Fras-le (FRAS3) confirma que estuda vender novas ações para levantar capital

Empresa é controlada pela Randon, que também não confirmou se participará da operação

Fábrica de automóveis da Honda em Itirapina. Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

A Fras-le (FRAS3) confirmou que estuda vender ações para levantar capital, mas disse que ainda não foi tomada uma decisão definitiva sobre o assunto. A informação circulou na terça-feira (8) no mercado após reportagem do jornal Valor Econômico afirmar que a empresa pretendia captar R$ 750 milhões com uma operação do tipo.

Em comunicado enviado na madrugada desta quarta-feira (9) à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a Fras-le não mencionou quanto pretende obter com a operação. Em vez disso, afirmou que “está avaliando a possibilidade de realizar uma oferta pública subsequente de distribuição primária , e secundária de ações” e que os termos e condições de eventual operação seguem indefinidos.

Na oferta primária de ações são vendidos papéis novos e os recursos vão para o caixa da empresa. Na secundária, são vendidas ações já existentes detidas por acionistas da companhia.

A empresa também disse que ainda avalia se haverá participação dos atuais acionistas controladores na potencial oferta primária das novas ações. Desde 1996 a Fras-le é controlada pela Randon (RAPT4).

A Fras-le suspendeu a divulgação de projeções financeiras anteriormente apresentadas pela companhia por causa da potencial oferta de ações.

Quem é a Fras-le

A Fras-le é uma empresa de Caxias do Sul (RS) que fabrica, vende e importa autopeças e componentes para freios. Ela possui um total de dez fábricas, sendo cinco no Brasil e as demais no exterior – uma na China, uma nos Estados Unidos, uma na Índia, uma no Uruguai e uma na Argentina -, além de centros de distribuição na Argentina, Colômbia, Holanda e China, e escritórios comerciais nos Estados Unidos, Alemanha, Chile e México.

A empresa registrou no quarto trimestre do ano passado um aumento de 15,1% na receita, para um nível recorde de R$ 685 milhões, puxada principalmente pelo mercado interno, que respondeu por 61% do faturamento, embora as vendas no exterior também tenham crescido.

A expansão foi motivada tanto por fatores sazonais – visto que o final do ano costuma ter maior procura por manutenção de veículos no Brasil – quanto pelo cenário econômico global. O aumento no custo dos fretes marítimos, segundo a Fras-le, favoreceu o Brasil como fornecedor de peças para algumas regiões, como por exemplo a América Central.

Receita acumulada em 12 meses pela Fras-le. Fonte: TradeMap

A empresa também registrou aumento de custos no período, assim como a vasta maioria das companhias, diante do aumento nos preços de insumos e custos com logística. O custo dos produtos vendidos somou R$ 503,6 milhões no quarto trimestre, o que representa 73,5% sobre a receita líquida do período – ou três pontos porcentuais (pp) a mais que em igual período de 2020.

O lucro líquido caiu 82,8% no final do ano passado, para  R$ 22 milhões, mas ao longo dos últimos anos têm crescido em função do aumento na receita da companhia. No acumulado de 2021, houve expansão de 15,7%, para R$ 210,6 milhões.

Lucro acumulado em 12 meses pela Fras-le. Fonte: TradeMap

Vale a pena investir na Fras-le?

A maior parte dos analistas consultados pela Refinitiv recomenda a compra das ações da companhia e vê potencial de alta no preço das ações, como é possível verificar em dados da plataforma TradeMap:

Fonte: Refinitiv / TradeMap

A XP Investimentos, porém, que tem recomendação neutra para as ações, diz que os papéis da Fras-le se valorizaram bastante nos últimos anos em parte por causa da integração bem-sucedida da Nakata,  comprada em 2020, às operações da companhia.

No entanto, considera que a ação tem pouca liquidez no mercado – com aproximadamente R$ 2 milhões em negociações diárias – e que alguns indicadores de preço sugerem que o papel está bem precificado, reduzindo o potencial de ganho para o investidor.

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