Guide vê risco de tombo das ações estatais em cenário negativo pós-eleição

Embora a performance do Ibovespa não tenha grande diferença em relação às eleições anteriores, os papéis das estatais estão melhores que em 2014

A forte performance das ações estatais nos últimos meses indica pouco potencial de alta em caso de um cenário positivo pós-eleições, mas bastante espaço para quedas em ambiente mais negativo após a votação, aponta a Guide Investimentos, em relatório divulgado nesta terça-feira (13).

Embora não seja esperada uma grande surpresa com o resultado da eleição presidencial deste ano, já que ambos candidatos à frente nas pesquisas eleitorais, Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são velhos conhecidos dos eleitores, com passagens pelo governo, o desempenho das estatais pode variar dependendo do resultado eleitoral.

Segundo a Guide, embora a performance do índice Ibovespa não demonstre grande diferença de comportamento em relação às eleições de 2014 e 2018, as ações das estatais estão com desempenho melhor que em 2014.

Vale lembrar que em 2014 havia a expectativa de vitória de Aécio Neves (PSDB) ou Marina Silva (PSB), o que impulsionou o Ibovespa a partir de março. Em 2018, as pesquisas indicavam vitória de Fernando Haddad (PT) pelo menos até meados de setembro, com Bolsonaro superando-o nas simulações de segundo turno apenas em outubro.

Em 2014, as ações das estatais tiveram um desempenho bastante negativo entre outubro e dezembro, após as eleições, com a reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Acreditamos que há muitas diferenças entre estas empresas hoje e em 2014 (atualmente as estatais estão apresentando lucros recordes, enquanto em 2014 apresentavam prejuízos recordes), mas a relação risco-retorno parece ruim neste momento dada a proximidade das eleições e diversas declarações de alguns candidatos no sentido de rever a atuação das empresas estatais”, destaca a Guide.

O gatilho para a correção das estatais (e do Ibovespa) nesta semana, de acordo com a Guide, foi que mais pesquisas eleitorais mostraram perda de fôlego das intenções de voto em Bolsonaro.

Há menos de um mês para as eleições e após o início dos debates e campanha na TV, os números do presidente estacionaram e seguem abaixo de Lula com 31% das intenções de voto, contra 46% do ex-presidente, segundo a pesquisa Ipec. Este quadro é similar entre a maioria das pesquisas.

Em relatório, outro ponto destacado pela Guide, é que o número de eleitores indecisos ou que não gostaria de votar em nenhum dos dois candidatos (branco/nulo) tem caído, indicando que Bolsonaro pode ter menos espaço para ganhar votos dessa população conforme se aproxima a votação.

“Em nossa visão, as pesquisas indicam a situação quando ela foi feita e as intenções de voto podem mudar ao longo do tempo. Contudo, após o início da campanha eleitoral na TV, debates etc., vemos pouco espaço para grandes mudanças nas pesquisas. Além disso, os principais candidatos são bem conhecidos e atualmente há mais pesquisas que em qualquer outro momento no Brasil, o que faz com que a chance de erro/manipulação seja baixa”, apontou a Guide.

Nesse cenário, a corretora afirma que faz mais sentido esperar um momento melhorar para aumentar posições em empresas estatais. “Já antecipando este risco, deixamos Banco do Brasil (BBAS3) de fora de nossa Carteira Valor em setembro, apesar de ver o banco estatal como tendo os melhores resultados e valuation ainda descontado”.

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