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Ecorodovias (ECOR3): Recuperação do tráfego continua a ajudar os resultados; ação sobe

Ecorodovias (ECOR3): Recuperação do tráfego continua a ajudar os resultados; ação sobe

Revisão das projeções de custo pode gerar preocupação para os próximos trimestres, diz XP

Rodovia sob concessão da Ecorodovias

Foto: Shutterstock

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Os resultados da Ecorodovias (ECOR3) para o quarto trimestre de 2021, com lucro líquido recorrente de R$ 69,3 milhões, alta de 25,5% em relação a igual trimestre do ano anterior, seguem no mesmo sentido do aumento de 5% na receita líquida decorrente da recuperação dos níveis de tráfego, com a flexibilização das medidas de restrição para combate à pandemia.

O tráfego consolidado de todas as rodovias que a Ecorodovias opera teve um crescimento de 4,4% no quarto trimestre na comparação anual. Considerando o tráfego comparável, ou seja, sem contar as concessões da Ecocataratas e a Ecovias Caminho do Mar, que foram encerradas, e da Ecovias do Cerrado, que começou a ser cobrada recentemente, a alta foi de 3,3%.

Segundo o diretor-presidente da Ecorodovias, Marcelo Guidotti, em declarações na teleconferência de resultados na manhã desta terça-feira (15), os últimos dados, referentes a fevereiro, indicam um tráfego 6,9% acima do realizado um ano antes,, com um bom mix de veículos leves, industriais e de safra.

“A resiliência dos resultados de tráfego está aí, com toda a parte de reajuste tarifário que vem em cada contrato de concessão. Então as perspectivas são boas e estamos otimistas”, diz o executivo.

Os números de tráfego também foram bem recebidos pela equipe de analistas da XP Investimentos, que destacou o tráfego comparável 1% superior ao registrado no quarto trimestre de 2019, período anterior à pandemia de Covid-19. A análise é de relatório publicado nesta terça-feira (15).

Capex ajudou, mas pode se tornar ameaça

Para além de lucro, Ebitda e receitas, o grande destaque do trimestre diz respeito a Capex. Por um lado, a empresa foi beneficiada no período pela reversão de provisões para manutenção, em função da revisão do cronograma de obras futuras, e de uma melhora nos resultados com operações financeiras excluindo a atualização monetária de acordos firmados anteriormente.

Além disso, para este ano, a Ecorodovias realizou algumas revisões em suas projeções de Capex. Na ponta positiva, houve uma redução de R$ 129 milhões de custos em projetos de engenharia.

As reduções de custos previstas, diz Guidotti, devem-se a revisões na quantidade de investimento que será destinada aos projetos nos próximos anos. “Realizamos um trabalho constante de reavaliação do Capex futuro para, assim que possível, capturar economias”, afirma.

Do lado negativo, a companhia prevê um aumento de R$ 278 milhões, acima da inflação, no custo de insumos, sobretudo do cimento asfáltico de petróleo (CAP) – o que gera preocupação para os resultados dos próximos trimestres, na visão da XP.

O reajuste das projeções de custo, segundo o diretor-presidente, considera a premissa de que, no médio prazo, a inflação irá retornar a níveis normalizados. A companhia leva em conta também as eficiências e economias que deve ser capaz de capturar conforme avança em seus projetos, o que é uma forma de controlar as variações de custo ao longo dos anos, diz Guidotti.

“Não é nada de muito relevante. Temos o Capex sob controle e temos a capacidade de reagir e gerenciar esses movimentos sem grandes impactos para a companhia”, diz o executivo.

Outra revisão para cima veio da contabilização de investimentos adicionais na Ecovias dos Imigrantes, seguindo a extensão do prazo do contrato de concessão até novembro de 2033, no valor de R$ 1,388 bilhão. Há, ainda, a inclusão dos investimentos na nova concessão Ecovias do Araguaia, no valor de R$ 8,112 bilhões, divididos pelos 25 anos da concessão.

Como o mercado enxerga os resultados?

Em suma, a XP Investimentos considera que os resultados vieram em linha com o esperado, enquanto a equipe de analistas do BTG Pactual Digital aponta que os números superaram suas estimativas.

A XP reitera sua classificação neutra para a ação, e o BTG recomenda compra, com preço-alvo de R$ 17, o que representa alta de 170% em relação ao valor do fechamento de segunda-feira (14), de R$ 6,32.

De maneira geral, o mercado parece relativamente otimista com a ação. De acordo com dados da Refinitiv disponíveis na plataforma TradeMap, sete das 11 casas de análise consultadas recomendam a compra do papel, enquanto três indicam a manutenção do ativo na carteira e apenas uma sugere que seja o momento de vender a ação.

A mediana dos preços-alvo fixados pelos analistas é de R$ 11,95, potencial de alta de 90%.

Análise do mercado para as ações da Ecorodovias
Fonte: TradeMap

Por volta das 13h15 desta terça-feira, a ação era negociada em alta de 1,74%, a R$ 6,43.

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