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O que o grupo dono da Movida (MOVI3) pensou ao comprar uma rede de concessionárias de luxo

O que o grupo dono da Movida (MOVI3) pensou ao comprar uma rede de concessionárias de luxo

Por meio da Original Holdings, seu braço de concessionárias de veículos, Simpar comprou 100% da Autostar, avaliada em R$ 364,1 milhões

BMW

A BMW é uma das marcas que fazem parte do portfólio da Autostar, comprada pela Original Holdings. Foto: Shutterstock

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A Simpar (SIMH3) — dona de empresas como Movida, de aluguel de veículos, e Vamos, de locação de caminhões e máquinas agrícolas — anunciou nesta sexta-feira (29) mais uma aquisição para o seu portfólio de negócios.

Por meio da Original Holdings, seu braço de concessionárias de veículos, a Simpar comprou 100% da Autostar, empresa avaliada em R$ 364,1 milhões e focada em concessionárias de carrros e motos de luxo, com a revenda de modelos de marcas como BMW, Volvo e Harley-Davidson, entre outras.

Na transação, 50% serão pagos em dinheiro e a outra metade será em ações da Original. Com isso, os acionistas da Autostar serão donos de 15,4% da Original.

A estratégia por trás

Ao adquirir uma rede de concessionárias de luxo, a Original estará reforçando a atuação em um segmento que está em recuperação.

O mercado de carros e motos de luxo, assim como o de veículos no geral, foi duramente afetado pela pandemia, que forçou o fechamento de concessionárias em razão do isolamento social. Além disso, com as pessoas passando mais tempo em casa, a demanda por mobilidade diminuiu.

Em 2020, no primeiro ano da pandemia, a venda de carros importados (a maioria deles de luxo) caiu 12,7% em relação a 2019. Em 2021, uma nova retração, dessa vez de 7,4%.

Em 2022, com a reabertura da economia, já é possível ver certa retomada. Em março, embora as vendas tenham caído 32,9% em relação a igual mês do ano passado, apresentaram expansão de 20,9% na comparação com fevereiro.

Vale lembrar, porém, que o setor de veículos de luxo já não vinha em um bom momento antes da pandemia.

Desde a recessão de 2015 e 2016, o segmento tem enfrentado dificuldades para crescer, uma vez que, em momentos de crise ou estagnação econômica, o consumidor de alta renda deixa de ter a troca de carro como prioridade. Ou, se decide trocar, opta por um modelo mais barato.

O segmento de veículos de luxo parte, portanto, de uma base ainda baixa, embora esteja dando sinais de retomada.

A Autostar, porém, é uma empresa que tem operado no azul. Em 2021, teve lucro líquido de R$ 38 milhões e Ebitda de R$ 80 milhões, segundo balanço não auditado.

Compra vem para somar

Ao comprar a Autoestar, a Original estará ampliando a sua capilaridade territorial. A adquirida tem 13 pontos de venda, “considerados entre os mais nobres para a comercialização de automóveis na cidade de São Paulo”, disse a Simpar, no comunicado, de olho na capital que é o principal mercado para veículos de luxo no Brasil.

Com isso, a Original adicionará seis marcas ao portfólio: Holding-Chrysler, Dodge, Ram, Harley Davidson, Triumph e KTM.

Ao todo, a empresa controlada pela Simpar terá 20 marcas de veículos leves e quatro de motocicletas, 60 pontos de venda e presença em 16 municípios, cuja área de atuação representa 44% do PIB do Brasil.

Com a transação, a Original irá adicionar R$ 893,5 milhões em faturamento anual ao seu negócio. Com base em números de 2021, a empresa resultante teria uma receita bruta combinada de R$ 4,2 bilhões, já considerando compras anteriores, como Sagamar e UAB Motors.

Com todas as aquisições somadas, a Original ampliou sua receita em cinco vezes. Antes de comprar Sagamar e UAB, o faturamento anual era de cerca de R$ 800 milhões.

Uma mão lava a outra

Outro ponto importante para a Original, na aquisição da Autostar, é a possibilidade de sinergias e de vendas cruzadas entre os negócios da Simpar.

A Simpar, por exemplo, é dona também da Madre Corretora, de seguros automotivos, e do banco BBC Digital. Naturalmente, a cada venda de veículo feita em uma concessionária, poderá ser oferecido ao consumidor um seguro da Madre e um financiamento do banco.

Além disso, a compra da Autostar traz consigo um negócio de blindagem de carros, a SBR, que faz parte da Autostar. A Simpar, até então, não tinha nenhuma empresa no segmento de blindagem, que poderá fazer negócios com as outras empresas da Simpar.

Com a operação, a Original também cresce em escala. Considerando os números da Autostar, a empresa teria tido, em 2021, uma venda total de 27,5 mil veículos, com um preço médio de R$ 156 mil para os veículos novos e R$ 75 mil para os seminovos.

Deixa com quem sabe

Segundo a Simpar, a Autostar continuará sendo liderada pelo seu fundador, Maurício Portella, que tem expertise no segmento construída ao longo dos últimos 30 anos. O executivo terá 3,1% da Original.

Para ser finalizada, a operação ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da anuência das montadoras parceiras da rede adquirida. Como a aquisição foi feita por uma controlada da Simpar, não é necessária a aprovação em assembleia geral da companhia.

A transação contou com a assessoria da XP Investimentos.

Por volta das 12h35, as ações da Simpar (SIMH3) operavam de lado, a R$ 11,67. Já os papéis da Movida cediam 0,22%, a R$ 17,91.

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