O Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou, na noite desta segunda-feira (28), a indicação do economista Adriano Pires para o cargo de presidente da Petrobras (PETR4), para o lugar do general Joaquim Silva e Luna, demitido do cargo também nesta noite.
O ministério também reiterou a indicação de Rodolfo Landim para a presidência do conselho da companhia. As indicações ainda precisam ser confirmadas pelos acionistas da companhia na Assembleia Geral Ordinária de 13 de abril.
De acordo com a nota, Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro e Infraestrutura, tem experiência na coordenação de projetos e estudos para a indústria de gás natural, a política nacional de combustíveis e o mercado de derivados de petróleo e gás natural.
O ministério destacou também a passagem de Pires pela assessoria do diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), assim como a passagem pelos cargos de superintendente de Abastecimento, de Importação e Exportação de Petróleo, seus Derivados e Gás Natural.
O nome indicado pelo governo para assumir o comando da Petrobras não deve representar uma ruptura para a estatal, acredita a corretora Ativa Investimentos, em nota enviada a clientes, logo após o início dos rumores de que o militar seria demitido, no fim da tarde.
A Ativa lembrou que a Petrobras tem passado por transformações operacionais e financeiras desde a metade da década passada. Um dos símbolos dessa mudança é a política de paridade internacional de preços, que procura garantir que os combustíveis acompanham a tendência da cotação do petróleo no mercado externo.
A política, bem avaliada pelos investidores, foi implantada durante o governo de Michel Temer e segue no governo de Jair Bolsonaro. No entanto, com a disparada do petróleo no mercado internacional, em especial após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, a empresa tem sido pressionada a segurar os preços, para evitar uma aceleração da inflação, o que poderia afetar politicamente o presidente, que buscará uma reeleição este ano.
No dia 10 de março, porém, a Petrobras anunciou um reajuste de 18% nos preços dos combustíveis vendidos das refinarias para as distribuidoras, em um esforço para diminuir a defasagem para o mercado internacional. A medida, contudo, gerou um novo desgaste nas relações com o Palácio do Planalto.
Por preocupações políticas, portanto, o governo anunciou a demissão do general, assim como o fez no ano passado, quando mandou embora Roberto Castello Branco, o antecessor de Silva e Luna.
Inicialmente, a chegada de Silva e Luna levantou dúvidas sobre a capacidade de o general gerir a estatal com independência, mas, com o tempo, foi conquistando os investidores, indicando que poderia ser capaz de blindar a companhia de possíveis intervenções do governo.
Dessa vez, a Ativa acredita que a mudança se dá de forma mais contida, “pela hora pela qual a notícia foi divulgada e pelo mercado já trabalhar há semanas com a possibilidade da mudança ser executada”, afirma a corretora.
Para a Ativa, o fato de Pires ser um nome respeitado no mercado “ajuda a mitigar os efeitos oriundos deste novo possível movimento” do governo.
O analista Enrico Cozzolino, da Levante, lembrou que a pauta de ingerência política na Petrobras não é nova e ressaltou que esta é a razão pela qual a ação da estatal não tem conseguido surfar a disparada do petróleo tanto quanto seus pares do setor privado, como PetroRio e 3R Petroleum. “Não foi por fator operacional, mas por prêmio de risco”, disse, na noite desta segunda.
Nesta segunda-feira, as ações da Petrobras (PETR4) fecharam em queda de 2,42%.