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Eletrobras (ELET3) emplaca privatização com ação vendida a R$ 42 e movimenta R$ 33,7 bilhões

Eletrobras (ELET3) emplaca privatização com ação vendida a R$ 42 e movimenta R$ 33,7 bilhões

Operação de venda de ações da Eletrobras movimenta cerca de R$ 33,7 bilhões e afasta governo federal do controle da companhia

logotipo da Eletrobras

Foto: Salty View / Shutterstock.com

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A Eletrobras (ELET3) registrou demanda suficiente pelas novas ações da companhia e foi adiante em seu processo de privatização. Foram vendidos 802 milhões de papéis na operação, a R$ 42 cada – um desconto de 2,5% em relação ao preço de fechamento de quinta-feira (9) -, movimentando cerca de R$ 33,7 bilhões.

A venda das novas ações e da parcela detida pelo BNDES na Eletrobras reduz a participação do governo na companhia de 69% para cerca de 40%, passando o controle acionário da empresa para o setor privado. A União, no entanto, ainda terá poder de veto sobre algumas decisões.

A demanda por ações da Eletrobras recebeu um impulso relevante de investidores que decidiram usar recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para comprar os papéis da companhia.

Cerca de 370 mil pessoas fizeram a opção por usar dinheiro do Fundo na operação via Fundos Mútuos de Privatização – FGTS, segundo informou uma fonte com conhecimento da oferta à Agência Trademap.

Foram criados 21 fundos dessa categoria para participar da capitalização da Eletrobras, cujas taxas de administração variam de zero a 0,40% ao ano. Essas carteiras atraíram cerca de R$ 9 bilhões de demanda.

Como há até R$ 6 bilhões na oferta reservados para esses fundos, deve ocorrer rateio entre os investidores que entraram via FMP.

O mercado aguardava a privatização da companhia por acreditar que ela trará benefícios à empresa no longo prazo.

O primeiro aspecto que muda é o fato de a Eletrobras se tornar uma corporation, sem controlador definido, o que tende a melhorar a governança.

Críticos da permanência da empresa sob o controle estatal apontam que a empresa foi usada anteriormente para simular concorrência em leilões de energia e para garantir apoio político no Congresso.

Outro fator que a privatização deve melhorar é o aumento dos recursos da companhia para investir. Segundo um estudo realizado pelo MME em 2019, altos investimentos são necessários para que a empresa se mantenha relevante no mercado energético.

À época, o ministério mostrou que a Eletrobras poderia investir R$ 14 bilhões para manter-se competitiva, mas até 2023 a capacidade de investimento estava em R$ 3,6 bilhões.

Durante 2011 e 2016, em meio aos prejuízos de 2012 e 2016, a média anual de investimento da empresa foi de R$ 10,2 bilhões.

O desenvolvimento da empresa é necessário mesmo com a Eletrobras em uma posição premium no mercado gerador do Brasil. São 50,49 mil MW de capacidade instalada, o equivalente a 28% do país.

Na comparação setorial dentre as geradoras de energia, a Eletrobras é uma das empresas com menor proporção de dívida em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Com a privatização, é esperado que essa relação diminua ainda mais.

Este otimismo com a companhia se refletia nas recomendações de especialistas para as ações da empresa. Todas as quatro instituições financeiras consultadas pela Refinitiv recomendavam a compra dos papéis.

Além disso, quase todas elas esperavam uma valorização ainda maior das ações da Eletrobras, que em 2022 já acumulam alta de 31,2%.

Fonte: TradeMap

A privatização da Eletrobras foi uma das propostas apresentadas na campanha na eleição do presidente Jair Bolsonaro.

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