Com o aumento dos juros ao longo do último do ano no Brasil, a JSL Logística (JSLG3) viu as despesas financeiras mais do que dobrarem no terceiro trimestre e pressionarem o lucro líquido da companhia, que somou R$ 42,2 milhões no período, queda de 38% no período em comparação a igual intervalo do ano passado, mostra balanço publicado pela empresa na noite desta quinta-feira (3).
Apesar do recuo, o CFO da empresa, Guilherme Sampaio, afirmou, em entrevista à Agência TradeMap, que este foi o “melhor trimestre desde o IPO” para a JSL, que abriu capital em 2010.
O lucro líquido, além disso, ficou acima do previsto pelo BTG Pactual e pela Genial Investimentos, que esperavam ganhos de R$ 37 milhões e R$ 30 milhões, respectivamente.
No terceiro trimestre, a empresa viu sua receita líquida de serviços crescer 37% em relação a igual período do ano passado, para R$ 1,6 bilhão.
Ao mesmo tempo, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) teve avanço de 51% em um ano, ao alcançar R$ 298,9 milhões no período. O montante ficou um pouco acima do projetado pelo BTG Pactual, que previa R$ 294 milhões e em linha com o estimado pela Genial Investimentos.
Já as despesas financeiras, que pesaram no lucro, atingiram R$ 187,1 milhões no período, um salto de 180% frente ao ano passado.
O CFO da empresa atribui o avanço dos indicadores no trimestre à capacidade da empresa de entregar as aquisições feitas desde o ano passado. “As empresas que adquirimos quase ‘dobraram’ de um ano para outro, mostrando que fizemos os investimentos que eram necessários”, afirmou.
De acordo com a companhia, o crescimento da receita bruta das empresas adquiridas no ano passado – TPC, Rodomeu, Marvel, Fadel Holding e Moreno Holding – é de 40% na comparação anual, enquanto só a operação da JSL anterior às aquisições cresceu 27%.

A companhia de logística firmou R$ 590 milhões em novos contratos no trimestre, com um prazo médio de 46 meses e calcula 93% de chance de vender mais de um produto para os novos clientes.
De todos os contratos, 50% são com empresas dos setores de alimentos e bebidas e 25% são de projetos de cargas de alta complexidade.
“Vimos uma indústria automotiva que rodou de forma integral no terceiro trimestre, e isso ajudou bastante o nosso resultado como um todo. Quando olhamos o mix, os dois setores que mais cresceram foram alimentos e bebidas e automotivos, ambos relacionados ao transporte de cargas”, comenta o diretor-financeiro.
Em um relatório anterior ao balanço, a Genial Investimentos apostava justamente nesses dois fatores como impulsionadores dos resultados. “Os nossos clientes buscam uma segurança operacional, e a escala da JSL garante essa segurança ao cliente”, diz o CFO, Guilherme Sampaio.
Para os próximos trimestres, o CFO espera que novas soluções tecnológicas impulsionem os resultados, bem como a agenda de aquisições, que segue firme no radar da empresa. Outro ponto que anima o diretor é a internacionalização da JSL.
Ele cita a entrada das operações na África do Sul, via subsidiária Fadel, que aumentou de 50 para 200 equipamentos o portfólio no país em outubro. Sampaio acredita que essa venda poderá impactar positivamente os resultados de 2023 da empresa.