O ressegurador IRB (IRBR3) confirmou na noite de quinta (1) que levantou R$ 1,2 bilhão na sua oferta de ações, e que os novos papéis foram vendidos a R$ 1 cada.
Com isso, cada ação saiu com um desconto de 28,5% em relação ao fechamento da quinta-feira (1), que foi de R$ 1,40. Vale ressaltar que, quando a oferta foi anunciada na semana passada, o papel do IRB Brasil era avaliado a R$ 2.
Na prática, o resultado desse follow-on foi menos pior do que o esperado. Isso porque o IRB queria levantar esses R$ 1,2 bilhão, mas estava disposta a emitir até 1,8 bilhão de ações para chegar a este montante. Ou seja: na prática, o menor preço que poderia ser atingido era de R$ 0,67.
Agora, o novo capital social do IRB é de R$ 5,45 bilhões, com 2,46 bilhões de ações ordinárias. As novas ações emitidas serão negociadas na B3 a partir do dia 5 deste mês. O IRB precisou realizar esse aumento de capital para se adequar a exigências da Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão regulatório do setor.
Na avaliação do analista CNPI da Agência TradeMap, Jader Lazarini, mesmo se reenquadrando nos critérios da Susep, as condições do mercado ainda não favorecem a empresa no curto e médio prazos. “Isso não impede uma nova oferta daqui alguns trimestres caso o lucro não apareça”, comenta em análise.
O prejuízo do IRB Brasil atingiu R$ 373,3 milhões no segundo trimestre deste ano, o que mostra um crescimento de 80,4% na comparação com o mesmo trimestre de 2021.
A empresa explicou, via balanço divulgado em meados de agosto, que as condições climáticas desfavoráveis causaram quebras de safra importantes, que resultaram em sinistros de grande volume para os produtores rurais, e, consequentemente, para as seguradoras e resseguradoras.
Com isso, o índice de sinistralidade do IRB – que mede o quanto a empresa gasta com os seguros em relação ao que ela arrecada dos segurados – atingiu 124,2% no segundo trimestre de 2022, uma alta de 28,5 pontos percentuais (p.p.) na comparação com mesmo trimestre de 2021.