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Ibovespa se divide entre empresas de commodities e preocupações fiscais e opera perto de zero

Ibovespa se divide entre empresas de commodities e preocupações fiscais e opera perto de zero

Às 13h30, o Ibovespa subia 0,04%, aos 110.277 pontos

Gráfico de ações com uma lupa

Foto: Shutterstock

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Instável, o Ibovespa opera com volatilidade nesta terça-feira (7), com empresas de maior peso como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) segurando o principal índice da B3, enquanto companhias de tecnologia, varejo e outros setores ligados à economia doméstica quase todo no vermelho.

Do lado negativo, pelo segundo dia consecutivo, as quedas repercutem a alta na curva de juros. Se ontem os dados de emprego pressionaram o índice, desta vez, o temor de inflação global é quem preocupa os investidores, prejudicando a performance de empresas sensíveis aos juros.

Às 13h30, o Ibovespa subia 0,04%, aos 110.277 pontos, com Cielo (CIEL3), Grupo Soma (SOMA3) e Totvs (TOTS3) figurando na ponta negativa com quedas de 4%, 3,51% e 3,63%, respectivamente.

A curva de juros, por sua vez, é pressionada pelos temores de mais aperto monetário pelo mundo após a Austrália elevar sua taxa de juros em 50 pontos-base, acima da expectativa dos analistas. Esse movimento faz com que os pares internacionais recuem em bloco.

Segundo dados retirados da plataforma do TradeMap, os contratos para juros com vencimento em julho de 2023, julho de 2025 e janeiro de 2028 subiam nesta segunda-feira cerca de 4, 13 e 17 pontos-base na comparação intradia, nesta ordem.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Juros mais altos inibem o consumo ao encarecer o crédito, embora aumente a remuneração de quem poupa. Contudo, nesse processo, empresas que dependem de consumo da população ou de dinheiro para crescer, acabam se prejudicando.

Além delas, Banco Inter (BIDI11) caía 3,33%, Via (VIIA3) perdia 2,97%, Multiplan (MULT3) recuava 3% e Raia Drogasil (RALD3) desvalorizava 2,56%. A última liderou as altas do pregão desta segunda-feira após o JP Morgan anunciar que aumentou a participação acionária na companhia, atingindo 5,11% da rede de farmácias. Anteriormente, o banco possuía 4,96% da companhia.

Commodities nas altas do dia

“Quem segura o índice é Petrobras e Vale”, avalia Marcelo Boragini, especialista de renda variável da Davos Investimentos. No caso da mineradora, que sobe 2,12%, o especialista vê a companhia impulsionada pela alta recente do preço do minério de ferro na China.

Na bolsa de Dalian, na China, a tonelada da commodity é negociada por 928,50 iuanes, o equivalente a US$ 139,35. Além disso, Boragini vê a reabertura chinesa beneficiando a empresa. O gigante asiático terminou seu processo de reabertura das principais cidades, que permaneceram fechadas por algumas semanas por conta de lockdowns para conter a Covid-19.

A maior subida do dia fica por conta da Petrobras (PETR4), que sobe 2,08%. A empresa é beneficiada pela proposta do governo de reduzir a tributação do ICMS dos combustíveis o que, segundo alguns analistas de mercado, não impactaria a política de paridade de preços internacionais da petrolífera.

“Essa proposta do ICMS é positiva para a Petrobras porque não gera impacto e interferência da empresa”, comenta Boragini, da Davos.

O UBS-BB divulgou um relatório afirmando que se a medida for adotada, reforçaria a ideia de que “não há interferências externas na Petrobras, apesar do barulho”. O “barulho”, neste caso, foram as decisões do governo para trocar o comando da estatal na tentativa de alterar a política de preços para os combustíveis.

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Na ponta positiva, ainda constavam Suzano (SUZB3), que tinha alta de 1,85% e CVC (CVCB3), com valorização de 1,17%. A segunda divulgou na noite de ontem uma prévia operacional mostrando que em maio, o valor de reservas confirmadas foi o maior desde janeiro de 2020 – período que antecedeu a chegada da Covid-19 no Brasil.

De acordo com os dados, no mês passado, as reservas confirmadas somaram R$ 1,4 bilhão, ou 19% a mais do que os R$ 1,2 bilhão observados em abril. Somados, os números já ultrapassam todo o valor de reservas confirmadas no segundo trimestre do ano passado, de R$ 1,7 bilhão.

De acordo com a CVC, esse crescimento nas reservas deve-se a uma retomada da demanda por viagens de turismo e de eventos corporativos, flexibilização de restrições de mobilidades para viagens nacionais e internacionais, reabertura da temporada de cruzeiros, retomada de eventos culturais e por uma ampliação na oferta de voos exclusivos.

Além dos mercados acionários, o especialista da Davos Investimentos vê os investidores de olho na reunião envolvendo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e governadores nesta noite para debater acerca do ICMS. “O mercado também está de olho na divulgação do IPCA na quinta-feira, na inflação na China, no mesmo dia, e no aumento de preços nos EUA, que será divulgado na sexta-feira”, acrescenta.

Mercados do exterior

Nas bolsas pelo mundo, o movimento também é negativo, refletindo uma elevação acima do esperado de 50 pontos-base na taxa de juros da Austrália, o que acabou deixando um temor no ar sobre um aperto ainda maior da política monetária global.

Nos Estados Unidos, a secretária do Tesouro do país e ex-presidente do Fed (o banco central americano), Janet Yellen, vai falar mais tarde ao Congresso americano e deve ser indagada com perguntas sobre este tema, principalmente depois de dizer que errou a previsão sobre como os preços se comportariam.

Por lá, as bolsas operavam em bloco no negativo — Dow Jones caía 0,15%, S&P 500 perdia 0,15% e o Nasdaq Composto recuava 0,12%. Na Europa, o movimento era igual. Perto do fechamento, o Dax desvalorizava 0,66%, o FTSE 100 descia 0,12% e o Euro Stoxx 50 apontava em 0,28% para baixo.

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