Os receios sobre a solidez financeira do Credit Suisse fizeram o preço das ações do banco despencar 10% na manhã desta segunda-feira (3). Ao longo do pregão, no entanto, o papel devolveu boa parte das perdas, e perto do horário de fechamento da Bolsa de Zurique recuava apenas 0,9%, a 3,94 franco suíço.
O Credit Suisse é um dos bancos mais tradicionais da Europa e um dos maiores do mundo, mas nos últimos anos têm enfrentado uma crise de falta de credibilidade.
O principal motivo para isso é a fama de negligente que o banco ganhou após tomar prejuízos bilionários com o colapso das empresas Archegos e da Greensil em 2021.
O próprio Credit Suisse admitiu que poderia ter evitado as perdas se tivesse sido mais diligente ao analisar o risco destes investimentos.
Outros problemas, no entanto, já vinham deteriorando a percepção do mercado sobre a instituição.
Em 2020, o então executivo-chefe do Credit Suisse, Tidjane Thiam, teve de deixar o cargo após a notícia de que a empresa estava espionando funcionários. Dali para frente, a situação financeira do Credit Suisse piorou.
Thiam havia sido o responsável por trazer o Credit Suisse de volta ao rol das grandes instituições financeiras. Foi sob a administração dele que, em 2019, o banco registrou seu primeiro lucro anual desde 2014. Seus sucessores, no entanto, não tiveram o mesmo sucesso.
Nos últimos dois anos, em meio a uma série de prejuízos trimestrais, o banco apresentou dois planos de reestruturação para tentar voltar a lucrar, mas nenhum deles funcionou.
No balanço mais recente, referente ao segundo trimestre, o Credit Suisse reportou queda de quase 30% na receita, e justificou boa parte disso alegando “baixo fluxo de clientes”. Fora isso, também disse que sofreu os efeitos negativos vindos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e do aumento dos juros por grandes bancos centrais – ambos fatores que devem continuar nos próximos meses.
Diante disso, os investidores ficaram preocupados com a dificuldade do Credit Suisse para se reerguer. No acumulado de 2022, as ações do banco acumulam perdas de 56% e estão valendo menos que 4 francos suíços. Nos tempos áureos da instituição, cada papel custava mais de 80 francos.
Por que as ações do Credit Suisse estão caindo
A onda de desvalorização mais recente foi motivada por notícias de que o banco teria sondado investidores para receber uma injeção de capital.
O receio de que isso pudesse significar que a instituição está sem dinheiro fez o custo do seguro contra um eventual calote do banco suíço aumentar cerca de 20% na segunda quinzena de setembro.
O Credit Suisse veio a público explicar que está desenhando um plano de recuperação que prevê corte de custos, a venda de ativos e a injeção de capital na divisão de securitização, entre outras medidas que serão detalhadas em 27 de outubro.
Além disso, mobilizou os membros com status mais sênior da equipe para assegurar aos principais clientes que a situação está sob controle, segundo o jornal Financial Times.
Banco vai quebrar?
Apesar dos receios do mercado, o Credit Suisse foi aprovado neste ano no teste de estresse conduzido pelo governo dos Estados Unidos.
Na avaliação, a instituição precisa demonstrar se tem liquidez suficiente para sobreviver a um cenário econômico adverso. Em 2022, este quadro previa recessão econômica nos EUA e aumento do desemprego do país para 10% – mais que o dobro do nível atual.
Segundo os resultados do teste, divulgados em meados de 2022, o Credit Suisse teria capital suficiente para passar por uma crise deste tipo, mas teria uma das maiores quedas no colchão de liquidez dentre os bancos analisados.