O take rate da CVC (CVCB3), indicador medido pela divisão da receita líquida pelas reservas confirmadas, caiu 0,7 ponto percentual no segundo trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, e 2,1 p.p. em relação ao primeiro trimestre, para 7,6%, levantando preocupações no mercado.
O recuo, no entanto, reflete uma mudança no mix de vendas da operadora de turismo, de acordo com Leonel Andrade, CEO da CVC, e não preocupa, uma vez que, segundo o executivo, o take rate de cada unidade de negócios segue saudável.
“Apesar de o take rate deste trimestre não ter sido bom – e eu reconheço que não foi bom –, ele vai continuar sendo saudável, e vamos continuar sendo a empresa com melhor take rate do mercado. não vejo razão para ser diferente”, afirmou o CEO, durante a teleconferência de resultados na tarde desta quarta-feira (10).
A métrica, de acordo com o executivo, foi pressionada pela maior participação de Argentina, de viagens internacionais e do segmento corporativo, unidades de negócio que têm take rates menores, no mix de vendas.
As viagens internacionais passaram de 29% no segundo trimestre do ano passado para 55% no mesmo período deste ano. As operações argentinas, por sua vez, subiram de 15% para 25%, na mesma base de comparação, enquanto o B2B saiu ficou em 45%, contra 47% no segundo trimestre de 2021 e 40% no primeiro trimestre deste ano.
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Além do mix, o take rate do segundo trimestre também foi afetado por sazonalidade, pelo grande volume de remarcações e por ajustes operacionais, segundo a companhia.
Outro fator que atenua as preocupações da gestão, diz Leonel Andrade, são as políticas de preço da concorrência, que pode afetar seus take rates daqui para frente.
“Todos os nossos negócios têm take rates saudáveis. O take rate do nosso B2C [clientes pessoa física] é o maior e mais saudável o mercado. O do B2B [corporativo], também não tenho dúvida que é o mais saudável do mercado”, afirma Andrade. “Temos visto uma série de loucura em competidores, tentando vender a qualquer preço. Temos sido responsáveis e continuaremos sendo. Não vamos abrir mão de qualidade de preço”, completa.
B2B deve seguir forte, B2C deve se recuperar
O crescimento das viagens corporativas, na visão da CVC, é permanente, e não deverá ser afetado por uma mudança de comportamento após a pandemia de Covid-19. Se por um lado as viagens pequenas podem ser reduzidas, as grandes viagens, como eventos, congressos e feiras, devem continuar fortes, na visão da companhia.
E, ainda que o take rate desse tipo de viagem seja menor, o ticket médio é maior, o que reforça a atratividade do segmento, de acordo com o CEO. Marcelo Kopel, diretor de finanças e relações com investidores da CVC, acrescenta que há oportunidades de ganho de take rate dentro do segmento, por meio da venda de produtos terrestres.
Já a queda no segmento B2C, de acordo com Andrade, de 38% para 30% entre o segundo trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano, reflete o fechamento de cerca de 18% da base de lojas durante a pandemia de coronavírus, diminuindo os canais de distribuição. Isso, segundo o CEO, deve levar entre um e dois anos para ser revertido.
“O B2C está com muita saúde e continua muito alinhado à sua distribuição”, afirma o executivo.