O retorno proporcionado por investimentos em renda fixa e variável no exterior ficou mais atraente após o mercado se ajustar ao movimento global de alta nos juros, mas apenas para quem está de olho no longo prazo ou querendo começar a investir lá fora. Para quem já tem ativos do exterior na carteira, é melhor esperar um pouco antes de aumentar a posição.
A avaliação é de Gabriela Santos, estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset Management durante o 43º Congresso Brasileiro de Previdência Privada.
“Quase todas as regiões estão baratas, com múltiplos abaixo das suas médias históricas, e estamos mais otimistas com os retornos dos mercados acionários hoje do que estávamos no início do ano”, disse ela.
A renda fixa do exterior também está oferecendo oportunidades interessantes, com os títulos de dívida corporativa americana com grau de investimento e baixo risco pagando juros de quase 6% em dólar. “Esse nível indica que mesmo se as taxas subirem, teremos menos dor nesses investimentos”, diz Santos.
Ela acrescentou que os mercados já elevaram muito a probabilidade de recessão econômica em 2023 e refletem hoje uma chance de 50% de isso acontecer nos Estados Unidos. Na Europa, o risco precificado é de mais de 65%.
Estudos mostram que o retorno dos mercados acionários nos EUA 12 meses depois após atingirem o piso foi, em média, de 25%, segundo Santos. Isso significa, que as bolsas americanas, após atingirem quedas de quase 30%, teriam potencial de subir 25% se seguir o padrão histórico.
No entanto, a expectativa para o curto prazo ainda é de muita volatilidade, segundo a estrategista.
Quem já investe no exterior pode esperar antes de aumentar posição
Santos afirma que idealmente o investidor deveria ter pelo menos 25% da carteira alocada no exterior. Além de evitar exposição unicamente ao Brasil, essa diversificação permite o acesso a setores que não estão disponíveis na Bolsa brasileira como inovação tecnológica, crescimento do consumo na Ásia e transição energética.
Quem já investe lá fora, porém, pode esperar um pouco mais antes de reforçar estas posições.
“Queremos ver uma desaceleração maior da inflação, quando o desemprego deve começar a aumentar e as taxas de juros estabilizarem para recomendar um aumento da alocação tática [de curto prazo]”, disse Santos.
Para o diretor de Investimentos e Patrimônio da Vivest (antiga Fundação Cesp), Jorge Simino Júnior, ainda é cedo para voltar a alocar no exterior, dado o cenário ainda de muita incerteza.
A fundação tinha uma alocação de 14% em ativos no exterior, sendo 10% via fundos de investimentos e 4% via BDRS (Brazilian Depositary Receipts, que são recibos de papéis de empresas listadas lá fora) e fundos listados em Bolsa (ETF- Exchange-Traded Funds). Mas vendeu 90% dessa posição no início do ano e agora aguarda melhor momento para voltar a aumentar, diz Simimo.
“Vendemos a posição quando o múltiplo de preço/lucro do S&P 500 estava em 23 vezes e a inflação estava aumentando”, disse no evento.
A estrategista do JP vê um cenário de desaceleração da inflação na próxima década, mas não espera que os bancos centrais voltem a adotar taxas de juros negativas, como aconteceu durante a pandemia.