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Guerra deve acelerar adoção de moedas digitais, diz CEO da BlackRock

Guerra deve acelerar adoção de moedas digitais, diz CEO da BlackRock

Gestora disse estar estudando as moedas digitais para poder atender melhor à crescente demanda dos clientes

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Em sua carta anual, divulgada na quinta-feira (24), Larry Fink,  CEO da BlackRock, uma das maiores gestoras do mundo, com US$ 10 trilhões sob gestão, destacou que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia deve levar os países a reavaliar suas dependências monetárias e acelerar a adoção de moedas digitais.

O congelamento de mais da metade das reservas da Rússia, de US$ 630 bilhões, como parte das sanções levantou o debate sobre a aceleração da adoção dessas moedaspor parte dos banco centrais.

Mesmo antes da guerra, vários governos procuravam desempenhar um papel mais ativo relacionados ao uso das moedas digitais e definir as estruturas regulatórias sob as quais operam.

O banco central dos EUA, por exemplo, lançou recentemente um estudo para examinar as possíveis implicações de um dólar digital americano.

“Um sistema global de pagamento digital, cuidadosamente projetado, pode melhorar a liquidação de transações internacionais, reduzindo o risco de lavagem de dinheiro e corrupção”, destacou Fink na carta.

As moedas digitais também podem ajudar a reduzir os custos de pagamentos transfronteiriços, por exemplo, quando trabalhadores expatriados enviam recursos para suas famílias.

“À medida que vemos um interesse crescente de nossos clientes, a BlackRock está estudando moedas digitais, stablecoins (moedas digitais que são pareadas com moedas fidussiárias como o dólar ou outros ativos como o ouro) e as tecnologias subjacentes para entender como elas podem nos ajudar a atender nossos clientes”, disse o CEO da gestora.

Outras consequências da guerra

A invasão da Rússia na Ucrânia e sua subsequente dissociação da economia global vão levar empresas e governos em todo o mundo a reavaliar suas dependências e rever suas linhas de fabricação e montagem – algo que a Covid-19 já havia estimulado muitos a começar a fazer.

E enquanto a dependência da energia russa está no centro das atenções, empresas e governos também estarão olhando mais amplamente para suas dependências de outras nações, resasltou a carta. “Isso pode levar as empresas a realizar mais operações onshore (no mercado doméstico) ou nearshore, resultando em um recuo mais rápido de alguns países”, destacou Fink.

Segundo ele, países como México, Brasil, Estados Unidos ou centros de manufatura no Sudeste Asiático podem se beneficiar. Essa dissociação inevitavelmente criará desafios para as empresas, incluindo custos mais altos e pressões de margem. Embora os balanços patrimoniais de empresas e consumidores sejam fortes hoje, dando-lhes mais proteção para enfrentar essas dificuldades, uma reorientação em larga escala das cadeias de suprimentos será inerentemente inflacionária, apontou Fink.

Mesmo antes do início da guerra, os efeitos econômicos da pandemia – incluindo a mudança na demanda do consumidor de serviços para bens domésticos, escassez de mão de obra e gargalos na cadeia de suprimentos – levaram a inflação nos EUA ao seu nível mais alto em quarenta anos. Na União Europeia, Canadá e Reino Unido, a inflação está acima de 5%.

Na carta, o megainvestidor ressaltou que os salários não acompanharam o ritmo dos preços e os consumidores estão sentindo o fardo ao serem confrontados com contas de energia crescentes e custos mais altos nos supermercados, por exemplo.

Os bancos centrais estão avaliando decisões difíceis sobre a rapidez com que aumentar as taxas, afirmou Fink. “Eles enfrentam um dilema que não enfrentam há décadas, agravado pelo conflito geopolítico e os choques energéticos resultantes. Os bancos centrais devem escolher entre viver com inflação mais alta ou atividade econômica e emprego lentos para reduzir a inflação rapidamente.”

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