Pão de Açúcar (PCAR3) vende mais, mas gastos aumentam e prejuízo cresce no 3º trimestre

Companhia encerrou o período com perdas de R$ 288 milhões, piora de 221,7% na base anual

Foto: Shutterstock/Braz Porphirio Junior

Mesmo com crescimento nas vendas, o prejuízo líquido do Pão de Açúcar (PCAR3) aumentou no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior, pressionado por gastos maiores, diante do cenário de elevação na inflação, além de uma piora no resultado financeiro.

Com isso, a varejista de alimentos fechou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 288 milhões, uma piora de 221,7% na comparação com o registrado nos mesmos três meses de 2021.

O mercado já esperava que a companhia registrasse prejuízo, mas os números apresentados vieram piores do que o previsto. A XP Investimentos, por exemplo, projetava perdas de R$ 16 milhões, enquanto o BTG Pactual apostava em prejuízo de R$ 47 milhões e a Ativa Investimentos, de R$ 89,4 milhões.

A receita bruta, por sua vez, atingiu R$ 11,6 bilhões no terceiro trimestre deste ano, crescimento de 9,5% versus igual período de 2021, enquanto a receita líquida teve expansão de 8,9%, para R$ 10,5 bilhões.

De acordo com a companhia, o aumento das vendas é resultado do trabalho de reestruturação do grupo, intitulado Novo GPA Brasil, das aberturas de lojas no período e do bom desempenho do Grupo Éxito, braço internacional da varejista.

“O avanço dos resultados do Novo GPA começa a refletir o trabalho que iniciamos há seis meses, focado nos pilares e projetos estratégicos do grupo com a retomada do ‘básico bem feito’”, escreve Marcelo Pimentel, diretor presidente do Pão de Açúcar.

“Entramos nesse quarto trimestre com uma tendência melhor nas vendas, posicionados para seguirmos evoluindo em nosso plano estratégico, nas nossas entregas e na melhoria da experiência do nosso cliente”, completa o executivo.

Considerando apenas as operações no Brasil, as vendas atingiram R$ 4,6 bilhões no terceiro trimestre, crescimento anual de 10,6%, impulsionadas pelas lojas da marca Extra Hiper que foram convertidas em Pão de Açúcar no período. Considerando apenas as lojas que já estavam abertas há um ano (indicador conhecido como SSS, sigla em inglês para vendas nas mesmas lojas), o crescimento foi de 6,6%.

Já o Grupo Éxito, braço estrangeiro do Pão de Açúcar, registrou crescimento de 20,3% nas vendas em lojas que já estavam abertas há um ano, explicado principalmente pelo aumento do tráfego em lojas e pelo bom desempenho de novos formatos, diz a empresa. Considerando o total de lojas, o crescimento das vendas foi de 21,8%, para R$ 6,9 bilhões.

O lucro bruto consolidado, considerando as operações brasileiras e estrangeiras, totalizou R$ 2,6 bilhões no trimestre, alta de 7,6% em relação ao mesmo período de 2021, enquanto a margem bruta teve contração de 0,3 ponto percentual, para 24,8%.

Essa redução, segundo o Pão de Açúcar, se deve principalmente ao aumento da inflação, que resultou na necessidade de mais promoções e no aumento de custos. Neste sentido, as despesas com vendas, gerais e administrativas cresceram 8,2% na mesma base de comparação, para R$ 1,9 bilhão.

Do outro lado, o resultado foi positivamente afetado pela alta de 9,2% no lucro bruto do Grupo Éxito, impulsionado pela diluição da receita líquida, pela recuperação nos desempenhos do Uruguai e da Argentina e pela maior contribuição de negócios imobiliários.

O Ebitda ajustado totalizou R$ 660 milhões, contração de 2,5%, com margem Ebitda ajustada de 6,3%, baixa de 0,8 p.p. A redução na margem Ebitda, segundo a companhia, é explicada pelo impacto do aumento da inflação no lucro bruto.

Além dos pontos já mencionados, o lucro líquido também foi impactado pela piora no resultado financeiro, que encerrou o período em R$ 180 milhões negativos, devido ao aumento na taxa de juros, ao custo da antecipação de recebíveis das parcelas de cessão do Extra e da variação cambial no período.

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