Após encerrar o pregão de quarta-feira (20) despencando 15,58%, em meio a rumores de um suposto vazamento dos resultados do primeiro trimestre, a Natura (NTCO3) divulgou dados não auditados indicando que a empresa registrou queda tanto na receita quando na margem de lucro no período.
Em comunicado, a Natura disse que na quarta-feira (20) fez uma reunião com analistas para explicar os negócios e as perspectivas da empresa, e acrescentou que o suposto vazamento dos resultados do primeiro trimestre na verdade reflete “as inferências e projeções dos próprios analistas de mercado” a respeito dos dados apresentados durante o encontro.
No mesmo documento, a companhia apresentou os dados preliminares referentes ao primeiro trimestre. Segundo a Natura, a expectativa é apresentar uma receita líquida entre R$ 8,20 bilhões e R$ 8,25 bilhões – o que representa queda de 12,7% a 13,3% em relação aos números do mesmo período de 2021, quanto teve receita líquida de R$ 9,45 bilhões.
A empresa atribui a queda a um “primeiro trimestre de 2021 particularmente forte”, com um aumento de 25,8% na receita líquida em relação ao primeiro trimestre de 2020.
“Também esperamos que a Natura registre uma Margem Ebitda ajustada entre 7,0% e 7,3% em relação aos 10,2% no primeiro trimestre de 2021”, completou o comunicado.
A empresa vê seus resultados pressionados por continuar a enfrentar pressões de custos como resultado do aumento da inflação e dos preços mais altos das commodities, causado principalmente pela guerra na Ucrânia.
Uma das expectativas do mercado para o balanço do primeiro trimestre da Natura está relacionada aos efeitos da guerra na Ucrânia sobre os negócios da companhia, uma vez que duas das marcas da companhia, a The Body Shop e a Aesop, operam com franqueados na Rússia. Além disso, a Avon chegou a suspender exportações da Rússia.
“O cenário geopolítico adiciona novos desafios aos nossos negócios, além das disrupções na cadeia de suprimentos, inflação crescente, novas restrições pandêmicas e dos níveis enfraquecidos de consumo no Brasil, que têm forte impacto no mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos”, admitiu à época o CEO da Natura, Roberto Marques.
O balanço da Natura está previsto para ser divulgado no dia 5 de maio, daqui a duas semanas.