No primeiro pregão da segunda semana do ano, o Ibovespa opera instável digerindo os protestos antidemocráticos vistos em Brasília neste domingo (8) e a alta das bolsas americanas.
Com isso, por volta de 13h10, o principal índice da B3 operava em baixa de 0,02%, aos 109.007 pontos.
Dentre os papéis que compõe o índice, o papel da Hapvida (HAPV3) recuava 7,63% e liderava as perdas. Na sexta, a ação já havia recuado mais de 1%, após o J.P Morgan rebaixar a recomendação da empresa para uma posição neutra.
Segundo a Reuters, os analistas Joseph Giordano e Estela Strano enxergam “ventos contrários mais fortes ao crescimento e à lucratividade da Hapvida”, citando, por exemplo, que o mercado de trabalho provavelmente mais fraco no meio do ano deve prejudicar a expansão da base de membros.
Na sequência de baixas, o papel da Qualicorp (QUAL3) recuava 3,89%, enquanto Eztec (EZTC3) perdia 2,52% e a São Martinho (SMTO3) estendia as perdas da última semana e se desvalorizava 1,55%.
“Tanto é que vemos ações de bancos num cenário negativo, em linha com os problemas locais”, destaca João Abdouni, analista da INV. Bradesco (BBDC4) recuava 1,44%, Itaú (ITUB4) perdia 0,10% e Banco do Brasil (BBAS3) apontava em 1,23% para baixo.
Medo e delírio em Brasília
Na tarde de ontem, manifestantes que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro realizaram atos terroristas na Praça dos Três Poderes em Brasília. O grupo depredou, invadiu e saqueou a Câmara dos Deputados e o prédio do STF (Supremo Tribunal Federal), além do próprio Palácio do Planalto.
Na visão de Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos, os acontecimentos aumentam a percepção do nível de risco dos ativos perante o mercado. “A existência real de uma maior instabilidade política contribui para piorar nossa reputação perante o mundo”.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, 300 pessoas foram detidas durante a ação policial para conter milhares de manifestantes que invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o prédio do STF.
O combate aos invasores começou de forma tardia, com as autoridades do governo reconhecendo que houve falha na segurança. O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, foi exonerado do cargo após o incidente. Antes de ocupar o cargo, ele havia sido ministro da Justiça do ex-presidente.
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Apesar de novos protestos violentos e antidemocráticos poderem pesar nos mercados no curto prazo, o foco dos investidores continua sendo nas questões macroeconômicas, aponta o banco suíço Julius Baer, em relatório.
“Dada a forte cobertura da mídia internacional sobre os tumultos, esperamos que os investidores estrangeiros reduzam um pouco seu otimismo”, destacou o banco.
Altas do pregão
Na ponta positiva, a Totvs (TOTS3) subia 4,46%, a Americanas (AMER3) avançava 3,75%, a BRF (BRFS3) se valorizava 3,24% e a Prio (PRIO3) tinha alta de 1,98%.
A petrolífera acompanha a alta do petróleo tipo Brent no mercado externo. A commodity opera em alta diante da iniciativa chinesa de abandonar os controles de fronteira pandêmicos no fim de semana, aumentando a expectativa de demanda pelo óleo e afastando temores sobre a possibilidade de uma recessão.
“Isso provavelmente resultará em um impulso para a atividade econômica do país, o que teria um impacto mais amplo, dada a importância da China como motor de crescimento regional e como um mercado-chave para os exportadores europeus”, disse a XP, em relatório matinal.
No mercado futuro da ICE, o barril do Brent avançava 3,19%, cotado a US$ 81.
Bolsas internacionais
No exterior, os principais índices acionários dos Estados Unidos e da Europa avançam nesta segunda, impulsionados justamente por essa reabertura chinesa.
Nos EUA, a pesquisa do setor de manufaturas ISM, registrou 49,6 pontos em dezembro, o menor valor desde 2020, indicando que a economia americana pode estar desacelerando.
Somado a isso, o payroll, relatório de empregos do país divulgado na sexta-feira (6) animou o mercado após mostrar que a inflação de salários está diminuindo.
O salário médio por hora anual de dezembro ficou em 4,6%, abaixo dos 5% esperados pelo mercado e dos 4,8% revisados prévios.
Veja como estavam os principais mercados globais nesta segunda: