Notícias vindas do Reino Unido animam as bolsas gringas; saiba a razão

Em discurso, o novo ministro das finanças, Jeremy Hunt, reverteu hoje boa parte das medidas de estímulo à economia da premiê Liz Truss

Foto: Shutterstock/photocosmos1

Empossado no cargo na última sexta-feira (14), o novo ministro de Finanças do Reino Unido, Jeremy Hunt, não perdeu tempo e anunciou hoje a reversão de quase todos os cortes de impostos anunciados por Liz Truss, primeira-ministra, em um momento de economia enfraquecida.

O plano custaria 43 bilhões de libras (o equivalente a R$ 255 bilhões) e não previa medidas de compensação na forma de corte de gastos ou elevação de outros impostos. O cenário de irresponsabilidade fiscal foi mal recebido pelos mercados, com os títulos britânicos em queda e a libra chegando ao menor patamar frente ao dólar desde 1985 no mês passado.

O cenário começou a melhorar somente na última quinta-feira (13), em meio a rumores de que Truss estaria disposta a voltar atrás no pacote. Na sexta, a premiê anunciou a substituição do antigo ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, por Hunt.

Na manhã de hoje, o novo titular fez, em discurso transmitido pela TV, um aceno sob medida para agradar os mercados: praticamente todos os cortes de tributos serão revertidos, e o subsídio para gastos de energia para contribuintes no inverno será reduzido a partir de abril de 2023.

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As bolsas reagiram bem ao anúncio, com o índice FTSE 100, o principal do país, subindo 0,90% e a libra esterlina subindo mais de 2%.

O otimismo contagiou as bolsas americanas: por volta das 16h10 desta segunda, o Dow Jones subia 1,78%, o S&P 500 ganhava 2,54% e o Nasdaq estava em alta de 3,22%.

O que previa o plano de estímulo da premiê Liz Truss?

Em 23 de setembro, Truss e Kwarteng anunciaram um pacote de incentivo com o objetivo de tirar a economia britânica da estagnação. O plano envolvia cortes de impostos totalizando 45 bilhões de libras, sem medidas de compensação, como corte de gastos ou aumento de outros tributos.

Entre as medidas, estão a redução da alíquota máxima do imposto de renda de 45% para 40%, corte em tributos para compra de casas e que o imposto cobrado das empresas britânicas fosse congelado em 19%, em vez do aumento da alíquota a 25%, como estava programado. Truss ainda anunciou um pacote de subsídios à energia elétrica, para ajudar os cidadãos britânicos durante o inverno.

Foram os maiores cortes de impostos desde o orçamento de 1972, que teve efeito inflacionário e é apontado por economistas como um péssimo exemplo.

A consequência foi a forte queda do valor dos títulos britânicos e do valor da libra em relação ao dólar, com o BoE (Banco da Inglaterra) sendo forçado a intervir no mercado, ampliando as compras dos títulos do governo dos papéis indexados à inflação. A iniciativa teve como objetivo conter o impacto das vendas maciças de papeis por fundos de pensão.

O que foi anunciado hoje por Hunt, o novo ministro de finanças?

O ministro reverteu cerca de 32 bilhões de libras em cortes de impostos, do total de 45 bilhões que haviam sido anunciados por Truss.

Hunt anunciou ainda que o plano de subsídio de energia da premiê, que a princípio duraria por dois anos, valerá somente para as famílias britânicas mais pobres a partir de abril do ano que vem.

“Um dever central de qualquer governo é fazer o que for necessário para a estabilidade econômica”, afirmou. “Nenhum governo pode controlar os mercados, mas todo governo pode dar certeza sobre a sustentabilidade das finanças públicas.”

 

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