Falas de Haddad animam e Bolsa sobe mais de 1%; Hapvida (HAPV3) dispara e Magalu (MGLU3) derrete

Ministro voltou a criticar o nível elevado dos juros no Brasil, e disse que o assunto merece mais atenção do que revisões à meta de inflação

Gabriel Bosa

Gabriel Bosa

Foto: Shutterstock/Salty View

Após uma abertura em baixa, o Ibovespa passou a operar em alta no meio da manhã, repercutindo as falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento do BTG Pactual.

Por volta de 13h25, o índice avançava 0,92% e operava aos 108.845 pontos.

Haddad voltou a criticar o nível elevado dos juros no Brasil, e disse que o assunto merece mais atenção do que revisões à meta de inflação – tema que recentemente entrou no radar do mercado por causa da reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional) que acontecerá nesta quinta-feira (16).

O ministro também reforçou a importância da reforma tributária para o Brasil receber investimentos, e declarou que o novo arcabouço fiscal brasileiro deve ser anunciado em março.

Na avaliação de Guilherme Paulo, operador de renda variável da Manchester Investimentos, foi isso que animou o mercado. “Os juros futuros começaram a cair, o que beneficia a Bolsa”, diz.

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Segundo dados da plataforma TradeMap, os contratos futuros de juros para 2024, 2026 e 2028 recuavam em bloco, cotados a 13,14%, 12,91% e 13,30%, respectivamente. Esse movimento acaba influenciando o movimento de alta de empresas mais sensíveis aos juros, como tecnologia e varejo.

Na ponta positiva, Hapvida (HAPV3) ganhava 6,77% e liderava os ganhos do Ibovespa. Depois dela, Méliuz (CASH3) subia 4,60%, Grupo Soma (SOMA3) se valorizava 3,20% e Rede D’Or (RDOR3) apontava em 4,65% para cima.

Dentre as altas, o papel da TIM (TIMS3) avançava 4,18% e figurava entre as maiores altas. A companhia de telefonia informou ao mercado na véspera que pretende distribuir R$ 2,3 bilhões em proventos este ano.

Além disso, a operadora disse que prevê uma melhora na dinâmica geral dos negócios, impulsionada pela combinação de uma maior base de receita, recuperação da margem, mais eficiência nos investimentos e enxugamento de gastos com arrendamentos.

No âmbito operacional, a companhia projeta um avanço da receita de serviços de um dígito alto, algo próximo a 10% este ano, e de um digito médio no triênio, permanecendo acima da inflação. No comunicado, a empresa ainda ressaltou que vai trabalhar com uma estrutura mais enxuta de custos operacionais e de investimentos.

Baixas do pregão

As maiores baixas do dia ficavam com Magazine Luiza (MGLU3), que caía 3,70% e Totvs (TOTS3), que apontava em 3,95% para baixo. O papel da varejista, vale ressaltar, acumula alta de 48,18% desde o início do ano.

A empresa de tecnologia divulgou seu balanço do quarto trimestre na noite de terça-feira (14), e viu uma queda de margem no período, impactada por efeitos não recorrentes.

Para a Ativa Investimentos, a receita líquida de R$ 1,08 bilhão superou as estimativas em 10%, mas a margem bruta e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) vieram mais pressionadas do que o esperado.

Na sequência, a CCR (CCR03), que divulga o balanço do quarto trimestre após o fechamento do mercado, operava em queda de 1,45%. A XP, por exemplo, espera “resultados neutros para a CCR”.

“O tráfego já reportado caiu 3,6% na comparação anual, refletindo a saída da concessão da Rodonorte no final de 2021”, disse a corretora.

Além da expectativa pelo balanço, o banco Credit Suisse cortou o preço-alvo do papel da CCR de R$ 15,50 para R$ 15. Segundo informações do site Valor Investe,  os analistas do banco passaram a incorporar premissas de juros elevados por mais tempo, o que deve reduzir o retorno das empresas do setor.

A ação da BRF (BRFS3) também tinha uma queda considerável, de mais de 1%, refletindo um temor com um possível surto de gripe aviária no Brasil. Nesta manhã, o Uruguai confirmou o primeiro caso da doença. Há rumores que uma ave silvestre com gripe aviária foi encontrada na Argentina.

Pela proximidade e pelas rotas migratórias das aves na América Latina, a doença pode chegar no país. No entanto, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, disse ao jornal Valor Econômico que um risco de o vírus atingir granjas comerciais é “totalmente controlado”, devido ao “alto padrão de biossegurança da avicultura brasileira”.

Bolsas internacionais

No exterior, os mercados operam em direções distintas, ainda repercutindo dados econômicos nos Estados Unidos e na Europa.

Para Paulo Luives, especialista da Valor Investimentos, os investidores americanos refletem os dados de inflação divulgados ontem, que vieram levemente acima das expectativas.

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA avançou 0,5% em janeiro, segundo dados divulgados pela secretaria de estatísticas trabalhistas (BLS). O núcleo de inflação (medida que exclui preços de alimentos e energia, que são mais voláteis) avançou 0,4%.

“Os dados [CPI] mostram uma desaceleração ainda lenta da inflação nos EUA”, afirma Luives.

Na Europa, a produção industrial da Zona do Euro mostrou queda de 1,1% em dezembro, resultado abaixo das expectativas. Segundo a XP, o indicador reflete uma “redução da demanda na medida em que a atividade perde tração com a alta de juros”.

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