Em dia de agenda esvaziada, os mercados brasileiros seguem acompanhando nesta terça-feira (22) as negociações em torno da PEC da Transição, que ao que tudo indica deve ser desidratada no Congresso, o aumento de casos graves de Covid na China e a ansiedade pela ata da última reunião do Federal Reserve, que será publicada amanhã.
Ainda não houve acordo em torno da PEC, que viabiliza o Orçamento de 2023 e abre espaço para a manutenção do Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família) em R$ 600. O texto precisa ser aprovado em dois turnos até o dia 15 de dezembro.
Ontem, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apontou ao Broadcast que a proposta não será aprovada facilmente no Senado – parlamentares da casa já apresentaram duas propostas alternativas ao texto do PT, que prevê quase R$ 200 bilhões de gastos fora do teto.
Uma delas é do próprio Jereissati e prevê um valor bem menor, de R$ 80 bilhões de espaço fora da âncora fiscal, de forma permanente. Outra, do senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), sugere um valor de R$ 70 bilhões pelo período de quatro anos.
O ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, que faz parte da equipe de transição, declarou que os valores são insuficientes e defendeu que mesmo um aumento de gastos da ordem de R$ 136 bilhões não representariam uma expansão fiscal em proporção do PIB na comparação com 2022.
Nesta terça, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, se reúne com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para tentar avançar as conversas.
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O nome do novo ministro da Fazenda, que é a outra fonte de grande preocupação do mercado, não deve sair nesta semana, como indicou ontem a presidente do PT, a deputada Gleisi Hoffmann. “Não acho [que deva sair nesta semana]. O presidente Lula está vindo para cá [Brasília] só na quarta-feira, e aí é que vai começar a conversar, vai começar a pensar”, declarou, segundo o G1.
Por que isso importa?
Quando o risco de descontrole das contas públicas de um país se eleva, investidores passam a pedir taxas de juros maiores lá na frente para comprar seus títulos públicos – ou, de forma mais simples, para emprestar dinheiro ao governo. Isso tende a reduzir o valor das ações de empresas negociadas em Bolsa e a desvalorizar o real.
Ata do Fed e Covid na China
No exterior, os mercados operam em leve alta na manhã desta terça, com os investidores aguardando falas de presidentes regionais do Federal Reserve na véspera da divulgação da ata do último encontro do BC dos EUA, que elevou os juros em 0,75 ponto.
O documento será publicado nesta quarta (23). Hoje estão previstos discursos de Loretta Mester (Fed de Cleveland), Esther George (Fed de Kansas City) e James Bullard (Fed de St. Louis).
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Os investidores ainda repercutem a informação de que Pequim vive um aumento nos casos de Covid, com mortes sendo registradas na capital da China pela primeira vez em seis meses, cenário que aumenta as preocupações com novas restrições na segunda maior economia do mundo.
Por volta das 8h15, os índices futuros americanos operavam no azul: o Dow Jones subia 0,18%, o S&P 500 avançava 0,21% e o Nasdaq ganhava 0,22%. No mesmo horário, o índice europeu Euro Stoxx 50 estava em alta de 0,21%.