Commodities sustentam Ibovespa, enquanto Wall Street cai de forma acentuada

Por volta das 13h, o Ibovespa subia 0,37%, aos 108.339 pontos

Fonte: TradeMap

O cenário global continua a guiar as performances do Ibovespa, enquanto o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, inicia sua reunião de dois dias nesta terça-feira (25). Até a divulgação da ata na quarta (26) às 16h (de Brasília), e o discurso do presidente da instituição Jerome Powell, meia hora depois, a cautela predomina entre os investidores.

A bolsa brasileira segue perto da estabilidade, operando em leve alta, sustentada principalmente pelas commodities, que tomam conta do noticiário nos últimos dias. Após fechar em queda de 0,92% na segunda (24), o principal índice da B3 subia 0,37% por volta das 13h, com 108.339 pontos.

A maior alta do dia é da YDUQS (YDUQ3), empresa do ramo de educação, que subia 4,90%. Renan Sujii, estrategista de investimentos da consultoria RIMS3 Capital, acredita que a alta pode ser explicada pela expectativa do mercado em relação à captação de alunos que ocorre no início do ano para as companhias do setor.

Quem também se destaca é a Cielo (CIEL3), que apontava subida de 4,88%.  Dentre as quedas do Ibovespa, empresas voltadas à economia doméstica e mais sensíveis à taxas de juros predominavam. A principal baixa é a de Alpargatas (ALPA4), que recuava 4,90%.

Commodities no radar

Após abrir o dia em queda, a Bolsa virou para o terreno positivo graças ao impulso das commodities. O preço do petróleo do tipo Brent tem subido nas últimas semanas, sendo negociado na faixa dos US$ 86 o barril. O aumento se deve principalmente aos recentes conflitos geopolíticos envolvendo Rússia, Ucrânia e Estados Unidos.

A subida da commodity segue o movimento desde a semana passada, quando rebeldes do Iêmen fizeram um ataque terrorista contra os Emirados Árabes Unidos, que matou três pessoas e aumentou as tensões no Oriente Médio.

A Petobras (PETR4), uma das empresas com maior quantidade de papéis negociados na B3, subia 0,63%, puxando o índice para o positivo. “Como o Ibovespa tem um peso importante de commodities, gera uma apreensão: se o preço do petróleo aumenta muito, impacta no repasse dos preços ao consumidor. Esse fato esbarra na PEC dos combustíveis no Congresso. Isso tudo em um cenário em que a inflação ainda é um desafio do governo para 2022″, explica Renan Sujii, da RIMS3 Capital. 

À espera do Fed

Para a decisão do Fomc (o comitê de política monetária do Fed) que será anunciada na quarta, a expectativa é que a instituição indique o início da elevação da taxa básica inflacionária americana já em março. Os investidores esperam a primeira alta de juros em um momento de arrefecimento da pandemia.

Os investidores estão ajustando posições no mercado para uma postura mais dura do Federal Reserve no combate à inflação. O banco central americano já sinalizou que aumentará os juros e que pode adotar outras medidas para reduzir o ritmo de alta nos preços.

Com isso, nos últimos 30 dias, as taxas de juros da dívida dos Estados Unidos subiram rapidamente. No caso dos títulos de dois anos, passou de 0,705% para 1,032%, enquanto entre os títulos com vencimento em 10 anos aumentou de 1,479% para 1,782%.

Segundo Renan Sujii, as movimentações nas taxas de juros não são exclusivas dos americanos. “Veremos nos EUA, mas também temos visto no mundo todo. No caso do Brasil, o BC está correndo atrás da curva de juros. Essa movimentação global tem um potencial de mexer com os ativos de grande risco”, comenta.

Ele destaca que, para além da comunicado em si, é importante se atentar para as declarações dos membros do Fed. “Essas comunicações podem sinalizar quando irá começar a normalização da taxa, aí o mercado começa a colocar no preço das ações baseado nisso”, diz o estrategista.

Como resultado, as principais bolsas de Wall Street apresentam retração acentuada. O Nasdaq caía 2,41%, Dow Jones recuava 1,22% e S&P tinha baixa de 1,88%.

Os mercados europeus descolavam do fluxo. FTSE 100, de Londres, subia 0,75%, enquanto o DAX, da Alemanha, tinha performance positiva de 0,55%. O Euro Stoxx 50, índice que reúne diversas empresas do Velho Continente, apontava em 0,64% para cima.

 

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.