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Jalles Machado (JALL3) apresenta recuperação de resultados, mas perspectivas dividem analistas

Jalles Machado (JALL3) apresenta recuperação de resultados, mas perspectivas dividem analistas

Potenciais mudanças na tributação de combustíveis são um dos pontos de atenção

Trator colhendo cana de açúcar em plantação

Foto: Shutterstock

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Os resultados da produtora de açúcar e etanol Jalles Machado (JALL3) para a safra 21/22, publicados na noite de segunda-feira (13), mostram recuperação em relação à divulgação anterior, com alta anual de 18% em vendas, 15% na receita e 12% no Ebitda ajustado. Ainda assim, as perspectivas para a companhia no curto prazo dividem os analistas.

Mesmo que apresentem alta em relação aos resultados do ano anterior, as vendas de R$ 376 milhões ficaram 7% abaixo do que o esperado por analistas do BTG Pactual, devido a volumes de venda de açúcar e etanol também abaixo do previsto.

O Ebitda ajustado, por sua vez, ficou 19% aquém da estimativa do BTG e 20% abaixo do que esperava o Bank of America (BofA), devido a preços menores de etanol e volumes menores de açúcar, diz o BofA.

Projeções dividem analistas

Além dos resultados da última safra, a Jalles Machado também divulgou novas projeções para a safra 22/23. Entre os principais números estão o volume de moagem de cana, esperado entre 5,2 milhões e 5,35 milhões, com produtividade entre 90 e 93 toneladas por hectare. Essa métrica, segundo o BTG, pode desapontar o mercado, pois representa queda em relação à média de 95 toneladas por hectare dos últimos três anos.

A companhia também apresentou projeção para a produção de açúcar e etanol, de 760 mil toneladas no ponto médio do intervalo, alta de 3% ano a ano.

Um ponto destacado pelo BTG é que a companhia parece estar apostando em uma participação maior do etanol no mix de produtos, entre 55% e 58%, contra 53% no ano passado. Na visão do banco, isso pode mudar a depender dos acontecimentos envolvendo as propostas de redução de impostos sobre combustíveis.

Considerando os números da safra 21/22 e as projeções para os próximos resultados, os analistas do BTG seguem otimistas com a empresa. “Continuamos a ver a Jalles como um dos players mais eficientes para capturar os fundamentos favoráveis do mercado de açúcar e etanol”, escrevem os analistas, em relatório distribuído nesta terça-feira (14).

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O BTG menciona ainda, como pontos que jogam a favor da companhia, o fato de ela ser menos impactada do que seus pares pela alta de custos de fertilizantes, devido à maior produção de cana de açúcar orgânica, e de não ter sofrido impacto das secas que afetam outras produtoras do Brasil.

Na análise do BofA, porém, o fato de a companhia não estar exposta aos preços à vista (spot) do açúcar, devido a sua prática de operar com hedges longos e ao fato de ter exposição maior do que seus pares ao açúcar orgânico, pode limitar sua capacidade de surfar o bom momento da indústria.

Outro ponto que torna as perspectivas para a Jalles Machado nebulosas, diz o BofA, é o ambiente regulatório incerto, em meio a discussões sobre mudanças na política de impostos sobre gasolina e etanol. Nesse sentido, o BTG acredita que a companhia pode ser capaz de compensar parcialmente esses efeitos, devido a sua exposição ao açúcar branco e orgânico.

O BofA cita ainda os custos crescentes de produção, de maquinário e de arrendamento de terras como principais pontos de preocupação daqui para frente. Além disso, o Capex projetado pela empresa, 60% acima das expectativas do banco, também é motivo de cautela.

Avaliação das ações

Assim, apesar de reconhecer que o curto prazo possa ser turbulento, o BTG segue otimista com a companhia no longo prazo e recomenda a compra da ação, com preço-alvo de R$ 16, o que corresponde a uma alta de 74% em relação ao valor das ações no fechamento de segunda-feira, de R$ 9,17.

O BofA, por sua vez, reitera a classificação de underperfom (performance abaixo da média do mercado) para o papel, com preço-alvo de R$ 10 – potencial de alta de apenas 9%.

De acordo com dados da Refinitiv disponíveis no TradeMap, de seis instituições financeiras consultadas, cinco recomendam a compra da ação, enquanto uma indica a venda do papel. A mediana de preços-alvo dos analistas é de R$ 15,50, o que representa alta de 69%.

Gráficos com análises de especialistas sobre as ações da Jalles Machado
Fonte: TradeMap

Os principais fatores que podem fazer com que a ação tenha uma performance melhor do que a projetada, segundo o BofA, são preços acima do esperado para açúcar e etanol; aumento de produtividade; depreciação do real; alta na demanda e na produção de açúcar orgânico; baixa nos custos de arrendamento; desenvolvimento do negócio de etanol industrial; renovação dos benefícios fiscais; e potenciais atividades de fusão e aquisição.

Na direção oposta, os principais pontos que podem pesar sobre o papel são quedas nos preços do açúcar e do etanol; alta nos custos de arrendamento; interrupções na produção devido a condições climáticas; apreciação do real; reversão de benefícios fiscais e M&As dilutivos.

Por volta das 16h50 desta terça, a ação era negociada em baixa de 4,36%, a R$ 8,77.

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