O consumidor dos Estados Unidos continuou comprando em abril e ajudou a aumentar as vendas no varejo do país, mesmo depois de indicadores apontarem que os americanos estão cada vez mais preocupados com a perspectiva econômica.
Segundo dados do governo dos EUA, as vendas no varejo do país subiram 0,9% em abril em relação ao mês anterior – resultado um pouco menor que a expansão de 1,0% esperada pelo mercado, de acordo com o banco ING. Apesar disso, a alta das vendas em março foi revisada para cima – de 0,7% para 1,4%.
Segundo o Wells Fargo, os dados são um sinal positivo a respeito do consumo no segundo trimestre e indicam que os consumidores americanos estão conseguindo gastar mais a despeito de a inflação estar perto dos maiores níveis desde a década de 1980.
“Nós vínhamos enfatizando há algum tempo que os consumidores poderiam se apoiar no próprio balanço no curto prazo para continuar gastando. Estejam eles dependendo de crédito, usando um excedente de poupança ou simplesmente guardando menos dinheiro, os dados de abril mostram poucos sinais de desaceleração iminente”, afirmou o banco em um relatório.
O ING acrescentou que os dados sugerem forte recuperação no PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no segundo trimestre e deixam a porta aberta para que o banco central americano, o Federal Reserve, continue a aumentar os juros com tranquilidade.
Confiança está baixa
O resultado positivo das vendas no varejo vai na contramão de dados do Conference Board segundo os quais, em abril, a confiança dos consumidores americanos caiu para perto dos menores níveis desde o início de 2021
“Este é um resultado impressionante dado que a confiança do consumidor foi duramente atingida pelo fato de os salários não estarem acompanhando o aumento no custo de vida”, disse o banco ING em relatório, acrescentando que os números sugerem que as famílias americanas “parecem contentes em queimar parte da poupança para manter o estilo de vida”.
Ainda assim, ressalta o Wells Fargo, o aparente “superpoder” de compra dos americanos deve terminar. O banco citou outro indicador de confiança do consumidor – o da Universidade de Michigan, que está no menor nível em uma década – para justificar esta visão.
“As vendas no varejo são reportadas em termos nominais e, portanto, não refletem a mordida da inflação, mas mesmo assim o fato de elas terem crescido em oito dos últimos nove meses não é exatamente o que se espera com a confiança despencando”, disse o banco.