Embraer (EMBR3): guerra na Ucrânia não afeta companhia no curto prazo, diz CEO

Empresa acredita que, por atuar mais no mercado doméstico, não deve ser tão afetada no curto prazo

Embraer: Divulgacao

A Embraer acredita que o conflito na Ucrânia, que tem mexido com diversos mercados pelo mundo, não deve prejudicar a empresa no curto e médio prazos. Segundo Francisco Gomes Neto, CEO da companhia, empresas que atuam principalmente com voos internacionais podem sofrer mais.

“Esse cenário mais negativo com o conflito afeta mais os voos de longa distancia do que os domésticos, onde atuamos”, afirma o CEO, em teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre de 2021 nesta quinta-feira (10).

O executivo, embora tenha se mostrado preocupado com o impacto do conflito na cadeia de produção, afirma que a Embraer não deve ter sua produção afetada, devido aos estoques que a companhia já possui.

Caso o conflito se alargue por mais tempo, Neto vê mais chance de a companhia ser afetada. O principal ponto que pode prejudicar a empresa é a possível inflação causada pela guerra, uma vez que os preços das commodities estão subindo, em razão do cenário de escassez de oferta.

“Os preços já estão com repasse da inflação, e por enquanto não estamos perdendo margem com isso. No futuro, vai depender da questão do conflito e do preço de algumas commodities que impactam a produção do alumínio, que estão subindo cerca de 150%”, afirma Antonio Carlos Garcia, vice-presidente executivo da Embraer.

Garcia acredita que é cedo para prever, e que o Guidance da empresa de 2022 já prevê uma perda por conta dos custos durante o ano. “Estmo que seguramos em torno de 1,5% nas nossas projeções para este ano por conta desses possíveis novos custos”, finaliza.

Balanço do quarto trimestre

A Embraer anotou lucro líquido de R$ 11,1 milhões no quarto trimestre do ano passado, depois de registrar prejuízo de R$ 7,7 milhões em igual período de 2020, segundo balanço divulgado pela empresa na noite de quarta-feira (9).

No acumulado de 2021, porém, a companhia não foi capaz de sair do vermelho, registrando prejuízo líquido de R$ 274,8 milhões, mas com perdas menores do que os R$ 3,61 bilhões anotados em 2020.

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“Os resultados do quarto trimestre ficaram em linha com as nossas estimativas, com uma geração de caixa acima das expectativas. Os resultados do período e de todo o ano mostram que o nosso planejamento traz resultados positivos para a companhia”, comenta Francisco Gomes Neto.

Durante a teleconferência, o CEO afirma que alguns desinvestimentos da empresa foram responsáveis por uma melhoria geral em indicadores financeiros. A venda da Évora, em Portugal, por exemplo, foi uma das movimentações que ajudaram essa melhora.

Projeções para 2022

Para este ano, a Embraer tem uma expectativa de um ano positivo, mas mais tímido. A receita líquida do trimestre foi de R$ 7,3 bilhões, queda de 25% em relação aos R$ 9,8 bilhões de igual período de 2020.

No acumulado de 2021, o faturamento foi de R$ 22,7 bilhões, em linha com as estimativas da companhia, diz o relatório, e 15% superior ao de 2020.

Foram entregues 55 jatos no quarto trimestre do ano passado, abaixo dos 71 de 2020. Do total,  foram 16 aeronaves comerciais, menos que as 28 de igual período do ano anterior, e 39 jatos executivos, contra 43 um ano antes.

A companhia, porém, encerrou 2021 com aumento no total de jatos entregues, para 141, ante 130 em 2020.

Fonte: Embraer
Fonte: Embraer

Para 2022, a empresa espera entregar entre 60 e 70 aeronaves comerciais e de 100 a 110 jatos executivos. A projeção de receita líquida é de US$ 4,5 bilhões a US$ 5 bilhões.

Para o CEO da Embraer, as projeções para 2022 mostram um “bom momento da empresa, que se encontra num momento de mix entre recuperação e crescimento”. Além disso, ele espera que o ano de 2022 traga um lucro líquido, acompanhado de uma maior procura de passageiros pela diminuição das restrições de mobilidade causadas pela pandemia.  

Ele observa, contudo, que existem três grandes desafios para o ano. São eles — o aumento no preço dos combustíveis, restrições de voos com a guerra na Ucrânia e uma possível falta de pilotos.

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