A Klabin, empresa produtora e exportadora de papéis, viu seu lucro aumentar em 35% no segundo trimestre de 2022 e atingir R$ 972 milhões. No mesmo período em 2021, o montante tinha sido de R$ 719 milhões. A companhia atribuiu o avanço aos reajustes de preços em função da alta do valor das matérias-primas.
Essa elevação já havia impulsionado o desempenho da Klabin no primeiro trimestre de 2022, quando a empresa anotou lucro líquido de R$ 875 milhões.
“O aumento dos preços em dólar, combinado à diversificação de fibras e à flexibilidade do mix de vendas da companhia entre geografias, levou a uma sólida geração de caixa operacional”, afirma a Klabin em comunicado sobre os resultados.
O lucro líquido da companhia veio acima das expectativas do BTG Pactual e do Santander. Em relatórios prévios ao balanço, as instituições financeiras esperavam, respectivamente, as marcas de R$ 929 milhões e R$ 450 milhões.
A receita líquida da companhia de papel e celulose atingiu R$ 5,03 bilhões de abril a junho deste ano, um valor 24% maior que o registrado no mesmo intervalo de 2021. O número ficou acima do previsto pelo BTG, que estimava o montante de R$ 4,59 bilhões.
De acordo com a Klabin, os reajustes de preços realizados em todos os negócios ao longo dos últimos trimestres, juntamente com um maior volume de vendas, “permitiram compensar o impacto negativo da valorização do real em relação ao dólar nas exportações, levando ao crescimento da receita líquida no segundo trimestre de 2022”.
Enquanto isso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado aumentou 2% na comparação anual, somando R$ 1,84 bilhão no período.
Esse montante exclui um efeito não recorrente de R$ 147 milhões no período relacionado a um crédito extemporâneo de PIS e Cofins na compra de aparas e de R$ 20 milhões referente ao ganho líquido da venda da fábrica Nova Campina.

Produção, vendas e custo
No segundo trimestre de 2022, o volume de produção de celulose totalizou 419 mil toneladas, valor 1% superior que no mesmo período anterior. “O nível de produção mais elevado é resultado de projetos de desgargalamentos combinados com ganhos de produtividade fabril”, apontou a empresa.
Por sua vez, a produção de papéis, que atingiu 583 mil toneladas no segundo trimestre, foi 6% superior na comparação anual. A Klabin atribuiu o desempenho a um volume incremental de 90 mil toneladas produzidos pela MP27, a primeira etapa do Projeto Puma II, localizado em Ortigueira, no Paraná, que teve um aporte total estimado de R$ 9,1 bilhões.
Com essa produção, o volume de vendas totalizou 1 milhão de toneladas no segundo trimestre de 2022, sendo 7% acima do mesmo período de 2021. “O aumento nas vendas é beneficiado pela alta produtividade da fábrica e sólida demanda principalmente na Europa e Estados Unidos”, afirma a Klabin.

O custo caixa de produção, que não contempla despesas de vendas, gerais e administrativas e é formado apenas pelo montante dispendido na produção de celulose, foi de R$ 1.273 por tonelada, um aumento de 61% em relação ao segundo trimestre de 2021.
As principais razões para o aumento, de acordo com a empresa, estão relacionadas à forte alta nos preços das commodities no período, que acabaram impactando os custos com combustível e insumos químicos, principalmente a soda cáustica.
Já o custo caixa total, que compreende todas despesas da empresa, atingiu R$ 3.059 por tonelada no segundo trimestre de 2022, valor 27% superior ao custo do mesmo período anterior.

Pagamento de dividendos
A companhia também anunciou nesta manhã que fará a distribuição de R$ 399 milhões em dividendos. Segundo o comunicado, os acionistas detentores de ações ordinárias e/ou preferenciais receberão R$ 0,07251721508 por papel. O valor correspondente a cada unit será de R$ 0,36258607540.
O pagamento, referente ao valor do dividendo mínimo obrigatório relativo ao exercício social em curso, será realizado em 11 de agosto. As ações serão negociadas “ex-dividendos” – sem direito ao valor ao pagamento – a partir de 2 de agosto, próxima terça-feira.