Ibovespa ignora ‘ressaca do Fed’ e sobe 0,45%; Petrobras (PETR4) em alta ajuda a segurar o índice

Por volta das 13h20 o principal índice da B3 se descolava dos pares internacionais, aos 112.822 pontos

Foto: Shutterstock

Após iniciar o pregão entre o positivo e o negativo, o Ibovespa se firmou no azul no primeiro pregão da semana, com os investidores ainda repercutindo o tom duro do Federal Reserve (o banco central americano) na semana passada e os sinais de que a alta dos juros já está impactando o mercado de trabalho brasileiro.

Por volta das 13h20, o principal índice da B3 registrava alta de 0,45%, aos 112.822 pontos. O Ibovespa se descola da queda generalizada dos pares globais, amparado pela alta das ações de petróleo na esteira de valorização da commodity no mercado internacional.

O ritmo de criação de empregos no Brasil desacelerou em julho, com a economia criando 218,9 mil postos de trabalho com carteira assinada, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta segunda-feira (29). Em junho, haviam sido criadas 278,7 mil vagas formais no país.

Para Larissa Quaresma, analista da Empiricus, o resultado indica que a alta dos juros promovida pelo BC desde o ano passado já reflete nas atividades econômicas.

O resultado dá força para o otimismo dos investidores na renda variável por sinalizar que o movimento de alta dos juros deve ser encerrado no atual patamar de 13,75% ao ano.

“Os dados de emprego vieram positivo, mas abaixo do esperado. Isso significa que o nosso Banco Central não pode ser mais agressivo na alta dos juros”, explica Quaresma.

Saiba mais:
Caged: Brasil cria 218,9 mil empregos com carteira em julho; salário de admissão sobe

Do lado positivo, o destaque são as petrolíferas, que repercutem a manutenção da pressão sobre os preços do petróleo. O contrato futuro do barril do tipo Brent, usado como referência no mercado internacional, tinha alta de 2,1% na Bolsa de Londres, cotado a US$ 101,07.

O movimento espelha as recentes declarações da Opep+, o grupo dos maiores exportadores de petróleo, sobre cortes na produção para lidar com as perspectivas mais desafiadoras para a economia global.

As ações da 3R Petroleum (RRRP3) estava entre as mais altas da Bolsa, com 3,45%, com as da Prio (PRIO3), que subiam 4,56%. As ações da Petrobras também eram destaques, com alta de 2,11% para as ações ordinárias (PETR3), e 2,53% para as preferenciais (PETR4).

Ainda no pelotão de cima do Ibovespa, destaques para as altas do Banco Pan (BPAN4), MRV (MRVE3) e Vibra (VBBR3), com altas de 6,83%, 3,72% e 3,42%, respectivamente.

Mineradoras caem em bloco

O novo temor com a desaceleração das atividades da China derrubou o minério de ferro em 1,38% no porto de Dalian nesta madrugada, com a tonelada negociada a 714 iuanes, o equivalente a US$ 103,18.

A queda da commodity impacta na desvalorização em bloco de ações de mineradoras e siderúrgicas na Bolsa brasileira. A Usiminas (USIM5), a CSN (CSNA3) e o braço de mineração da CSN (CMIN3), perdiam 4,04%, 2,07% e 1,56%, nesta ordem.

A Vale (VALE3), que possui o maior peso no Ibovespa, também estava entre as maiores quedas do dia, mas recuperou parte do terreno e aliviou a desvalorização para baixa de 1,51%.

A ponta de baixo, porém, é puxada pelas ações do IRB Brasil (IRBR3), com queda de 4,57%. Hapvida (HAPV3), também é destaque negativo, com recuo de 3,72%.

O movimento reflete a retomada no Senado, nesta segunda, do debate sobre o projeto de lei que obriga planos de saúde a cobrirem tratamentos não previstos pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

O projeto dá à lista de procedimentos cobertos pelos planos de saúde um caráter exemplificativo, e não taxativo, como defendem as empresas. Para as associações ligadas a pacientes que utilizam remédios e procedimentos ainda não incorporados à lista, a adoção do rol taxativo significa deixar os doentes sem tratamento.

Agenda de indicadores agitada

A semana está repleta de indicadores importantes dentro e fora do Brasil. Na agenda internacional, destaque para a divulgação na sexta-feira (2) do payroll, que mede a criação de vagas de trabalho entre os americanos. O número deve mexer com as expectativas dos investidores sobre os próximos passos da política monetária americana.

Na pauta doméstica, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no segundo trimestre, na quinta-feira (1), às 9h. A expectativa é de um avanço de 0,9%, na avaliação de analistas ouvidos pela Reuters.

“Ressaca do Fed” derruba Bolsas globais

No exterior, os mercados ainda repercutem o sinal mais hawkish adotado pelo presidente do Fed para conter a inflação, que beira os níveis mais elevados em quatro décadas.

A fala de Jerome Powell no simpósio de Jackson Hole, no final da semana passada, foi um banho de água fria em quem esperava que o Fed diminuísse a velocidade do aperto dos juros após dados mais recentes indicarem a desaceleração da variação de preços.

“O recado do Powell foi bem mais duro do que o mercado queria acreditar que seria”, diz Quaresma.

Em um discurso direto, Powell disse que a economia americana claramente está desacelerando, mas que, ao mesmo tempo, está mostrando uma força subjacente que preocupa. “Os registros históricos advertem fortemente contra suavizações da política monetária”, disse.

A “ressaca do Fed” faz com que as principais Bolsas globais estendam para esta segunda-feira o clima negativo visto no final da semana passada, mesma direção do fechamento dos índices asiáticos.

Em Wall Street, o Dow Jones caía 0,24%, o S&P 500 perdia 0,29% e o Nasdaq recuava 0,62%.

Na Europa, perto do fechamento, o Euro Stoxx 50 recuava 0,95%, o FTSE 100 desvalorizava 0,70% e o DAX 30, da Alemanha, caía 0,61%.

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