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Fundo Verde perde 4,4% em outubro, maior queda mensal desde o início da pandemia

Fundo Verde perde 4,4% em outubro, maior queda mensal desde o início da pandemia

Desempenho negativo foi puxado especialmente pela posição em ações, que registrou prejuízo de 3,75% no mês

Mercado queda

Foto: Pixabay

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O fundo multimercado Verde, gerido pelo renomado gestor Luis Stuhlberger, teve um mês bastante negativo em outubro, com perda de 4,39%. Essa foi a maior desvalorização desde março de 2020, no estouro da pandemia provocada pelo coronavírus, quando registrou queda de 11,46% no valor das cotas.

Antes disso, a maior desvalorização da carteira havia sido registrada em outubro de 2008, com perda de 8,91%, no auge da crise financeira nos Estados Unidos.

Com o desempenho do mês passado, o fundo acumula queda de 2,96% no ano, contra alta de 3% do CDI.

O desempenho negativo no mês foi puxado especialmente pela posição em ações, que registrou prejuízo de 3,75% em outubro, segundo carta divulgada pela gestora nesta segunda-feira. No mês passaso, o Ibovespa acumulou queda de 6,74%.

A incerteza fiscal no mercado local, o aumento da inflação, a elevação da taxa básica de juros para 7,75% ao ano e a perspectiva de menor crescimento da economia brasileira têm pesado sobre o desempenho das ações no mercado local.

A aprovação da PEC dos Precatórios em primeiro turno na Câmara dos Deputados, que permite o estouro do teto de gastos (medida criada para limitar o crescimento dos gastos do governo ao aumento da inflação) e que abriu espaço para um gasto adicional do governo de pelo menos R$ 83 bilhões em 2022, teve um impacto negativo sobre os ativos locais.

Nesse cenário, o fundo Verde Ações AM Ações FIA também teve um desempenho negativo em outubro, com queda de 12,39%, acumulando desvalorização de 16,48% no ano.

“A bolsa teve grande queda, puxada principalmente por ações de média liquidez e papéis que estrearam recentemente no mercado. A carteira dos nossos fundos de ações foi influenciada por este movimento, com diversas contribuições negativas, com destaque para Grupo Soma, Natura, Hapvida + Intermédica, Assaí e Equatorial Energia”, apontou a gestora, na carta do fundo de ações de outubro.

Apostas em juros globais acentuaram o prejuízo

No caso do fundo Verde, as posições tomadas em juros (apostando na alta das taxas) nos mercados desenvolvidos também tiveram impacto negativo, com um movimento de achatamento da curva de juros em função do declínio das taxas de longo prazo. A posição em renda fixa do fundo apresentou retorno negativo de 1,66% em outubro.

Já o retorno com a posição em moedas, especialmente atrelada ao dólar, ficou estável em 0,01% no mês passado.

Apesar de anunciar o início da retirada dos estímulos, com a redução das compras mensais de ativos, o banco central americano, o Federal Reserve,  tem mostrado uma postura cautelosa, reforçando que não tem pressa para subir a taxa de juros nos Estados Unidos.

No mês de outubro, o fundo teve ganhos, pequenos, com a posição em inflação implícita brasileira (que foi encerrada no fim do mês), em bolsa global e crédito.

Dez a zero para o aumento de gastos

Na carta do fundo Verde, Stuhlberger e o economista-chefe da casa, Daniel Leichsenring, destacaram que as medidas fiscais tomadas desde 2020 aumentaram a insegurança sobre a sustentabilidade da dívida pública, fazendo com que o câmbio tivesse uma desvalorização acentuada no período.

De janeiro de 2020 até hoje, o real perdeu 38% do seu valor diante do dólar, enquanto as moedas do México, da África do Sul e da Índia, por exemplo, perderam em média apenas 5,7%, segundo a gestora.

Com isso, houve uma aceleração brutal da inflação de alimentos, que tem sido um fenômeno global, mas que é acentuada no Brasil por conta dos problemas locais. “Se o País não tivesse gastado tanto antes, certamente teria mais espaço agora”, destacou a gestora.

O governo tenta aprovar a PEC dos Precatórios para abrir espaço para financiar o aumento do benefício pago pelo Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que substitui o Bolsa Família.

“A PEC do Fim do Teto (isto é, dos Precatórios) no Congresso pressionará por mais auxílios, mais emendas parlamentares, mais desoneração, mais fundo eleitoral… sempre adicionando um novo e ‘inadiável’ vagão à caravana da gastança desenfreada”, destaca a gestora, na carta.

A votação do segundo turno da PEC dos Precatórios estava prevista para 9 de novembro.

Na última sexta-feira, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar determinando a suspensão das emendas de relator, que vêm sendo usadas para negociar votos favoráveis à proposta. A decisão será analisada em sessão extraordinária do plenário do Supremo, o que pode atrasar a votação da PEC dos Precatórios.

“No final, o Teto não é um instrumento que se opõe ao gasto social. Pelo contrário. O Teto força o Congresso e o Executivo a avaliarem onde faz sentido gastar mais, garantindo que políticas populistas não venham a ser implementadas em larga escala, reduzindo o risco de catástrofes como a Depressão de 2014-2016″, destacou a Verde, em sua carta.

“Dito de outra maneira, essa história de ‘fiscal nota 10’ contra ‘social nota 0’ é falaciosa e, pior, apenas dá justificativa para qualquer populismo feito em nome do social, ainda que a conta acabe muito mais salgada do que o benefício, como de costume”, destacou a Verde Asset.

A solução correta para o problema estrutural da extrema pobreza, segundo a gestora, teria sido focalizar os gastos públicos em favor do Bolsa Família e aprovar a extensão de um Auxílio Emergencial menor para 2022, na linha da menor necessidade dada pelo controle da pandemia.

A consequência da piora do quadro fiscal, segundo a gestora, será um ciclo vicioso: mais inflação, menor crescimento e juros mais altos, levando à “necessidade” de mais gasto público.

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