A XP Investimentos vê espaço para um aumento na margem de lucro das construtoras voltadas ao público de baixa renda no longo prazo, graças a uma combinação perfeita de desaceleração dos custos e possibilidade de aumento do preço médio por unidade após a atualização do programa CVA (Casa Verde e Amarela).
Segundo a corretora, a expectativa é de que a diferença entre o faturamento e o custo dos produtos vendidos por estas companhias – a chamada margem bruta – aumente para a faixa de 28% a 35% da receita, e permaneça nestes níveis no longo prazo.
Em relatório, o analista Ygor Altero destaca que os preços das commodities – principalmente o aço – estão mais controlados e que isso ajuda na redução dos custos destas companhias. A recente mudança do CVA, que garante o uso do FGTS como garantia para pagar os financiamentos, é outro destaque positivo no médio prazo para as construtoras.
Diante disso, a XP atualizou as estimativas de Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), MRV (MRVE3), Tenda (TEND3) e Plano & Plano (PLPL3), e agora espera que os lançamentos e vendas líquidas aumentem 8,3% e 14,0% em 2022, respectivamente, e 8,8% e 13,7% em 2023, nesta ordem.
Dentre as empresas, Altero afirma que foi observado um aumento nos lançamentos da Cury e da Direcional, demonstrando a rentabilidade na operação e aumentando a participação de mercado de ambas as empresas.
Além disso, o desempenho de vendas da Cury e da Direcional seguiu a tendência positiva dos lançamentos, mantendo níveis saudáveis de VSO (velocidade de vendas), enquanto a maior parte dos pares perdeu tração durante o processo de aumento de preços.
“É importante mencionar que, dado o potencial de aumento da margem bruta, estamos mais cautelosos em nossos números, mas não descartamos um potencial risco de alta na margem bruta daqui para frente, impulsionado pelas recentes atualizações de CVA”, explica Altero.
Com esse cenário, na avaliação da XP, a Cury é sua principal escolha entre as construtoras de baixa renda, já que o crescimento das vendas deve acompanhar os lançamentos, mantendo níveis saudáveis de VSO. O índice deve ficar em 71,8% em 2022, 71,5% em 2023 e 71,9% em 2024, superando as expectativas do mercado, segundo a XP.
Construtoras estão baratas?
Excluindo a Tenda, as ações de construtoras de baixa renda estão sendo negociadas a um P/L de 6,7 vezes em 2023, o que Altero considera razoável.
O P/L é um indicador que mostra o quanto o investidor está pagando pelo lucro de uma empresa. No caso das construtoras, o que ele mostra é que o valor atual da ação é 6,7 vezes maior que o lucro proporcionado pelo papel.
Na prática, quanto menor o P/L de uma empresa, em menos tempo ela compensa o investimento, sendo mais atrativa, na visão do mercado.
Com o otimismo em alta após a atualização do CVA, a XP alterou o preço-alvo de todas as construtoras de baixa de renda de sua cobertura.
No caso da Cury, o preço-alvo passou de R$ 13 para R$ 17, e a Direcional de R$ 17 para R$ 22, enquanto a MRV passou de R$ 19 para R$ 17. Todas possuem recomendação de compra.
Por outro lado, a Tenda foi a única com a recomendação rebaixada para neutra e preço-alvo de R$ 28 para R$ 11. A Plano & Plano, por sua vez, não teve nenhuma alteração, com o preço-alvo ficando em R$ 7,00 e a recomendação de compra.