A São Martinho (SMTO3), empresa que deve fazer parte do índice Ibovespa a partir de setembro, reportou aumento na receita e no lucro do trimestre encerrado em junho – o primeiro do atual ano fiscal da companhia -, mas registrou uma expansão significativa nas despesas com operações financeiras no mesmo período.
O lucro da São Martinho aumentou 16,6% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 221,6 milhões.
O resultado foi sustentado principalmente pelo crescimento de 31,9% na receita da empresa, que atingiu R$ 1,7 bilhão. Cerca de dois terços do faturamento vieram das vendas de etanol, segmento cuja margem bruta de lucro atingiu 36,3%. O restante veio do segmento de açúcar, que teve margem bruta de 21,1%.
A margem bruta representa a diferença entre a receita e o custo dos produtos vendidos, dividida pela receita líquida da companhia. Ela mede a rentabilidade das vendas da empresa.
O aumento na receita ocorreu mesmo diante da queda na produção. No primeiro trimestre, a São Martinho produziu 416 mil toneladas de açúcar e 325 mil metros cúbicos de etanol. Estes volumes são 23,7% e 9,0% menores, respectivamente, que no primeiro trimestre do ano anterior. O processamento de cana também caiu – em 10,5%, para 7,8 milhões de toneladas.
“Essa redução reflete principalmente os efeitos das condições climáticas ocorridas ao longo dos períodos – como clima mais seco, além dos efeitos das geadas”, disse a São Martinho em relatório. “Tal efeito não se apresentará ao longo dos períodos seguintes”, acrescentou.
No período, a São Martinho dedicou 56% da cana processada para a produção de etanol – ou 4 pontos porcentuais a mais que no primeiro trimestre do ano anterior. Os outros 44% foram para a produção de açúcar.
O lucro da São Martinho foi prejudicado pelo aumento das despesas com o pagamento de juros sobre empréstimos e financiamentos. Esta linha do balanço cresceu 5,6 vezes no primeiro trimestre, para R$ 178,8 milhões. Com isso, as despesas com operações financeiras triplicaram, para R$ 298,8 milhões.
A empresa atribuiu este crescimento nas despesas ao aumento da taxa básica de juros, a Selic, e da inflação – indicadores que servem como referência para a remuneração dos credores da empresa. O aumento da dívida líquida também contribuiu para as despesas mais altas.