Ibovespa segue exterior e cai; Magazine Luiza (MGLU3) e varejistas desabam de olho na curva de juros

Por outro lado, dentre as ações do índice, as maiores altas eram de Marfrig (MRFG3) e papéis defensivos

Foto: Shutterstock/Immersion Imagery

O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (16), num movimento que acompanha a baixa dos mercados internacionais tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

Dentre as ações do índice, as maiores baixas ficam com as ações mais sensíveis aos juros, como Magazine Luiza (MGLU3), Americanas (AMER3) e Natura (NTCO3), que caem 5,77%. 5% e 4,72%, respectivamente.

No mesmo sentido, por volta de 13h25, o Ibovespa perdia 1,05% e operava aos 102.672 pontos.

Isso porque os investidores monitoram riscos externos, principalmente em relação à economia americana, além das preocupações internas, que dizem respeito ao adiamento da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) na Câmara dos Deputados, possibilidade de votação da Lei das Estatais no Senado só em 2023 e o julgamento do orçamento secreto no STF (Supremo Tribunal Federal).

Com isso, aumento a pressão nos contratos futuros de juros futuros. Segundo dados da plataforma do TradeMap, a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2026 subia 0,15 p.p (ponto percentual), a 13,60%. Já o vencimento de janeiro de 2028 avançava 0,12 ponto, a 13,45%.

Ainda dentre as principais baixas, ações ligadas ao petróleo recuavam na esteira da baixa do barril da commodity. A Prio (PRIO3) tinha baixa de 2,15% e a 3R Petroleum (RRRP3) se desvalorizava 1,77%.

Já o barril do Brent, que serve como referência no mercado internacional, operava em queda de 2,7% no mercado futuro da ICE, cotado a US$ 79.

O desempenho negativo do Ibovespa também é causado por uma baixa nas ações de mais peso no índice. A Vale (VALE3) e os dois papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuavam, respectivamente, 2,34%, 2% e 2,05%.

Ademais, dentre as maiores quedas do dia, Braskem (BRKM5) perdia 4,13%, Cyrela (CYRE3) recuava 3,95% e MRV (MRVE3) apontava em 3,33% para baixo.

Nesta quinta-feira (15), a petroquímica sofreu um “rebaixamento” pelos analistas do UBS BB, que deixaram de recomendar a compra do papel e agora têm uma visão neutra para a companhia, segundo relatório distribuído a clientes.

A piora na recomendação foi acompanhada de uma redução na estimativa de preço-alvo, que caiu quase pela metade. Antes, a expectativa do banco era que a ação da Braskem chegasse ao patamar de R$ 50, mas agora é de R$ 30.

Altas do pregão

Na ponta positiva, a ação da Marfrig (MRFG3) liderava as altas, com um avanço de 3,93%. Na sequência, Dexco (DXCO3) ganhava 3,72% e Banco do Brasil (BBAS3) subia 1,44%.

A Dexco informou mais cedo que irá emitir 76.096.295 novas ações com custo atribuído de 13,14 reais por papel. Esse valor traz um bônus de cerca de 10% em relação ao preço atual da ação.

Empresas que atuam no setor elétrico avançavam em bloco, sendo que Cemig (CMIG4) ganhava 1,97% e Energias do Brasil (ENBR3) avançava 1,57%, dentre as principais altas do Ibovespa.

Mais cedo, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) iniciou mais um leilão de transmissão para a construção de aproximadamente 710 quilômetros de linhas de transmissão e 3.650 mega-volt-ampéres (MVA) em capacidade de transformação de subestações.

Cenário internacional

Os índices acionários europeus e americanos operam em baixa nesta sexta, com os investidores repercutindo as decisões recentes de política monetária.

Além disso, o mercado voltou a ficar temeroso com um risco de recessão nos dois continentes. Nos Estados Unidos, as vendas do varejo contraíram 0,6% em novembro na comparação com outubro ante uma queda de 0,3% esperada pelo mercado.

“Os dados mais fracos que o esperado sugerem que a inflação pode estar afetando os consumidores e a economia desacelerando”, avaliou a XP, em relatório.

Na Europa, o Banco Central Europeu elevou a taxa de juros em 50 pontos-base e sinalizou que começará a redução de seu balanço a um ritmo de 15 bilhões de euros por mês a partir de março de 2023.

Ainda em solo europeu, a inflação ao consumidor da zona do euro registrou uma variação de 10,1% nos últimos 12 meses, levemente acima das expectativas de 10%. 

Compartilhe:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.