Grupo SBF (SBFG3) perde margem e ação cai quase 5%; como analistas veem isso?

Para o Itaú BBA, ação é uma das mais bem posicionadas para o segundo semestre

Foto: Divulgação

Apesar de ter registrado alta na receita, a margem Ebitda do Grupo SBF (SBFG3), do setor varejista, caiu no segundo trimestre, pressionada pelo aumento de custos operacionais e despesas financeiras. Como consequência, as ações eram negociadas em baixa de 4,33% por volta das 13h50 desta terça-feira (2), no pregão seguinte à divulgação dos resultados.

A perda de rentabilidade, porém, já era esperada, segundo analistas, e não foi suficiente para quebrar o otimismo com o papel. “Vemos a SBF como uma das ações mais bem posicionadas para o segundo semestre”, escreveram Thiago Macruz, Maria Clara Infantozzi e Gabriela Moraes, analistas do Itaú BBA, em relatório distribuído hoje.

Os analistas do BTG Pactual Luiz Guanais, Gabriel Disselli, Victor Rogatis e Luiz Temporini têm visão semelhante: “Sinais de recuperação nos últimos trimestres nos deixam com uma visão mais otimista sobre o momentum das ações do Grupo SBF após a reabertura econômica”, afirmam, também em relatório divulgado nesta terça.

A receita líquida da companhia fechou o segundo trimestre em R$ 1,46 bilhão, alta de 30,3% em relação a igual período do ano passado, impulsionada tanto pelas vendas da Centauro, com crescimento anual de 26%, quanto da Fisia, a operação da Nike no Brasil, com expansão de 36%. O número ficou praticamente em linha com as estimativas do mercado.

A margem Ebitda ajustada, por sua vez, caiu 2,9 pontos percentuais na comparação com o segundo trimestre de 2021, para 10,6%, devido ao aumento de custos, reflexo da inflação e de maiores investimentos em marketing e tecnologia.

Os analistas já esperavam uma retração de margem, mas abaixo da informada. O número reportado ficou 1,3 ponto percentual abaixo da projeção do BBA, 1,2 p.p. inferior da projeção do BTG e foi 0,4 p.p. a menos que estimada pelo Santander.

Com esse aumento de custos, somado às maiores despesas financeiras, o lucro líquido do SBF fechou o trimestre em R$ 36,35 milhões – 12,4% abaixo do anotado no mesmo período de 2021, mas 38% acima da projeção do BBA e 89% acima do Santander. O BTG, por sua vez, esperava um resultado 18% melhor.

“O Grupo SBF reportou uma receita sólida e em linha com as nossas expectativas, com lucratividade pressionada devido a maiores investimentos, como esperado”, resumem os analistas do BBA. Eles acrescentam que esses investimentos já começaram a dar frutos.

Nessa linha, o banco menciona a finalização da migração do sistema de gestão empresarial do grupo e do tráfego orgânico da Nike.com para a plataforma do SBF, o que permitirá a implementação de diversos projetos e têm potencial de reduzir despesas, levando a lucratividade de volta a níveis mais altos.

Depois da divulgação de resultados, o Itaú BBA e o BTG Pactual reiteraram suas recomendações de compra para o papel, com preços-alvo de R$ 35 e R$ 34, respectivamente – o que corresponde a alta de 60% e 55% em relação ao valor da ação no fechamento de segunda-feira (1), de R$ 21,92.

O BBA acredita que a ação deve se destacar no segundo semestre, beneficiada pela abertura das primeiras lojas Nike, pela normalização em curso da cadeia de produção da Nike, pelas bases de comparação mais favoráveis e pelos múltiplos atrativos. Outro ponto que deve jogar a favor da empresa nos próximos meses é sua estratégia para a Copa do Mundo, com produtos começando a ser vendidos neste mês, diz o banco.

“Com sua posição de liderança em um mercado altamente fragmentado de artigos esportivos e uma sólida estrutura de capital, vemos muito espaço para ganhos de market share, que aliados a uma plataforma omnichannel (que integra diversos canais de venda físicos e digitais) de rápido crescimento e à operação da Nike, sustentam nossa visão positiva sobre o nome”, completa o BTG.

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