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Corsan recua e desiste de fazer IPO, mas plano de privatização continua de pé

Corsan recua e desiste de fazer IPO, mas plano de privatização continua de pé

Corsan desiste de vender ações na Bolsa após Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul pedir revisão da avaliação da empresa

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Foto: Divulgação / Corsan

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A Corsan, estatal de saneamento básico do Rio Grande do Sul, desistiu de abrir capital e vender ações a investidores na B3 – mas pretende prosseguir com o processo de privatização usando outras vias.

Em comunicado, a Corsan disse que desistiu do IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) após o Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul determinar que, antes de prosseguir com a venda dos papéis, a companhia precisaria corrigir o modelo usado para calcular seu próprio valor.

A revisão, segundo a empresa, inviabilizaria a operação no período pretendido pelo governo gaúcho, que preferiu buscar uma outra forma de injetar capital privado na Corsan.

“Considerando-se a dificuldade para a finalização do IPO no atual prazo regulatório, bem como a desafiadora conjuntura do mercado de capitais para ofertas públicas de ações no país, o acionista controlador demandou o início imediato da reestruturação do projeto de desestatização”, disse a companhia no comunicado.

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A expectativa do governo do Rio Grande do Sul é vender a companhia ainda este ano e, dessa forma, garantir o cumprimento da meta de investimentos da Corsan, de cerca de R$ 10 bilhões, implementada pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). Os recursos serão usados para alcançar a universalização dos serviços de água e esgoto.

A ideia original do governo do Rio Grande do Sul era privatizar a Corsan na abertura de capital. Seriam vendidas novas ações, que injetariam cerca de R$ 1 bilhão no caixa da empresa, e também as ações detidas pelo governo até que ele detivesse uma fatia menor que 50% na companhia.

Em comparação a outras empresas estatais de saneamento com capital aberto, como Sabesp (SBSP3), empresa de saneamento de São Paulo, e Sanepar (SAPR11), do Paraná, a Corsan detém algumas vantagens do ponto de vista financeiro.

Em análise feita pelo TradeMap, a estatal gaúcha demonstrou boa competitividade, tomando como base os resultados do primeiro trimestre, em especial nos indicadores de endividamento e margem líquida.

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A margem líquida é um dos indicadores que avaliam a rentabilidade da companhia. Ela mede a proporção do lucro gerado no trimestre em relação às receitas obtidas. Nos primeiros três meses de 2022, tanto Sabesp quanto Sanepar elevaram este índice, enquanto a Corsan teve queda. Ainda assim, as duas primeiras não conseguiram superar o resultado da estatal gaúcha.

A Corsan teve uma margem líquida de 21,3%, levemente superior às concorrentes, mas com uma queda de 3 pontos percentuais (p.p.) em comparação com o primeiro trimestre de 2021. A empresa apresentou um lucro de R$ 184 milhões, 2,3% menor em relação a igual período de 2021.

A Sanepar, por sua vez, obteve uma margem líquida de 20,7%, crescimento de 0,6 p.p. em relação ao mesmo período de 2021. Já a Sabesp reportou uma margem de 20%, avanço de 9,4 p.p.

Em relação ao endividamento, a Corsan apresentou a menor alavancagem, que calcula o quanto a dívida líquida da companhia representa em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos últimos 12 meses.

No primeiro trimestre, a empresa reportou uma alavancagem de 0,55 vez, enquanto a Sanepar e da Sabesp ficaram em 1,34 vez e 2,21 vezes, respectivamente, segundo dados apresentados na plataforma do TradeMap.

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