Ibovespa descola do exterior e sobe 0,11% de olho na cena doméstica e novos nomes do futuro governo

No exterior, as Bolsas tiveram forte queda com o temor de juros americanos mais altos após PIB do terceiro trimestre vir acima do esperado

Foto: Shutterstock/NicoElNino

Em um dia de perdas e ganhos, o Ibovespa fechou o pregão desta quinta-feira (22) em alta, com os investidores de olho no mau humor global e analisando os novos nomes do futuro governo.

No exterior, as Bolsas caíram fortemente após a confirmação de que PIB (Produto Interno Bruto) americano do terceiro trimestre ficou acima do esperado, indicando que os juros devem ficar pressionados por mais tempo para desacelerar a economia.

No cenário doméstico, as atenções se voltaram para as nomeações de novos membros da equipe econômica e de parte dos ministros do futuro governo, porém, sem grandes surpresas para os analistas.

Com isso, o principal índice da B3 encerrou o dia em alta de 0,11%, aos 107.552 pontos, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.

O desempenho faz o Ibovespa acumular queda de 4,38% em dezembro, enquanto o acumulado de 2022 passou para alta de 2,60%.

Queda generalizada

As Bolsas americanas e europeias encerraram em forte queda nesta quinta com novas doses de temor pela escalada dos juros na maior economia do mundo.

Em Wall Street, o Dow Jones tombou 1,05%, enquanto o S&P500 teve queda de 1,45%. A Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, segmento mais sensível ao aumento dos juros, derreteu 2,18%. No Velho Continente, o Euro Stoxx 50 perdeu 1,38%.

O gatilho foi deflagrado pela revisão do PIB americano no terceiro trimestre para alta de 3,2% no período em relação ao segundo trimestre, em dados anualizados.

A leitura anterior havia apontado uma expansão menos intensa, de 2,9%, e a expectativa do mercado, segundo o FX Street, era de que o número se confirmasse.

Normalmente, indicadores de economia mais forte seriam vistos como positivos, porém, no atual cenário em que o Fed (o banco central americano) está subindo os juros para esfriar as atividades e controlar a inflação, os dados foram encarados com aversão.

“Os dados reforçam a tese de que o Fed deve subir os juros acima de 5% e manter neste patamar elevado por mais tempo”, afirmou Piter Carvalho, especialista da Valor Investimentos.

Haddad e Lula nomeiam auxiliares

O dia foi de revelações de nomes de ministros e secretários do Ministério da Fazenda. As divulgações, porém, tiveram pouco efeito no mercado diante da antecipação pelos investidores.

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva apresentou os nomes de 16 ministros que ocuparão a Esplanada a partir de 2023. O único destaque ficou para a nomeação do vice eleito, Geraldo Alckmin, para ocupar a pasta de Indústria e Comércio após outros nomes sondados pelos governistas negarem a cadeira.

Outros 13 nomes deverão ser anunciados até a próxima terça-feira (27). Os investidores seguem na expectativa da indicação para o Ministério do Planejamento, que será recriado após o desmembramento da atual pasta da Economia.

Elcio Cardozo, sócio da Matriz Capital, viu a indicação do vice para a pasta da Indústria e Comércio como positivo, desde que ele tenha autonomia para exercer o cargo.

“A grande questão é se Alckmin terá liberdade para trabalhar. Alckmin possui a capacidade de chefiar essa pasta pelo seu histórico político, principalmente como ex-governador de São Paulo”, afirmou.

Já o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou Rogério Ceron para a Secretaria do Tesouro Nacional e Robinson Barreirinhas para a Receita Federal.

Também foram anunciados Guilherme Mello para a Secretaria de Política Econômica da Fazenda e Marcos Barbosa Pinto para a Secretaria de Reformas Econômicas.

Para Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital, o foco agora será no papel dos novos secretários para a formulação do novo arcabouço fiscal, que Haddad afirmou entregar ainda no primeiro semestre de 2023.

“Temos que ver ainda como fica a organização dentro dessas secretarias e qual dos secretários vai ter mais importância nesse debate fiscal”, afirmou Pinheiro.

Altas e baixas do dia

O bloco de cima do Ibovespa foi puxado pela Marfrig (MRFG3), com avanço de 6,74%. Atrás aparecem JBS (JBSS3), que subiu 3,21%, e Americanas (AMER3), com alta de 2,72%. Ainda na ponta positiva, Sabesp (SBSP3) fechou em alta de 2,41%.

Para Idean Alves, educador financeiro, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil, a presença dos frigoríficos no grupo de altas reflete o aumento do consumo dos seus produtos durante as comemorações de Natal e Ano Novo.

A alta da estatal paulista ocorre na esteira da expectativa de reajustes das tarifas de água e esgoto. O aumento seria feito fora do calendário habitual devido um pedido de revisão da companhia à Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo).

A Arsesp refez as contas e calculou que seria necessário um aumento de 6,3733% nas tarifas da Sabesp para compensar a empresa. As novas tarifas entrariam em vigor em fevereiro de 2023, com efeito para os clientes a partir de março do ano que vem.

Na ponta negativa, o pelotão teve empresas que registraram altas nos últimos pregões e que passaram por correções de preço.

A fila foi liderada pelo IRB (IRBR3), que caiu 5,94%. Na véspera, as ações do ressegurador dispararam quase 25%.

Também tiveram queda Locaweb (LWSA3), Positivo (POSI3) e Braskem (BRKM5), que caíram 4,14%, 2,28% e 1,99%, respectivamente.

Criptos

Acompanhando a queda das Bolsas americanas, sobretudo a Nasdaq, os criptoativos também tiveram um dia de perda, apesar de menos intenso.

Por volta das 17h20, o Bitcoin caia 0,73% em comparação as últimas 24 horas, a US$ 16.797, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) perdia 1%, negociado a US$ 1.206

O destaque do dia para o universo cripto foi a soltura do ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried, após o pagamento de fiança de US$ 250 mil à Justiça americana. O ex-bilionário foi transferido para o Estados Unidos nesta semana após dias de prisão nas Bahamas.

SBF, como é conhecido, é julgado nos EUA pelo colapso da FTX no início de novembro, que lesou milhares de clientes ao redor do mundo e resultou em perdas bilionárias.

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