Como a alta das commodities deve afetar as empresas do varejo, na visão da XP

Farmácias e varejistas de alimentos devem sofrer menos, segundo a corretora

Foto: Shutterstock

Em uma análise mais intuitiva, a alta das commodities tende a afetar, com mais força, as companhias do setor industrial que dependem delas para tocar suas produções. Por exemplo, uma empresa que produz plástico, que deriva do petróleo, vai sofrer mais com o aumento da cotação do produto no mercado internacional.

Mas como esse movimento chega ao varejo? Um relatório feito pela XP e distribuído a clientes na terça-feira (8) analisou as empresas listadas na Bolsa e concluiu que aquelas que estão ligadas ao chamado consumo discricionário — ou seja, que vendem itens que não são essenciais à população, como uma televisão — devem ser as mais prejudicadas.

Segundo a corretora, são estas as companhias que estão mais expostas aos custos das matérias-primas, que representam um fatia relevante de seus gastos totais, e a variações na demanda, que podem limitar a capacidade de repassar preços.

Do lado oposto, diz a equipe de analistas da corretora, as farmacêuticas e as varejistas de alimentos, que entram no grupo de consumo ligado a produtos essenciais, seguem como uma alternativa mais segura para se expor ao varejo.

Para o setor farmacêutico, o reajuste de preços que será praticado pelo órgão regulador do setor neste ano deve ser capaz de compensar o aumento da inflação, enquanto as varejistas de alimentos, sobretudo as do segmento de atacarejo, costumam ser uma alternativa para consumo em momentos de corte no poder de compra.

As commodities, que já vinham em tendência de alta, dispararam depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, diante de temores de escassez de oferta. A escalada dos preços de produtos como petróleo, borracha sintética, metais, grãos e algodão, por sua vez, têm causado temores de pressão inflacionária.

Nesse cenário, a análise da XP indica que as empresas de consumo discricionário serão as mais afetadas, sobretudo C&A (CEAB3) e Natura (NTCO3), que devem sofrer queda de cerca de 3% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) a cada 1% de aumento nos custos de matéria-prima. Além disso, os custos de frete também devem pensar sobre as margens, especialmente no caso da Natura.

“Apesar das varejistas poderem compensar parte do aumento de custos através do seu repasse para preços, acreditamos que isso reduziria o volume de vendas diante do cenário macro desafiador”, dizem os analistas, avaliando que, mesmo que a rentabilidade permaneça estável, o Ebitda deve apresentar queda.

Pelos mesmos efeitos, outras empresas que devem sofrer são Alpargatas (ALPA4) e Lojas Renner (LREN3), com queda de 2% e 1% no Ebitda, respectivamente, a cada 1% de aumento nos custos de matéria prima.

Apesar de fazer parte do segmento discricionário e estar exposta à alta de preços do ouro e da prata, o forte poder de precificação e a flexibilidade para gerenciar custos por meio da produção verticalizada devem garantir resiliência à Vivara (VIVA3), diz a XP.

As empresas que atuam no e-commerce, por sua vez, devem ter as pressões de custo compensadas parcialmente pelo corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciado pelo governo em fevereiro. Os fretes mais elevados, porém, seguindo a alta do petróleo, devem afetar o Ebitda das companhias do segmento em cerca de 0,5% a cada aumento de 1% no custo de frete.

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