Dados de inflação no Brasil e nos EUA e o que mais você precisa saber para investir bem nesta sexta-feira

Mercado espera aceleração da inflação em 12 meses nos dois países, mas dado americano dá mais margem para especulação

Inflação é o nome do jogo no último dia desta semana. Os investidores conhecerão às 9h os números a respeito dos preços ao consumidor do Brasil e, às 10h30, os dados dos Estados Unidos. Em ambos os casos, o que o mercado quer saber é quão rápido os bancos centrais terão de correr atrás da alta dos preços.

No caso do Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) já se adiantou ao dado. Na quarta-feira, 7, indicou que acha justificável manter os juros bem acima da inflação por um certo tempo e até o mercado esperar altas de preço mais alinhadas com aquelas buscadas pela instituição – de 3,50%, no ano que vem, e de 3,25%, em 2023. Para fins de comparação, hoje essas expectativas estão em 5,02% e 3,50%.

Diante disso, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) vai servir para mostrar se a tarefa do Copom será difícil ou muito difícil. A expectativa do mercado, segundo o próprio Banco Central, é de que o indicador aponte inflação mensal de 1,07% em novembro, índice menor que o observado em outubro.

Se confirmada, a leitura representaria a primeira desaceleração desde agosto, mas a inflação mais alta para um mês de novembro desde 2002, quando o IPCA subiu 3,02%.

No acumulado em 12 meses, a previsão é de inflação de 10,87% em novembro, o que corresponderia à taxa mais alta em 18 anos — a última vez que os preços estavam subindo perto disso foi em novembro de 2003, quando o indicador bateu 11,02%.

E nos Estados Unidos…

Especialistas acreditam que os preços ao consumidor dos Estados Unidos subiram mais de 6,5% nos 12 meses até novembro, e que o núcleo da inflação — que mede os preços sem levar em consideração alimentos e combustíveis — subiram pelo menos 5,0%. Em outubro, esses números foram de, respectivamente, 6,2% e 4,6%.

No caso dos americanos, o número de inflação pode servir como um indicativo do que esperar na próxima quarta-feira, 15, quando o Federal Reserve, o banco central do país, anunciará sua decisão de política monetária.

Já é amplamente esperado que a instituição pare de injetar dinheiro na economia no primeiro semestre do ano que vem, e há algumas instituições prevendo que isso aconteça em março de 2022. Uma leitura de inflação acima do esperado deixaria o mercado inclinado a esperar esta interrupção mais cedo.

Como isso afeta seus investimentos

Em ambos os casos, uma inflação mais pressionada significa que os bancos centrais terão de ser mais rigorosos. Isso significa juros mais altos, no Brasil, e provável aumento antecipado nos juros nos Estados Unidos. Em ambos os caos o ambiente é negativo para as ações — primeiro porque eleva o custo do financiamento das empresas, depois porque aumenta a atratividade dos investimentos em renda fixa.

O dado americano, porém, deve ter mais efeito sobre o mercado, justamente porque a postura do nosso Banco Central já é conhecida e abre menos margem para especulação após a divulgação do IPCA.

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