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Aquecendo motores para IPO, Nubank amplia escopo com Olivia e prepara terreno para open banking

Aquecendo motores para IPO, Nubank amplia escopo com Olivia e prepara terreno para open banking

Desde meados da década passada, sistema financeiro brasileiro vem passando por mudanças estruturais. O Nubank é um dos frutos

Após precificação no topo da faixa indicativa, o Nubank (NUBR33) estreou em alta na Bolsa de Valores de Nova York.

Foto: Divulgação

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A poucos dias de sua abertura de capital nos Estados Unidos, o Nubank anunciou a compra da Olivia, startup de inteligência artificial com foco em controle financeiro. 

Desde meados da década passada, o sistema financeiro brasileiro vem passando por mudanças estruturais. O Banco Central (BC) mostrou-se favorável à competição no setor, abrindo caminho para players digitais e disruptivos — entre eles, o Nubank.

Criado em 2013, o banco digital acompanhou esse processo de mudança do cenário brasileiro. Agora, com mais de 40 milhões de clientes, aquece os motores para seu IPO (leia mais aqui) ampliando o escopo de atuação justamente com uma das inovações que estão no horizonte: o open banking. 

A Olivia, por sua vez, foi fundada em 2016, no berço tecnológico mundial: o Vale do Silício. Cristiano Oliveira e Lucas Moraes (da família responsável pelo grupo Votorantim), criadores da startup, colocaram a empresa no mercado há cinco anos nos Estados Unidos, trazendo-a ao Brasil em 2020. 

O valor da Olivia consiste no aconselhamento aos seus usuários sobre como gastar melhor e ter hábitos financeiros saudáveis. No ano passado, a startup diz ter ajudado seus clientes a economizarem R$ 13 milhões.

Para isso, compila integrações bancárias com grandes bancos brasileiros e agentes financeiros relevantes.

A Olivia procura se colocar em uma posição favorável em meio ao desenvolvimento do open banking — ou open finance — no Brasil, encurtando o caminho das instituições na disponibilização de ofertas e de crédito. 

Vale ressaltar, contudo, que a operação ainda está sob escrutínio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A corrida pelos dados bancários

Esperado há anos — sobretudo pelas fintechs –, o open banking caminha para, finalmente, entrar em vigor. Após um adiamento de dois meses, foi dado o pontapé inicial da terceira fase de testes da iniciativa.

As instituições financeiras darão um passo a mais e poderão compartilhar informações sobre serviços de transferência via Pix. 

Open banking (ou, em português, Sistema Financeiro Aberto) trata-se do compartilhamento de dados financeiros de forma padronizada. Com a utilização de uma única plataforma integrada e segura (API), diferentes instituições acessam dados de clientes, podendo oferecer produtos e serviços particularizados.  

A última das fases estipuladas pelo BC está marcada para setembro de 2022, com o compartilhamento de serviços de débito em conta. Mas a corrida por dados bancários já começou.

Em julho deste ano, o PicPay, que já tem mais de 60 milhões de usuários, comprou o Guiabolso, o qual tem seis milhões de clientes e R$ 1 bilhão em crédito concedido por parceiros por meio da plataforma. 

Criado em 2012, o Guiabolso superou um imbróglio judicial com o Bradesco e se reinventou, criando um marketplace de serviços financeiros e se posicionando para as mudanças estruturais do sistema financeiro brasileiro. 

Plataformas acessíveis, que conversem com milhões de clientes conectados, são players invejados por grandes instituições — como já é o Nubank.

A ideia do open banking é fomentar a criação de produtos e serviços sob medida e com preços mais favoráveis às necessidades do cliente, com base nos dados de consumo, renda e transações financeiras. Nada melhor do que empresas da nova economia para liderarem esse processo.

Nubank vai às compras antes de IPO

Essa foi a sexta aquisição do Nubank desde o início do ano passado. 

Em 2020, foi realizada a compra da Easynvest, agora NuInvest, por R$ 2,3 bilhões; e da Cognitect, integrando-a ao time da Plataformatec. Já neste ano, o banco digital comprou a Juntos e a Spin Pay, empresa de soluções de pagamento para o e-commerce.

Essas são tentativas do Nubank de elevar sua receita e melhorar a monetização dos clientes — que se aproximam de 50 milhões. 

No período entre janeiro e junho deste ano, a fintech registrou seu primeiro lucro líquido da história, com um ganho de R$ 76 milhões, revertendo prejuízo de R$ 95 milhões apurado em igual período de 2020.

Consistentemente, a companhia tem dito que preferiu dar prejuízo e continuar crescendo a apresentar resultados positivos nos seus primeiros anos de operação.

A ideia do Nubank é chegar à Bolsa valendo mais de US$ 50 bilhões. Aqui no Brasil, principalmente, o mercado tem se mostrado mais crítico aos papéis do setor bancário, sobretudo aqueles de instituições têm que sua operação voltada ao âmbito digital. 

Desempenho das ações de Inter, BTG e Banco Pan nos últimos 12 meses

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Fonte: TradeMap

Em junho deste ano, a Berkshire Hathaway, holding liderada pelo megainvestidor Warren Buffett, aportou US$ 500 milhões no Nubank em uma rodada de investimentos que somou US$ 1,15 bilhão — a maior já realizada na América Latina.

Agora, porém, os investidores do Nubank acompanharão de perto os números da empresa, esperando que a execução dos projetos traga o tradicional crescimento, mas acompanhado de lucratividade.

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