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Inflação nos EUA derruba bolsas pelo mundo e também atinge Ibovespa; Eletrobras (ELET3) também pesa

Inflação nos EUA derruba bolsas pelo mundo e também atinge Ibovespa; Eletrobras (ELET3) também pesa

O principal medidor de inflação nos EUA avançou 1% em maio, acima do esperado pelo mercado e causou volatilidade nos mercados

Gráfico de ações

Foto: Shutterstock

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A alta maior que a esperada no índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos trouxe um mau humor generalizado para os índices acionários de todo o mundo, incluindo o Ibovespa, que caía 1,25% por volta das 13h25, a 105.747 pontos.

O CPI, como é chamado o principal medidor de inflação nos EUA, acelerou o ritmo de alta em maio para 1%, de 0,3% em abril, e mexeu com as expectativas dos investidores para os juros americanos.

Segundo dados do CME Group, os investidores agora veem mais de 50% de chance de a taxa básica do país passar de 2% em julho. Antes, a aposta majoritária era de que ela ficasse abaixo deste nível. Atualmente os juros dos EUA operam na faixa de 0,75% a 1,00% ao ano.

A maior preocupação dos investidores é de que um aumento acelerado nos juros eleve também a probabilidade de uma recessão por lá, com consequências negativas para outras economias.

Com isso, empresas mais sensíveis aos juros — aquelas ligadas ao consumo, varejo e tecnologia, recuam com mais intensidade nesta sexta. Americanas (AMER3) puxava a fila e caía 8,16%, seguida por Yduqs (YDUQ3 -4,20%), Embraer (EMBR3 -4,30%), Positivo (POSI3 -4,08%) e Totvs (TOTS3 -3,82%).

“A inflação nos Estados Unidos preocupa porque isso atinge diretamente a política monetária do Federal Reserve. Ao longo da semana a Janet Yellen [secretária de Tesouro dos EUA] já havia avisado que possivelmente o CPI viria forte”, aponta Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus. “E o dado veio até mais forte do que o mercado esperava, o que aumentou a busca por segurança”.

A divulgação do aumento mais intenso de preços também mexeu com a curva de juros por aqui. o que também acaba pressionando essas empresas. Segundo dados retirados da plataforma do TradeMap, todos os contratos para juros futuros — 2022, 20224, 2025 e 2028, apresentavam subida nesta sexta. Veja o quanto:

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Caso a queda do Ibovespa se mantenha até o final do pregão, será a sexta sessão consecutiva de perdas. Nesta semana, o índice foi pressionado por diversos fatores ao longo dos dias.

Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos, cita “uma pressão global em combustíveis, novas medidas de isolamento na China, dados de inflação, aqui e lá fora e o consequente impacto na política monetária dos bancos centrais” como fatores negativos para a Bolsa nos últimos dias.

Eletrobras cai após concluir privatização

Os papéis preferenciais (ELET6) e os ordinários (ELET3) da mais nova empresa privada brasileira estavam entre as maiores baixas do Ibovespa nesta sexta, com recuos de 5,51% e 3,95%, respectivamente.

Na quinta, a companhia registrou demanda suficiente pelas novas ações da companhia e foi adiante em seu processo de privatização. Foram vendidos 802 milhões de papéis na operação, a R$ 42 cada – um desconto de 2,5% em relação ao preço de fechamento de quinta -, movimentando cerca de R$ 33,7 bilhões.

Veja mais:

Eletrobras (ELET3) emplaca privatização com ação vendida a R$ 42 e movimenta R$ 33,7 bilhões

A venda das novas ações e da parcela detida pelo BNDES na Eletrobras reduz a participação do governo na companhia de 69% para cerca de 40%, passando o controle acionário da empresa para o setor privado. A União, no entanto, ainda terá poder de veto sobre algumas decisões.

A demanda por ações da Eletrobras recebeu um impulso relevante de investidores que decidiram usar recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para comprar os papéis da companhia.

Cerca de 370 mil pessoas fizeram a opção por usar dinheiro do Fundo na operação via Fundos Mútuos de Privatização – FGTS, segundo informou uma fonte com conhecimento da oferta à Agência TradeMap.

As poucas altas do dia

Na ponta positiva, Qualicorp (QUAL3) subia 4%, JBS (JBSS3) ganhava 0,84%, Marfrig (MRFG3) crescia 0,59% e Iguatemi (IGTI11) apontava em 0,50% para cima.

A primeira acompanha as decisões judiciais acerca da não-obrigatoriedade dos planos saúde em cobrirem procedimentos médicos que não estão previstos em lista da Agência Nacional de Saúde (ANS).

O STJ (Supremo Tribunal de Justiça) suspendeu no dia 8 esse tipo de ação, o que fez os papéis de companhias ligadas ao setor subirem na Bolsa na quinta (9).

Bolsas internacionais

Fora do Brasil, o movimento também é de queda, na medida que os investidores repercutem o aumento da inflação nos EUA e no comunicado de quinta do Banco Central Europeu (BCE), que afirmou que aumentará os juros no continente a partir do segundo semestre.

Confira o desempenho dos principais índices globais nesta sexta:

Dow Jones/EUA: -2,46%

S&P 500/EUA: -2,85%

Nasdaq/EUA: -3,56%

Euro Stoxx 50/Zona do Euro: –2,61%

DAX/Alemanha: -2,87%

FTSE 100/Reino Unido: -2%

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