Inflação e juros voltam a preocupar investidores e ações caem no exterior

Dados sobre preços na Alemanha e comentários de autoridades sobre juros nos EUA desanimaram investidores

Foto: Shutterstock

Se ao longo dos últimos 30 dias o mercado mundial criou expectativas de recuperação nos preços das ações, esta sexta-feira (19) mostra que a arrancada das bolsas, se vier, será interrompida mais algumas vezes por receios com a inflação e a tendência de alta nos juros.

Depois de subir 4,5% desde meados de julho, o índice Euro Stoxx 50, que reúne as principais ações europeias, recuava 0,7% hoje, por volta das 8h30. O motivo para o declínio foram dados de inflação divulgados na Alemanha.

Os preços ao produtor do país subiram 5,3% em julho na comparação com o mês anterior. Segundo a Cantor Fitzgerald, empresa de serviços financeiros, a previsão do mercado era uma alta de 0,5%. Em relação a julho do ano anterior, a alta foi de 37,2% – também superior à projeção dos especialistas, de 31,5%.

“Esta leitura vai aumentar ainda mais as expectativas de altas de juros mais agressivas por parte do Banco Central Europeu no restante do ano, com uma elevação de 0,50 ponto porcentual estimada para a próxima reunião, em 8 de setembro”, disse a Cantor Fitzgerald em um relatório.

A alta de juros tende a ser má notícia para os mercados de ações. Com taxas maiores, a renda fixa costuma ganhar apelo entre os investidores em detrimento da renda variável. Além disso, juros mais altos encarecem os financiamentos das empresas, aumentando despesas e reduzindo o volume de recursos para investimento e remuneração dos acionistas.

Fora da Europa, a alta de juros também preocupa. Ontem, duas autoridades do banco central dos Estados Unidos que participam da decisão sobre as taxas do país indicaram que estão inclinadas a defender uma política monetária mais restritiva.

A primeira delas foi o presidente do Federal Reserve de Saint Louis, James Bullard. Conhecido por defender medidas rigorosas contra a inflação, ele disse estar inclinado a votar por um aumento de 0,75 ponto porcentual nos juros americanos em 21 de setembro. Também foi favorável a subir os juros rapidamente – em vez de gradualmente – e disse que a inflação nos Estados Unidos ainda não bateu no teto.

Esta avaliação é particularmente preocupante porque os investidores ficaram aliviados na semana passada quando o governo do país divulgou que os preços da economia americana ficaram estáveis em julho ante junho. A lógica foi que, se a inflação estava perdendo força, o banco central não precisaria aumentar os juros com tanta avidez.

No entanto, além de Bullard, a presidente do Federal Reserve de Kansas, Esther George, também apresentou ressalvas em relação ao indicador. Segundo ela, a leitura mais recente dos dados sobre a inflação “dificilmente é confortante” e mais altas de juros serão necessárias.

Diante disso, o S&P 500, um dos principais índices acionários dos Estados Unidos, também deve ter uma sexta-feira difícil. No mercado futuro, recuava cerca de 1,0% por volta das 8h50. Isso depois de acumular alta de 8,8% desde meados de julho.

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