torno de 1,2% nos próximos trimestres, segundo as projeções do UBS-BB, a expectativa do banco é que a contração continue no longo prazo, chegando em 2026 a 1,1%.

A base de clientes também deve crescer a um ritmo menor daqui para frente, uma vez que a XP já atingiu 3,5 milhões de clientes, número superior aos negócios premium do Itaú e do Bradesco (BBDC4), Personnalite e Prime. A corretora vem adicionando cerca de 710 mil clientes por ano desde 2018, mas a expansão deve encolher para aproximadamente 350 mil em 2022 e em torno de 400 mil nos próximos anos, diz o banco.

Veja também:
Juros em alta e concorrência fazem XP (XPBR31) começar o ano com queda no saldo de captação; confira análise

A revisão nas projeções de expansão de base de clientes e take rate resultam também em expectativas menores para receita. Enquanto a XP projeta chegar a R$ 40 bilhões em 2025, a estimativa do UBS-BB é de R$ 29 bilhões. O lucro líquido ajustado, por sua vez, deve fechar 2022 a R$ 4,1 bilhões e 2023 a R$ 4,9 bilhões, na visão do banco.

Outro risco importante para as ações da XP é a possível venda de ações pelo Itaú e pela Itaúsa. Na opinião do banco, cerca de R$ 2,9 milhões em ações da corretora podem entrar no mercado no curto prazo.

Recentemente, a Itaúsa diminuiu sua fatia na empresa para 12%, de 15%, e revelou que pode vender uma fatia adicional de até 24 milhões de ações neste ano, o que equivale a 4,3% do capital da XP neste ano. O Itaú, por sua vez, tem indicado que pode reduzir sua participação, que hoje é de 11,4%, para abaixo de 10% no curto prazo.

Outros riscos mencionados pelos analistas são o ambiente econômico; mudanças em taxas de juros e câmbio; mudanças regulatórias; aumento da concorrência, que poderia diminuir a captação líquida; e riscos de execução na implementação de novos produtos.

Ações estão baratas, é hora de comprar

A avaliação do banco, que passou a recomendar a compra do papel, que antes recebia classificação neutra, considera que o ativo está mais barato do que muitas ações de empresas brasileiras de crescimento – inclusive de companhias que operam em segmentos mais arriscados, como PagSeguro (PAGS34), Stone (STOC31) e B3 (B3SA3).

O UBS-BB aponta ainda que a XP, que costumava ser negociada com um prêmio de 200% sobre as ações de um de seus principais concorrentes, o BTG Pactual, agora opera a um prêmio menor, de 27%. “Não acreditamos que isso seja justo, dada a composição e os resultados das duas plataformas de investimento. Vale notar que nós costumávamos preferir o BTG à XP, o que não é mais o caso”, dizem os analistas.

⇨ Quer conferir quais são as recomendações de analistas para as empresas da Bolsa? Inscreva-se no TradeMap!

Na comparação com o BTG, o UBS-BB destaca que o lucro da XP deve ter crescimento mais rápido, e que o mix de negócios do BTG, com maior participação do segmento de crédito e de corretagem, merece múltiplos menores do que o da XP, concentrado em serviços de varejo.

Apesar de ter passado a recomendar compra, o UBS-BB revisou para baixo seu preço-alvo para a ação, para US$ 31, contra US$ 37 anteriormente, devido à uma redução nas projeções de lucro, consequência de uma desaceleração no crescimento da base de clientes. O preço-alvo atual corresponde a alta de 36% em relação ao valor do papel no fechamento de segunda-feira (6), de US$ 22,83.

E não é só o UBS-BB que tem uma visão positiva sobre o ativo. De acordo com dados da Refinitiv disponíveis no TradeMap, nove das 12 instituições financeiras consultadas recomendam a compra da ação, enquanto as outras três indicam a manutenção do ativo em carteira. A mediana de preços-alvo dos analistas é de US$ 38,08 – potencial de alta de 67%.

Nesta terça, a ação da XP em Nova York fechou em alta de 3,81%, a US$ 23,70.

Gráficos com a visão de analistas sobre as ações da XP
Fonte: TradeMap

 

Compartilhe:

Compartilhe: