A Hapvida sofreu com o aumento dos custos assistenciais no segundo trimestre, que mais do que dobraram no período em relação a igual trimestre de 2021, e viu o lucro líquido ajustado cair 11,9%, para R$ 241 milhões.
Essa foi a primeira vez que a empresa publicou um balanço “completo” desde a fusão com a NotreDame Intermédica, concretizada no início do ano.
Apesar da queda, o resultado surpreendeu positivamente os analistas da XP, que projetavam lucro líquido ajustado de R$ 109 milhões, e do Santander, que estimavam ganhos de R$ 59 milhões.
O lucro ajustado considera a amortização de carteira de clientes e marcas e patentes provenientes da fusão com a NotreDame, que tiveram impacto negativo de R$ 205,4 milhões no segundo trimestre, e também remunerações baseadas em ações, no valor de R$ 85,6 milhões.
Não fossem os ajustes, a companhia teria apresentado prejuízo líquido de R$ 312,3 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 104,6 milhões anotado pelo consolidado de Hapvida e NotreDame no segundo trimestre do ano passado.
A fusão entre Hapvida e NotreDame foi concretizada em janeiro deste ano. No balanço do primeiro trimestre, só foram divulgados os números consolidados dos dois negócios referentes a fevereiro e março. O balanço do segundo trimestre é, portanto, o primeiro que consolida todos os três meses do período.
Custos da Hapvida aumentam no 2º trimestre
De abril a junho, a Hapvida viu os custos assistenciais totais saltarem 169,7% em relação a igual intervalo do ano passado, para R$ 4,6 bilhões, como reflexo da aceleração da inflação no país, o que também afeta os custos médicos.
A sinistralidade, que reflete o quanto os clientes recorrem aos serviços oferecidos pelos planos de saúde, também cresceu, saindo de 70,7% para 75,3%, o que também gera custos maiores para a companhia, para atender à demanda.
A receita líquida, por outro lado, teve um aumento expressivo, com salto de 153,2% no segundo trimestre, para R$ 6,08 bilhões.
O número de beneficiários de planos de saúde do Hapvida ao fim do trimestre apresentou crescimento de 4,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior e um acréscimo de 0,9% em relação ao primeiro trimestre.
O lucro operacional da Hapvida, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado, subiu 86,6% no segundo trimestre, para R$ 582,3 milhões. Já a margem Ebitda ajustada caiu de 13% para 9,6%, próximo das projeções de XP (9,3%) e Santander (10%).