Com queda liderada pelo Banco Inter (BIDI11), Ibovespa recua mais de 1%

Em linha com as bolsas internacionais, pregão tem sido negativo desde a abertura, em meio ao aumento de casos de Covid

Depois de começar o ano em queda na primeira semana, o Ibovespa opera em baixa na tarde desta segunda-feira, 10. Por volta das 13h20, o índice caía 1,11%, aos 101.581 pontos. Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a cair 1,64%.

O movimento se deve em grande parte às ações de empresas do ramo de serviços (como saúde, tecnologia e educação), impactadas pelo aumento de casos de Covid e Influenza.

Destaque ainda de baixa para o Banco Inter (BIDI11), com recuo de 9,69% A instituição financeira tem vivido dias intensos — depois de disparar mais de 15% na sexta-feira, hoje  anotava as units caem cerca de 10%. Renan Sujii, estrategista de investimentos da consultoria RIMS3 Capital, ressalta que empresas de tecnologia são muito sensíveis a ambientes de correção de taxas de juros.

E nesta manhã, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou que a previsão do mercado financeiro para a taxa Selic ao fim deste ano aumentou de 11,50% para 11,75%. A última vez em que a taxa ficou perto deste nível foi em 2017, quando estava em 12,25% ao ano.

Para essa semana, o mercado ainda espera a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, nesta terça-feira.

Sujii considera o ambiente de 2022 em risco. “Estamos vendo novamente a inflação sendo um problema. Ao mesmo tempo, vemos sinalização do BC de que devemos ter um ciclo de alta de juros maior, além de instituições estarem reduzindo as projeções para o PIB”, diz o analista.

Outro fator que pesa sobre a Bolsa neste início de semana é a rápida disseminação da Covid-19, causada pela nova variante Ômicron, além do aumento nos casos de Influenza pelo Brasil.

“Vemos um cenário inverso ao de 2020. Na época, os governos que mandavam fechar [os estabelecimentos], e agora vemos os lojistas e empresas sofrendo com surtos nas equipes e fazendo isso na marra. Isso vai afetar resultado de vendas, shoppings, varejo e aviação civil, por exemplo. Os perdedores de 2020 no início da pandemia estão voltando a sofrer hoje,” afirmou Sujii.

Saúde em baixa

O  setor de saúde também sofre os efeitos da piora do ambiente, com destaque para as ações da Qualicorp (QUAL3), com queda de 5,49%, e Hapvida (HAPV3), com baixa de 3,73%.

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Fonte: TradeMap

Em momentos de alta nos casos de Covid, os atendimento dos hospitais ficam concentrados naqueles que não são de grande geração de valor para as empresas. Como são as internações que lotam os hospitais, o espaço para atendimentos com maior margem de lucro, como consultas agendadas com antecedência, é reduzido.

As hospitalizações e as mortes provocadas pela doença, no entanto, estão crescendo em ritmo bem menor do que o número de recém-infectados, o que mitiga parcialmente os efeitos.

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Já as maiores altas do dia do Ibovespa têm se concentrado em empresas que trabalham com exportação, em meio à apreciação do dólar em relação ao real nos últimos dias. Destaque para CSN (CSNA3), com avanço de 2,99%, e Usiminas (USIM5), com valorização de 2,93%.

Cenário Internacional

As bolsas internacionais também operam em queda no início desta tarde, ainda pressionadas pelos receios do fim de estímulos à economia americana, sinalizados na semana passada. Nos EUA, o índice Dow Jones caía 1,16%, S&P 500 em 1,36%, enquanto o Nasdaq apontava queda de 1,80%.

No continente europeu, o FTSE 100 tinha baixa de 0,57%, o DAX, de 1,04%, e o Euro Stoxx 50, de 1,39%.

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