Os acionistas que detêm ações preferenciais da Eletrobras (ELET6) têm direito a receber mais dividendos, o que, historicamente, se reflete no preço dos papéis, que são negociados a valores mais altos do que os ordinários (ELET3).
De um tempo para cá, porém, essa diferença diminuiu, abrindo espaço para que a ação preferencial tenha valorização maior do que a ordinária nos próximos meses, na avaliação de Pedro Manfredini, Flavia Sounis e Bruno Vidal, analistas do Goldman Sachs, segundo relatório distribuído nesta terça-feira (13).
O banco americano recomenda compra para os dois papéis, com preço-alvo de R$ 61 para ELET3 e R$ 67 para ELET6. Isso significa que, na visão do Goldman, enquanto a ação ordinária deve ter valorização de 33%, na comparação com o valor do papel no fechamento de segunda-feira (13), a preferencial tem espaço para subir 42%.
Por volta das 16h desta terça, ELET3 era negociada em baixa de 1,5%, a R$ 45,30, enquanto ELET6 caía 0,53%, a R$ 46,94.
Atualmente, dizem os analistas, a diferença entre o preço das duas ações é de 1,025 vez – abaixo do que o banco considera justo, que seria 1,1 vez.
A percepção do Goldman, porém, é que essa diferença pode aumentar em breve, com a possível migração da Eletrobras para o Novo Mercado, o mais alto nível de governança da B3, que causaria a combinação das classes de ações. Isso porque o banco acredita que a junção ocorreria a uma taxa de troca que respeita o diferencial de dividendos.
No cenário mais otimista, banco projeta uma alta de 7,5% no gap. Mas o banco não descarta uma baixa, no cenário mais pessimista. Neste caso, a previsão seria de apenas 2,5%.
No caso da combinação das ações ocorrer, o fato de os acionistas da ELET6 provavelmente terem direito de saque também limita o potencial de redução da diferença entre os papéis, segundo o Goldman.
E uma diferença maior entre as ações seria justificada, na análise da instituição. Os acionistas da ELET6 têm direito a um dividendo anual de 6% do capital social da companhia e a um pagamento 10% superior ao dos detentores da ELET3. “O valor justo por ação da ELET6 também é mais alto do que o da ELET3, refletindo essa diferença”, afirmam os analistas.
Além disso, o Goldman não acredita que a ELET3 mereça um prêmio de controle, uma vez que, desde que a Eletrobras se tornou uma corporação, nenhum acionista pode ter mais de 10% de poder de voto, e os acionistas da ELET6 também têm uma vaga no conselho de administração da companhia.
Por fim, a diferença de liquidez também não deveria ser refletida na avaliação das ações, de acordo com o relatório. Ainda que a ELET3 sejam uma das ações mais líquidas do setor, o Goldman aponta que a ELET6 também está bem posicionada, com valor médio de negociação diária de cerca de US$ 33, comparável ao da Equatorial (EQTL3), por exemplo.